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Jorge Moraes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como chineses gastarão bilhões no Brasil para atrair jovem a comprar carro

Jorge Moraes/UOL
Imagem: Jorge Moraes/UOL
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Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

Colunista do UOL

28/01/2022 10h50

Oswaldo Ramos, diretor comercial da Great Wall Motors Brasil, com todo seu talento, disse que a marca fará carros para seduzir o jovem e conquistar consumidores conectados como eu, por exemplo.

A largada da chinesa será no fim do ano no Brasil, com um SUV importado e depois, no segundo semestre de 2023, com dois carros nacionais ligados no pacote de tecnologia da marca. A promessa de reconhecimento fácil, do novo mundo sem o uso da chave, do 5G e das telas de alta definição estão na mira dos produtos 100% híbridos que serão feitos por aqui.

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E quanto aos elétricos? Eles virão depois e o time chinês está certo disso como outra promessa que pretende surpreender pela autonomia e eficiência energética. A GWM vai trabalhar por aqui com as grifes Haval, Tank e Poer.

De capital privado, a GWM anunciou um investimento de mais de R$ 10 bilhões com o objetivo de trazer sua marca para a indústria automotiva brasileira. Serão dois ciclos de retornos gerados a partir da fábrica 100% eletrificada de Iracemápolis (SP), local comprado da Mercedes-Benz.

Anote aí: cerca de R$ 4 bilhões de 2022 a 2025 e R$ 6 bilhões entre 2026 e 2032, com geração de dois mil empregos diretos. Até o fim do ano, chega o primeiro SUV importado, mas ao todo serão 10 modelos que estão em desenvolvimento nesses três anos. No segundo semestre de 2023 sairão os dois primeiros carros fabricados no país. Os nacionais GWM.

Vai ser fácil? Não. A rede precisa ser bem construída e o foco no armazém de peças e pós-venda será uma aposta do chefe comercial. A empresa chega ao país para montar a sua maior base de produção fora da China, com o objetivo de se tornar um centro de exportação para a América Latina e ajudar a desenvolver o mercado brasileiro.

Em mais 36 meses serão 100 mil veículos saindo do interior de São Paulo para atender ao negócio dos carros que deve voltar ao patamar de três milhões de unidades. Essa é a torcida da Anfavea.

Great Wall Haval H6 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

No Brasil, com três marcas, a GWM vai lançar uma linha de produtos que terá somente SUVs e picapes híbridos e elétricos. A escolha por esses dois segmentos foi feita para atender o desejo do consumidor. No ano passado, no país, houve crescimento de 26% na venda de SUVs e de 25% no segmento de picapes, dados da Fenabrave.

A marca vai investir também no desenvolvimento da tecnologia de célula de combustível de etanol. Do Brasil sairá para o mundo o carro a hidrogênio deles.

Considerada a sétima montadora mais valiosa do mundo em outubro de 2021, a GWM é líder entre os utilitários esportivos médios no mercado chinês, o maior do mundo, com o Haval H6, por 11 anos seguidos.

A marca também ostenta o título de quarta maior fabricante global de picapes médias, segmento que lidera na China há 24 anos consecutivos com a Poer - a montadora tem participação acima de 50% no país. Por aqui, também vai explorar a Tank, que tem foco no 4X4 mais robusto. Quanto a Ora, que produz os elétricos, a estratégia é focar em importados.

Os automóveis 100% híbridos terão opções de configuração que variam de 230 cv a 430 cv de potência e 410 Nm a 762 Nm de torque. Na prática, esses números se traduzem em aceleração de 0 a 100 km/h de 7,2 segundos a apenas 4,8 segundos e consumo de combustível de 75 km/l a 208 km/l no uso combinado do motor elétrico com a combustão. Não custa lembrar os 200 quilômetros de autonomia o carro híbrido usando o motor elétrico com possibilidade de recarga de 80% em 30 minutos.

Recapitulando, a GWM já iniciou parcerias para os estudos de uso de etanol como fonte de geração de hidrogênio para veículos com célula de combustível e nesse tema o grupo quer ser pioneiro no desenvolvimento completo da cadeia.

Conectividade

A tecnologia para a segunda fase dos produtos vai mostrar o primeiro carro movido com o sistema over the air, com atualização (upgrade) pelo ar. O 5G presente, além de todos os comandos de voz e presença.

O reconhecimento facial apresentado na China, pela Chery, pelo jeito, vai chegar primeiro na GWM. "Vamos fazer carros que atraem os jovens com muita tecnologia. Ambiente de interesse da turma, engajando o novo consumidor", declarou Oswaldo Ramos.