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Caçador de Carros

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

De Corcel a Diplomata: pandemia faz explodir buscas por carros antigos

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

25/03/2021 04h00

Foi em março do ano passado que a pandemia do covid-19 pegou por aqui. O leitor certamente se lembra que o mundo já estava sofrendo bastante com o vírus, mas aqui as coisas só ficariam mais sérias mesmo depois daquele mês.

Um ano depois, não temos nada para comemorar. É claro que todos tiveram momentos pontuais de alegria, sendo uns mais e outros menos. Mas, no geral, é certo que poucas coisas boas ficarão deste período difícil para a humanidade.

Porém, algo chamou minha atenção nesses últimos 12 meses. O mercado de carros usados está fortíssimo, não só nas vendas como também no pós-venda. A princípio, não parece fazer sentido, pois está indo na contramão da retração geral na economia, mas basta analisar o atual cenário para entender o que está acontecendo.

Os carros novos estão absurdamente caros, e cada vez mais longe de serem adquiridos pelo trabalhador médio brasileiro. Com isso, é natural que muitos passem a enxergar no mercado de usados a opção mais racional para ter um bom veículo na garagem.

Já aqueles que não querem ou não podem trocar de carro nesse momento acabam recorrendo a oficinas de reparações, sejam para manutenção mecânica, elétrica ou estética, e assim conseguem manter o carro que já tem na garagem.

Essas oficinas nunca estiveram tão cheias de serviço como ultimamente. Meus parceiros, por exemplo, dificilmente conseguem atender alguém de imediato e quase sempre precisam agendar o serviço.

Pois é, esse mercado de carros usados está indo muito bem, e o crescimento também se refletiu no meu negócio, que cresceu 9% nos últimos 12 meses, quando comparado com o ano anterior.

Levando em conta que pelo menos os três primeiros meses pós-pandemia foram muito fracos, e que parei com os treinamentos presenciais por motivos óbvios, o meu faturamento tinha tudo para ser menor nesse período, mas o forte interesse no mercado de usados que começou no segundo semestre do ano passado não deixou que isso acontecesse.

Mais interessante ainda foi o crescimento consistente na procura por carros antigos, que foi 31% maior nesse período. Nunca avaliei tantos carros antigos, como agora.

Vale deixar claro, que não tem nada a ver com dificuldade financeira por parte do comprador. Não são casos de pessoas que passaram a precisar de carros velhos e baratos. É o contrário disso, pois são pessoas que, por terem dinheiro sobrando, passam a desejar carros antigos como objetos de coleção, para suprir uma necessidade emocional. Em praticamente todos os casos, são automóveis que serão usados de maneira esporádica, por pura curtição.

O cenário é tão incerto que a vida passou a ganhar outros significados. Parece bizarro imaginar isso, mas aquele sentimento de que a vida é curta e deve ser aproveitada ao máximo tem feito a cabeça de muitos brasileiros nesse período de pandemia. Não é coisa da minha cabeça, pois escuto isso constantemente desses novos compradores de carros antigos. Para eles, esse é o momento para realizar sonhos.

É claro que esse mercado de antigos já existia, principalmente nas mãos de quem ganha dinheiro com isso, mas ele foi aquecido com esses novos compradores.

Até eu entrei nessa, e somei mais três antigos na minha garagem nesse período: dois Tempras (em processo de reforma) e um Escort, se somaram ao já conhecido Maxima.

A seguir, separei alguns dos carros antigos avaliados por mim nesses últimos 12 meses, com a breve história que motivou a compra.

Ford Corcel GT 1975

Ford Corcel - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Esse belo Corcel azul chamou a atenção do Luiz Antônio, morador de Santa Catarina. Ele passou a infância dentro do Corcel do pai. Em junho de 2020 decidiu reviver esses momentos, e o escolhido foi um raro GT 75, versão com apelo esportivo do clássico coupé da Ford.

Chevrolet Kadett GSI conversível 1994

Chevrolet Kadett GSI - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Quando o Daniel me procurou, já tinha um Kadett conversível na garagem, mas não estava satisfeito com o carro. A ideia era comprar outro, em melhor estado de conservação, e depois vender o que já tinha.

Apaixonado pelo modelo, que foi um dos poucos conversíveis nacionais, escolheu esse preto, para substituir seu antigo GSI.

Ford Explorer 1997

Ford Explorer - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

"Foi o melhor carro que tive", essas foram as palavras do Luiz, morador do Rio de Janeiro, que sempre teve bons carros zero-quilômetro e nenhum usado. Um deles foi um Ford Explorer nos anos 90, que infelizmente foi roubado. Em outubro último, ele decidiu resgatar o prazer de ser dono de um Explorer, e escolheu esse verde para ter em sua garagem.

Dodge Dakota R/T 2000

Dodge Dakota - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Não é de hoje que o Eduardo gosta de carros antigos. Tentou restaurar um Corcel, mas desistiu no meio do caminho. Depois teve um Honda Prelude 93 que customizou por inteiro, mas se desinteressou pelo carro depois de pouco tempo.

Em dezembro do ano passado, entendeu que sua necessidade seria suprida com uma boa picape V8, e escolheu essa Dakota branca, dona do último motor V8 produzido no Brasil. Nesse momento, está no processo final de customização.

Chevrolet Diplomata 1987

Chevrolet Diplomata - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O Maurício sempre desejou ter um Opala 6 cilindros na garagem. Sabendo disso, sua esposa Jamile, decidiu presenteá-lo em seu aniversário de 40 anos, que foi no mês passado. O escolhido foi esse Opala Diplomata 87, que eu tive o privilégio de entregar pessoalmente e ajudar na surpresa.