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Reabilitação cardíaca melhora qualidade de vida e diminui mortalidade

Centro de Reabilitação Cardíaca do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, no Ceará - Divulgação
Centro de Reabilitação Cardíaca do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, no Ceará Imagem: Divulgação

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

16/05/2022 04h00

Já está mais do que comprovado que a prática regular de atividade física ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no Brasil. A explicação é que esse hábito reduz a pressão arterial e o colesterol ruim (LDL), melhora a circulação sanguínea e a capacidade cardiorrespiratória, fortalece o músculo cardíaco e ajudar a manter o peso saudável e a controlar o estresse.

Mas você sabia que os exercícios também são essenciais para quem já tem um problema diagnosticado no coração? Neste caso, eles fazem parte de um programa chamado reabilitação cardíaca (ou reabilitação cardiovascular) e podem ser realizados, inclusive, logo após cirurgias e outros procedimentos e iniciados ainda durante a internação no hospital.

O empresário Marcelo Leone, 55, morador de São Paulo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O empresário Marcelo Leone, 55, morador de São Paulo
Imagem: Arquivo pessoal

Pois foi exatamente isso o que aconteceu com o empresário Marcelo Leone, 55, morador de São Paulo. Em fevereiro deste ano, ele sentiu uma dor no peito e, após a realização de alguns exames, como a angiotomografia, descobriu que as veias do seu coração estavam parcialmente bloqueadas.

Leone, então, foi submetido a um cateterismo e à cirurgia cardíaca aberta. Assim que deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), ele iniciou o treinamento físico —todos os procedimentos foram realizados no Hospital Israelita Albert Einstein, que no começo do ano inaugurou, na unidade do Morumbi, na capital paulista, um centro de reabilitação cardíaca para pacientes graves internados.

"No total, fiquei 8 dias internado, e, no terceiro comecei os exercícios, caminhadas na esteira e musculação. De cara já percebi melhoras", conta. "Sigo com a terapia, agora em casa, sob a supervisão de um fisioterapeuta do Einstein, e a cada dia me sinto mais forte", acrescenta.

Outra paciente que faz reabilitação cardíaca é a técnica de enfermagem Suleni Inácio Barbosa, 52. "No final de 2020, comecei a me sentir muito cansada, fraca e a ter falta de ar. Procurei o médico, fiz exames e recebi o diagnóstico de um problema no coração que causa insuficiência cardíaca. Fiquei afastada do trabalho durante alguns meses e, depois, fui encaminhada para o tratamento", relata.

Portadora de miocardiopatia, uma doença que compromete o bombeamento correto de sangue para todo o organismo, ela frequenta o Centro de Reabilitação Cardíaca do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, da rede pública do governo do Ceará, desde janeiro —a previsão é que tenha alta este mês.

"A sessão começa com alongamento, depois faço esteira e exercícios com peso. Com o passar das semanas, o cansaço, a fraqueza e a falta de ar que eu sentia diminuíram muito. Antes, passava quase o dia todo deitada, não conseguia nem lavar louça, mas agora faço tudo normalmente. A reabilitação mudou a minha vida", celebra.

O que é a reabilitação cardíaca

Suleni Inácio Barbosa, 52 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Suleni Inácio Barbosa, 52, na esteira durante exercícios para reabilitação cardíaca
Imagem: Arquivo pessoal

A reabilitação cardíaca é um programa de intervenção personalizado e multidisciplinar. Todas as etapas permeiam o treinamento físico programado, realizado sob a supervisão de médicos, fisioterapeutas e enfermeiros capacitados e com monitoramento cardíaco constante, e agregam estratégias para modificação do estilo de vida, a fim de controlar os fatores de risco cardiovascular, otimização e adesão à terapêutica médica, sessões de educação, informação e suporte psicológico.

A indicação é para pacientes que tiveram um evento cardíaco (infarto agudo do miocárdio, angina instável, cirurgia cardíaca ou transplante cardíaco), pacientes que possuem doença cardíaca crônica, como angina estável, insuficiência cardíaca, cardiopatia congênita e doença das válvulas cardíacas, e pacientes com moderado a alto risco cardiovascular, mas que ainda não apresentaram nenhuma intercorrência.

Este tratamento, de acordo com Raquel Caserta Eid, coordenadora de fisioterapia do Einstein, é dividido em 4 fases, sendo a fase 1 intra-hospitalar e as fases 2 a 4 ambulatoriais. "Ele pode ser realizado antes, durante e após uma internação, e, no geral, visa melhorar a capacidade pulmonar, promover o ganho de músculo, força, equilíbrio e flexibilidade, e, consequentemente, fazer com que o coração funcione com menor esforço", informa a especialista.

Outros benefícios são: controle da pressão arterial e dos níveis de glicose (açúcar) no sangue, aumento da capacidade de exercícios, o que diminui o cansaço durante a execução das atividades do dia a dia, e melhora da autoconfiança e dos quadros de ansiedade e depressão. Além disso, estudos mostram que a sua adoção está associada a um risco reduzido de reinternação e morte.

"Ao ser iniciada antes de uma cirurgia ou transplante, por exemplo, a reabilitação ainda prepara o paciente para o procedimento, visando um melhor desfecho. E, quando realizada durante a internação, faz com que ele se recupere mais rápido —e, portanto, fique menos tempo no hospital—, bem como tenha alta com as melhores condições físicas e psicológicas", complementa Eid.

Programa inclui exercícios aeróbicos e musculação

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Imagem: Getty Images

Para realizar a o tratamento, é preciso que o médico cardiologista faça a solicitação e, antes do início, o paciente passe por uma avaliação. "O padrão ouro é que ele faça um teste cardiopulmonar de esforço (ergoespirometria). Também promovemos consultas com nutricionista e, dependendo do caso, com psicólogo. A partir dos resultados, elaboramos o plano terapêutico com a prescrição das atividades", explica Socorro Quintino, fisioterapeuta responsável pelo programa de reabilitação cardíaca do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes.

Ela acrescenta que o treinamento inclui alongamento, exercícios aeróbicos em bicicleta, esteira ou outro tipo de equipamento, exercícios de força, resistência, fortalecimento muscular e equilíbrio —dependendo do caso, também são necessários exercícios respiratórios.

Na fase 1, realizada ainda durante a internação, as sessões, de cerca de 1 hora, costumam ocorrer todos os dias até que o paciente tenha alta. Já nas fases ambulatoriais, são prescritas de 2 a 3 sessões por semana, também com duração em torno de 1 hora. O programa completo costuma variar entre 12 e 24 semanas.

"A reabilitação cardíaca, quando promovida de forma integrativa, devolve o indivíduo para a sociedade de forma produtiva ou, nos casos mais graves, no mínimo o ajuda a fazer as atividades diárias habituais com mais independência", afirma Quintino. "Este é um tratamento bastante seguro para o cardiopata e com eficácia testada e comprovada em ensaios clínicos controlados e randomizados", finaliza.

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