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Frio na pele causa desde alergia a bolhas e gangrena; veja como se proteger

Árvore congelada em São Joaquim (SC) - Reprodução/Instagram/Prefeitura de São Joaquim (SC)
Árvore congelada em São Joaquim (SC) Imagem: Reprodução/Instagram/Prefeitura de São Joaquim (SC)

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

13/05/2022 04h00

Queda das temperaturas, geada e neve. O cenário lembra o do hemisfério norte no Natal, mas não, é o inverno brasileiro em alguns estados do país.

Mas quanto de frio é preciso para "congelar" alguém? Bom, a pele precisa estar em torno de 0ºC/-0,5ºC para isso ocorrer. Pode variar de horas a dias e depende do tipo de exposição, grau de frio, vestimenta e condição física.

"Mesmo a menos de 15ºC começa a ser preocupante", alerta Carolina Milanez, dermatologista pelo Hospital Heliópolis, em São Paulo. Ainda mais sob vento constante e estando em viagem de moto sem proteção: capacete, jaqueta, calça e luvas quentes.

Pode até não ocorrer congelamento, mas hipotermia, que é outra grande preocupação —e é tanto uma causa como consequência de se morrer de frio. O corpo humano precisa se manter entre 36ºC e 37,4ºC. Acima disso, é febre. Mas, abaixo, também não é nada bom. No começo, a condição desencadeia arrepios, tremores e, sem controle, alucinações e parada cardíaca.

Quando o frio não é tão intenso...

Pedestres enfrentam frio e chuva no centro velho de São Paulo, na tarde desta quinta-feira - Cris Faga/Estadão Conteúdo - Cris Faga/Estadão Conteúdo
Imagem: Cris Faga/Estadão Conteúdo

Algumas partes da pele resfriam, mas não chegam a congelar. Entre os sintomas mais comuns, decorrentes também da desidratação, pois em climas frios o ar é essencialmente seco, estão as alergias, que podem atingir rosto, orelhas e dedos. Esses locais ficam avermelhados, com coceira, às vezes ardor e inchaço, descamação e se não tratados evoluem para lesões e frieiras.

"Crianças podem ter uma condição chamada paniculite (inflamação de áreas de gordura) e algumas doenças como rosácea e psoríase pioram", informa ainda a dermatologista Milanez.

Queimaduras de frio superficiais também são comuns nessa época e deixam a pele sensível, espessa e vincada. Por isso, atenção com banhos quentes e demorados, pois contribuem, somado ao uso de buchas e sabonetes antissépticos, para que a barreira lipídica de proteção da pele (gordura natural) seja retirada, ressecando a pele e causando dermatite atópica.

Já áreas não expostas estão mais protegidas do frio, mas não de seus efeitos indiretos. É o caso dos pés, que se ficarem úmidos/suados envoltos dentro de meias e calçados por vários dias seguidos podem acabar desenvolvendo bolhas, inflamações e micoses. Nesse contexto, as unhas também não são poupadas. Alvos de fungos, podem infeccionar, deformar e até cair.

Trombose, lesão escura, necrose

Amanhecer na cidade de Urupema (SC), em 29 de julho de 2021 - Fom Conradi/Ishoot/Estadão Conteúdo - Fom Conradi/Ishoot/Estadão Conteúdo
Amanhecer na cidade de Urupema (SC), em 29 de julho de 2021
Imagem: Fom Conradi/Ishoot/Estadão Conteúdo

Em condições de frio extremo, propensas ao congelamento, as extremidades do corpo perdem calor depressa. Mãos e pés, especialmente, ficam duros, dormentes e gelados, com aspecto esbranquiçado ou azulado. Sob os tecidos, cristais de gelo estão em formação dentro ou entre as células, o que tende a resultar em bolhas com sangue e cheiro ruim, trombose e até necrose.

"O gênero feminino é mais suscetível às consequências da exposição ao frio, as mãos são menores. Mas condições clínicas preexistentes, como diabetes, hipertensão, doença coronariana, hiperidrose, desordens vasoespásticas e síndrome de Raynaud, de hipersensibilidade ao frio, também são fatores de risco", informa Bonno Van Bellen, angiologista e cirurgião vascular da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O processo de "geladura", se atingir camadas mais profundas, leva à gangrena (a região não recebe sangue, escurece e morre por falta de oxigênio, levando à amputação). Entretanto, descongelar com fonte direta de calor seco (lâmpada, vela) ou fricção não é indicado. Isso porque a pele, dormente e desidratada, torna-se extremamente sensível a queimaduras e lesões. Se houver risco de recongelamento, também se complica mais do que já congelado.

Como evitar danos aos tecidos?

Apontados causas e efeitos, vamos às recomendações. Para se proteger das temperaturas baixas e tudo o que representam, é necessário o uso de roupas apropriadas (de preferência forradas), consumo regular de água, controle de eventuais comorbidades, e tratamentos específicos, tanto para prevenir como impedir o agravamento de danos inicialmente leves.

Exposto (o que é contraindicado) a um frio congelante, é preciso procurar abrigo e se aquecer como puder: casacos, cobertores, bebidas quentes, exercícios e bolsas térmicas. Para não perder calor, isole extremidades e, em imprevistos, utilize para se aquecer folhas de jornal e sacos plásticos.

"Em casos mais intensos [com sinais de geladura], use água morna, entre 37ºC e 39ºC. Se não houver melhora, peça ajuda e atendimento médico de urgência", indica Ricardo Rodrigues, cirurgião vascular e coordenador de cirurgia vascular do Hospital São Marcos, no Recife.

Agora, no dia a dia de um clima frio, mas não insuportável, mantenha a saúde da pele e evite agressões com filtro solar e produtos que melhorem seu pH, com ativos hidratantes e revigorantes (ácido hialurônico, colágeno, antioxidantes) —não se esqueça de lábios e orelhas.

Troque roupas úmidas (que também favorecem hipotermia), deixe de lado o consumo de cigarro e álcool e havendo coceira, inflamação e descamação busque um dermatologista.

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