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Vistoria: 7 itens que você precisa observar antes de transferir seu carro

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Imagem: Divulgação
Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

06/08/2020 04h00

Tenho certeza que o leitor já passou por alguma situação em que foi fazer algo burocrático, mas teve que voltar atrás por não ter entendido as "regras do jogo". Com isso, vem o questionamento de "por que não fui avisado antes".

Muitas vezes as regras até estão registradas em algum lugar, mas nem sempre pesquisamos antes de saber.

No caso dos carros, são muitas as dúvidas sobre documentação, principalmente no momento da transferência do veículo. Para essa coluna, me limitarei a escrever sobre a vistoria de transferência, item obrigatório para passar um carro usado do vendedor para o comprador, independentemente de ser Pessoa Física ou Jurídica.

A ideia surgiu nessa semana, quando precisei transferir um carro antigo que comprei. Antes mesmo de levar o carro a uma empresa de vistoria credenciada ao Detran, verifiquei os itens exigidos para o veículo ser aprovado, assim evitaria um possível retrabalho de ter que voltar na vistoriadora depois da solução do problema.

No meu caso, tinha um item a ser corrigido. Só depois de solucionado fui à vistoriadora e tive o já esperado resultado de aprovação.

Não pense que isso aconteceu com esse carro pelo fato de ser antigo. Na verdade, esse tipo de coisa pode acontecer com qualquer um. Portanto, vamos aos pontos que o leitor deve se atentar:

Número do chassi na carroceria

Uma das etapas mais importantes na avaliação de um carro usado é sua documentação. Ele pode estar bonito, bem cuidado e com manutenção em dia, mas se estiver com problemas no documento, o negócio pode ser inviável para o comprador.

Portanto, não hesite em pedir o documento do carro e fazer as checagens necessárias. Com ele em mãos, cheque o número do chassi e veja se bate com o que está no carro. Considere que a marcação não pode ter ferrugem ou estar ilegível.

Desde 1986, o padrão passou a ser de 17 dígitos alfanuméricos, que informam coisas como país de origem e ano do modelo, entre outras informações. Os últimos 6 dígitos são numéricos, e indicam o número de série daquele veículo.

Número do chassi nos vidros

Os últimos 8 dígitos do chassi devem estar grafados em pelo menos seis vidros, ou seja, dois em cada lado, o para-brisa e o vigia traseiro. É comum que um carro tenha um ou mais vidros substituídos ao longo da vida, porém o novo vidro também deve ter a marcação. Foi justamente esse item que precisei corrigir no carro que comprei, pois o vigia traseiro tinha sido substituído, mas não se atentaram em gravar a numeração do chassi.

Vale ressaltar que essa gravação só pode ser feita em um vidro "virgem", ou seja, que nunca tenha tido gravação de chassi. Caso contrário, pode se tratar do vidro de um carro roubado e desmontado. O custo é muito baixo, motivo pelo qual não compreendo a quantidade de motoristas que não fazem isso no momento da troca de um vidro.

Etiquetas ETA

São pequenas etiquetas autodestrutivas que estão em alguns pontos da carroceria do carro. É exigido que tenham pelo menos duas etiquetas, sendo uma no cofre do motor e outra em uma das colunas das portas dianteiras.

Assim como nos vidros, elas possuem os 8 últimos dígitos do chassi. Caso essas etiquetas estejam ausentes, rasgadas ou ilegíveis, é preciso solicitar outras para o fabricante do carro.

Número do motor

Aqui no Estado de São Paulo, esse é um item obrigatório de se ter no documento do carro. Se não tiver, e não são raros os casos que não têm, vai ser preciso incluir. Para isso, é importante conferir se o número que está no documento confere com o que está no bloco do motor.

A má notícia é que nem sempre o acesso a essa numeração é facilmente encontrado. Em alguns modelos, é preciso deslocar peças ou colocar o carro em um elevador de oficina mecânica para poder vê-lo por baixo.

Placas

Estamos em um processo de mudança de placas, em que o padrão conhecido como "Mercosul" já chegou em todos os Estados. Por enquanto, somente carros novos ou usados que passam por transferência precisam ter a nova placa, mas é natural que um dia isso se estenda para toda a frota - tal como foi na última mudança, das placas amarelas para as cinzas.

Sendo assim, não há muito com o que se preocupar sobre a qualidade da placa que está no carro, já que ela deverá ser substituída. Mas, nos poucos casos que o carro a ser transferido já tem a placa nova, vale verificar se elas estão com as letras e números legíveis - caso contrário deverá ser novamente substituída. Quanto ao lacre, eles ficaram para o passado.

Modificações

Em muitos casos, o carro sofre com modificações que fogem do padrão do fabricante e que precisam ser registradas no documento, no campo de observações.

É o caso de motores que foram turbinados, suspensões com mudança de altura, blindagem, carro de colecionador, mudança de cor ou de combustível.

Itens obrigatórios de segurança

Aqui são vários itens que não precisam de explicação, mas sim uma simples checagem no veículo. São eles: pneus e estepe em bom estado (exceção de estepe nos veículos com pneus do tipo runflat), macaco, chave de roda, triângulo, para-brisa sem trincas, palhetas e esguicho do para-brisa.

Completam a lista lentes nos espelhos retrovisores e para-choques em bom estado, rodas que não excedem a largura do carro (passando para fora do paralamas), cintos de segurança para todos os ocupantes, para sol para o motorista, sistema de iluminação sem adaptações e lentes do conjunto ótico em bom estado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL