Topo

Coluna

Caçador de Carros


Câmbios automáticos de Hyundai e Kia são bons ou costumam ter problemas?

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colaboração para o UOL

01/08/2019 07h00

Esta é a terceira e última parte da nossa série sobre os melhores e piores câmbios automáticos do mercado. Depois de analisar as quatro montadoras mais populares (Volkswagen, Fiat, Ford e GM) e o desempenho das marcas japonesas e francesas, chegou a vez de falar sobre as coreanas Hyundai, Kia e SsangYoung, das alemãs Mercedes-Benz, BMW e Audi, dos ingleses Jaguar e Land Rover e da sueca Volvo.

Hyundai

Divulgação
Imagem: Divulgação

Câmbio de 4 marchas: Definitivamente, foram as marcas orientais que iniciaram o processo de popularização dos câmbios automáticos. É verdade que as japonesas, principalmente Honda e Toyota, foram as mais importantes, mas não podemos esquecer da Hyundai, que desde os anos 90 vendia por aqui os pequenos Accent e Atos com opção do câmbio automático.

Voltando a realidade dos carros mais novos, as primeiras gerações de i30 e Tucson, e os HB20 até 2015, usavam câmbio automático de 4 marchas. São todos bons, mas não iguais, já que na Tucson é de um projeto mais antigo. Na rara Tucson com motor V6, requer mais atenção com a manutenção, pois é mais exigido por conta do maior torque do motor. As maiores reclamações são quanto ao alto consumo de combustível desses carros, algo comum nesses câmbios com "poucas" marchas.

Câmbio de 5 marchas: Apenas o Azera até 2010 usou um câmbio de 5 marchas, que nada mais é do que o mesmo da antiga Tucson, com uma marcha a mais, ou seja, câmbio com projeto antigo. No Azera ele vai muito bem, e certamente seria o mais indicado para ser usado na Tucson, principalmente a com motor 6 cilindros.

Câmbio de 6 marchas: O Azera pós-2011 ganhou um novo câmbio de 6 marchas. Além dele, Elantra, Santa Fe, VeraCruz, Veloster, Creta e HB20 pós-2016, também usam câmbios de 6 marchas. Todos vão muito bem com ele, um câmbio robusto com pouco histórico de quebra.

Câmbio de 7 marchas: Esse é do tipo automatizado, ou seja, mecanicamente igual aos câmbios manuais, mas com trocas de marchas automáticas. Com duas embreagens, faz dele um câmbio bem moderno, com ganhos expressivos de dirigibilidade e consumo. Equipa a New Tucson e vai muito bem nela.

Kia Motors

Divulgação
Imagem: Divulgação

Câmbio de 4 marchas: A coreana Kia faz parte do mesmo grupo da Hyundai. Ou seja, nada mais óbvio esperarmos os mesmos câmbios já citados anteriormente. No caso da Kia, o de 4 marchas esteve presente nos modelos Cerato e Sportage até 2010, Carens, Magentis e Soul até 2011. Câmbio bom e funcional nesses carros, mas que ficou para o passado por conta da melhor eficiência do câmbio de 6 marchas.

Somente o pequeno Picanto usou esse câmbio até o fim de sua vida aqui no Brasil. No caso dele, confesso que nunca gostei do casamento desse câmbio com o motor 1.0. Pode até ser bom, mas não é nada agradável de se guiar.

Câmbio de 6 marchas: Todos os atuais automóveis de passeio da Kia Motors usam câmbios automáticos de 6 marchas, incluindo alguns modelos que já saíram de linha. Cerato e Sportage pós-2011, Carnival e Soul pós-2012, Cadenza, Optima e Sorento. A única e rara exceção é o Stinger, com seu câmbio de 8 marchas. Assim como na Hyundai, esse câmbio de 6 marchas é muito bom e atende bem as necessidades desses carros.

SsangYoung

A coreana SsangYoung é bem desconhecida pela maioria das pessoas. Os carros são, no mínimo, exóticos, do ponto de vista estético. Mas esconde algumas qualidades, como alguns modelos com mecânica da tradicionalíssima Mercedes-Benz. Nesses casos, são motores diesel de gerações já aposentadas pela marca alemã, mas que nem por isso deixam de ser bons.

Junto desses motores, ótimos câmbios, que não devem preocupar o dono de um SsangYoung. Porém, o problema está nos modelos à gasolina, onde o câmbio é feito pela própria marca. Nesses casos, o resultado não é dos melhores. É um câmbio que costuma dar manutenção, tem poucas peças no mercado e o custo de reparo é bem alto.

Mercedes-Benz

Divulgação
Imagem: Divulgação

A marca alemã desfruta de uma imagem sólida no mercado, com produtos que atravessam gerações esbanjando qualidade mecânica. Isso se estende aos câmbios, que sempre foram fabricados pela própria marca e são extremamente confiáveis. Uma curiosidade, é a possibilidade de substituir todo o óleo do câmbio de maneira preventiva, sem o uso de máquina própria para isso, já que é possível escoar o óleo velho que fica no conversor de torque.

Porém, tem uma ovelha negra na família Mercedes-Benz, que é o câmbio CVT, utilizado nos modelos da classe B. Esse câmbio apresenta problemas de mecatrônica, e a peça é muito cara para ser substituída. Certamente, é um carro que deve ser evitado.

BMW

Divulgação
Imagem: Divulgação

Assim como sua principal rival citada acima, a também alemã BMW sempre utilizou bons câmbios em seus carros, com destaque para as robustas caixas da marca ZF. Infelizmente, alguns modelos mais novos da série 3 e X1, estão vindo com os mesmos câmbios que foram usados pela Chevrolet no Omega Fittipaldi.

Como eu alertei na primeira parte dessa série de colunas, são câmbios bons, mas com histórico de quebras. Definitivamente, não é um câmbio a altura da BMW.

Audi

Divulgação
Imagem: Divulgação

Uma das marcas de luxo do grupo Volkswagen, compartilha boa parte dos câmbios automáticos com marcas mais humildes do grupo, como a própria VW, a Seat e a Skoda. Portanto, as recomendações dos câmbios de 4, 5 e 6 marchas do tipo automático, e os de 6 e 7 do tipo automatizado de dupla embreagem, seguem as mesmas que citei na primeira parte da coluna.

A exceção é com o câmbio CVT, usado apenas em alguns modelos da Audi. Elogiado pelo conforto, mas que tem histórico de problemas.

Jaguar / Land Rover

As duas marcas inglesas sempre usaram bons câmbios, desde quando eram marcas independentes. Hoje, fazem parte da indiana Tata Motors, algo lamentável pelos puristas. Porém, é inegável que ambas marcas melhoraram nos últimos anos, sinal que os indianos sabem o que estão fazendo.

Isso se estende aos câmbios automáticos, que historicamente sempre tiveram fama de serem robustos. Hoje usam caixas da marca alemã ZF, câmbios ótimos e mais do que adequados aos luxuosos Jaguar e Land Rover.

Volvo

Divulgação
Imagem: Divulgação

Assim como as inglesas acima, a sueca Volvo já não é mais uma marca independente. Hoje pertence a chinesa Geely, que também tem feito um ótimo trabalho com a marca, cada vez mais desejada em todo o mundo. Com relação ao câmbio, usou e usa caixas modernas e robustas em seus carros.

Porém, requer atenção nos carros que usam câmbios automatizados de duas embreagens, que é o caso da XC60 T5 até 2013. Se por um lado esse tipo de câmbio é mais eficiente, por outro ele se mostra frágil para todo o peso do carro. A embreagem tem desgaste prematuro, e a troca é caríssima.

Gostou da série sobre câmbios automáticos? Você também pode assistir ao vídeo com um bate papo bem descontraído com o Breno Borges, dono de uma oficina especializada em câmbios automáticos. Foi dessa conversa que saiu boa parte do conteúdo dessas colunas.

Tabela Fipe

Você sabe quanto variou o preço do seu carro nos últimos meses?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Caçador de Carros