Jorge Moraes

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Governo de SP quer endurecer regras para carregar carros elétricos

O Corpo de Bombeiros de São Paulo elaborou parecer técnico que pode endurecer as regras em relação às vagas para recarga de veículos elétricos no estado.

O texto, encaminhado para consulta pública, prevê que os automóveis precisarão ser separados por vagas com uma distância mínima de cinco metros. Caso o parecer seja aprovado na consulta, passará a valer assim que for publicado no Diário Oficial.

Segundo o documento, uma alternativa seria fazer o afastamento entre os veículos por meio de paredes corta-fogo com 1,60 m de altura e 5 m de comprimento. A parede também deve ter fechamento junto ao teto do pavimento, isolando, individualmente, cada estação.

Além disto, as vagas teriam de contar com chuveiros automáticos em todo o pavimento onde houver os carregadores.

"Este tipo de incêndio, mormente em razão das baterias de ions de lítio, tem por característica o consumo de grande quantidade de água para sua extinção", aponta o parecer técnico do Corpo de Bombeiros paulista.

O parecer prevê o prazo de um ano, a contar da data da respectiva publicação, para que as instalações se adaptem as normas. O sistema de mitigação contra incêndios deve conter um reservatório para irrigar a área por um prazo de 60 minutos.

As regras também dispõem sobre a garantia do corte de energia entre os módulos de carregamento e da rede elétrica por meio de disjuntor. "As vagas de recarga deverão possuir proteção, mínima, de dois extintores ABC com distância máxima de caminhamento de 15 metros", explica a portaria.

Justificativa

"Diante do avanço tecnológico e da disseminação de novas tecnologias, é cada vez mais comum a necessidade de instalação de bases para recarga de veículos elétricos movidos a baterias de íons de lítio nos estacionamentos das edificações", aponta o parecer.

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O texto ainda explica a urgência do parecer. "A implementação de regras padronizadas se faz urgente, especialmente no que diz respeito às medidas de segurança contra incêndios, devido ao potencial risco de ignição das baterias de íons de lítio".

Montadoras criticam proposta

Presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), entidade que representa diversas montadoras, Ricardo Bastos diz em entrevista ao UOL Carros que recebeu a consulta pública como tentativa de se criar nova "jabuticaba". Isso porque estatísticas internacionais de incêndio em veículos indicam percentuais muito inferiores para elétricos (0,004%) quando comparados com similares movidos a combustão (0,08%).

De acordo com o executivo, a consulta também incluiria aspectos já superados e sem compromisso com as melhores técnicas disponíveis, inclusive no Brasil.

Bastos afirma que hoje a utilização de baterias é extremamente comum em vários produtos, como celulares, que estão presentes em vários momentos da nossa vida.

"Os veículos contam com homologação técnica, certificação e controles de qualidade extremamente rígidos, que permitem avançarmos nesse debate com muito equilíbrio e com a importância devida", diz.

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