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Acidente da Uber deve atrasar carro autônomo, mas tecnologia vai prevalecer

Uma unidade de um Volvo XC90 autônomo da frota da Uber atropelou com uma mulher na semana passada - Kyodo News/Getty Images
Uma unidade de um Volvo XC90 autônomo da frota da Uber atropelou com uma mulher na semana passada
Imagem: Kyodo News/Getty Images
Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL

27/03/2018 20h45

Ainda é prematuro prever qual será o atraso decorrente do lamentável acidente, mas os realistas acreditam em três anos ou mais

No início deste mês de março, no Salão do Automóvel de Genebra, esse colunista procurou a Audi para saber se já existia estimativa de preço para o sistema autônomo de nível 3 do seu modelo de topo A8, exibido seis meses antes no Salão de Frankfurt.

A resposta foi que o governo alemão ainda não havia liberado o regulamento de homologação, apesar de existir uma legislação prévia desde junho do ano passado. Assim, a precificação continuava pendente. Nível 3 tem limitações como velocidade máxima de 65 km/h e separação física de fluxo e contrafluxo de trânsito.

Menos de 15 dias depois, um Volvo XC90 autônomo de nível 4 operado pela empresa de mobilidade Uber se envolveu em um acidente fatal no Estado do Arizona, EUA. Uma mulher a pé, empurrando uma bicicleta, não foi detectada previamente. Colhida pelo carro a 60 km/h, fora da faixa de pedestres numa avenida da cidade de Tempe, cujo limite era de 70 km/h, resultou em enorme comoção e abriu grande debate sobre segurança dessa tecnologia.

O nível 4 de autonomia, quando chegar ao mercado, libera totalmente o motorista de dirigir ou mesmo supervisionar a condução do veículo. Nos testes, porém, é exigido pelo menos um técnico ao volante. No caso do Uber, a câmera de bordo registrou sua distração. Um segundo técnico ajudava na primeira fase, mas com boa evolução ele foi dispensado. O desenvolvedor toma essa decisão, mas ao que parece o sistema do Uber é o menos confiável de todos.

Google opina

Divisão Waymo, da Google, afirmou que seus algoritmos mais robustos já permitem eliminar qualquer supervisão nos testes e esse acidente não aconteceria. Por outro lado, a fabricante de radar e câmeras Aptiv garante que os equipamentos instalados no XC90 funcionavam perfeitamente. Uber teria desligado a interface original com o carro para utilizar seus próprios controles.

Reação mais dura veio de Keith Crain, dono e editor da respeitada publicação americana Automotive  News. Para ele, testes de tecnologias não maduras fora de campos de prova deveriam ser proibidos. Também questionou a demanda e o preço do equipamento, apesar de reconhecer o enorme potencial de avanço para segurança do trânsito.

Além da Uber, fabricantes como a Toyota decidiram suspender seus testes em ruas e estradas dos EUA. O governo do Arizona, o mais liberal dos estados americanos quanto aos autônomos, anunciou nesta segunda-feira (26) a interrupção das autorizações. Há forte movimento no Congresso dos EUA para regulamentar todo o ecossistema dessa tecnologia, desde testes, homologações, comercialização e, em especial, as responsabilidades sobre eventuais acidentes.

Na realidade, enquanto o NTSB (em inglês, Conselho Nacional de Segurança nos Transportes) não concluir análises independentes, será prematuro prever qual o atraso decorrente do lamentável acidente. Os mais realistas acreditam em três anos ou mais. Afinal, o otimismo se mostrou superior aos problemas reais...

Os clientes também podem desanimar frente ao debate principal: erro humano é mais aceitável que o de máquinas, mesmo essas colaborando para um trânsito mais seguro? Há de se achar aí o meio termo, mas a tecnologia deve prevalecer.

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Roda Viva

Alta Roda
Imagem: Alta Roda
+Conforme adiantado nesse espaço, a Volkswagen confirmou, ao comemorar 65 anos de atividades no Brasil, que o Tiguan mexicano será oferecido em versões de cinco e sete lugares, a partir de abril. No plano de 20 lançamentos este é um dos cinco modelos novos que serão importados. Os outros: Jetta (México), Atlas (EUA) de sete lugares e também sua futura versão de cinco lugares e a terceira geração do Touareg (por encomenda).

+ Honda refinou a quinta geração do SUV médio-compacto  CR-V. Agora vem dos EUA e, assim, um pouco menos competitivo em razão da alíquota de 35% de imposto de importação. Versão única e completa sai por R$ 179.900. Construído sobre arquitetura do Civic tem motor mais forte (190 cv/24,5 kgfm), ótimo espaço interno, assoalho plano e porta-malas de 522 litros.

+ Interior do CR-V foi bem melhorado em termos de materiais e acabamento. Projeção de informações (head-up display) é sobre uma pequena tela de acrílico e não mais no para-brisa. Tração 4x4 ajuda a equilibrar seu comportamento mesmo em estradas asfaltadas. Dois itens especialmente práticos: freio de imobilização elétrico automático e câmera de boa definição no espelho retrovisor direito com comando seletivo ou automático.

+ Ressalva: executiva americana Denise Johnson foi a primeira mulher no comando de um fabricante no Brasil (GM, 2010). Theresa Borsari, da PSA, no entanto, tornou-se primeira brasileira nessa função.