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Flush: como funciona a polêmica limpeza de alguns sistemas do seu carro

Thais Roland

Thais Roland é técnica em Manutenção Automotiva e apaixonada pela graxa. Com seu canal no YouTube 'Coisa de Meninos Nada', busca informar, orientar e dar suporte em relação a dúvidas e neuras sobre o mundo dos carros

Colunista do UOL

05/05/2020 04h00

Conforme escrevi na semana passada, falarei na coluna de hoje sobre o procedimento de flush no sistema de arrefecimento e de lubrificação do veículo.

Flush é um procedimento que promete uma limpeza profunda em determinado sistema usando produtos químicos. Dependendo do produto que você usar, precisa rodar alguns quilômetros para que faça efeito, enquanto outros prometem resultados em apenas alguns minutos de funcionamento do motor.

Fabricantes importantes de produtos de arrefecimento fazem flush, então quero deixar bem claro aqui que não estou discutindo a eficiência deles. Inclusive já testei um no meu Maverick pouco antes de desmontá-lo, porque sabia que teria que refazer o sistema de arrefecimento e era a chance de ver como o produto funcionava em um sistema em estado bem crítico.

A questão é que o sistema precisa estar em um nível muito específico de problemas para justificar o uso desse tipo de produto. Não pode estar ruim demais porque não vale a pena, já que muitos componentes precisarão ser substituídos de qualquer forma e você estará apenas jogando dinheiro fora.

Além disso, o fato de ele ser super agressivo faz com que seja importante garantir que não vai permanecer no sistema, ainda que em pequena quantidade, após o procedimento. Isso vai exigir uma boa limpeza de qualquer maneira no sistema por completo.

Pessoalmente prefiro desmontar tudo e fazer a limpeza tradicional nos carros, de casa e dos meus clientes. Mas entendo quem usa produtos de flush no sistema de arrefecimento como um complemento dessa limpeza.

Já no sistema de lubrificação eu não vejo motivo que justifique um procedimento de flush. A ideia aqui é a mesma: fazer uma limpeza profunda com um produto químico agressivo que promete desprender a sujeira mais pesada.

Novamente corremos um risco sério de entupimentos devido a esse processo. Você tira a sujeira de um canto e ela fica impregnada em uma galeria, entupindo a passagem de óleo. Ficará ainda mais grave, além da ação que esses produtos podem ter nas borrachas de retentores dentro do motor.

Carros que apresentam problemas no sistema de lubrificação precisam de uma atenção especial. Apenas uma das oficinas onde trabalhei tinha produtos para fazer banho químico em motores. Em outras, desmontávamos o motor e mandávamos para uma empresa de retífica para fazer esse banho.

Ainda assim, quando o motor voltava, eu ainda lavava tudo no tanque de lavar peças, passando escova em todas as galerias, para garantir que todas estariam livres quando montasse o motor e ligasse a bomba de óleo antes da primeira partida.

No sistema de arrefecimento, é bem provável que as consequências do flush apareçam quase que imediatamente (os vazamentos, principalmente). Mas, no sistema de lubrificação, uma galeria, o pescador de óleo ou qualquer outro componente entupido vai demorar para apresentar sinais de problemas. E, até lá, o dano causado no motor pode ser grande.

Importante dizer que um carro com a manutenção preventiva em dia não tem porque precisar de um procedimento de flush, nem nenhuma outra manutenção corretiva grande assim. Então, mais uma vez, a máxima "prevenir é melhor que remediar" vale com maestria.

Como mencionei anteriormente, esses procedimentos não são tão comuns (ainda bem), mas já peguei carros com problemas derivados de processos de flush.

Sei que esse é um assunto não muito trivial, especialmente para quem ainda está se familiarizando com a mecânica. E, por isso, os comentários estão sempre abertos para vocês esclarecerem as dúvidas comigo.