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Rincón tem traumatismo craniano após acidente de carro; entenda condição

Freddy Rincón utilizou a camisa 8 do Corinthians  - Shaun Botterill /Allsport
Freddy Rincón utilizou a camisa 8 do Corinthians Imagem: Shaun Botterill /Allsport

Do VivaBem*, em São Paulo

11/04/2022 15h44

O ex-jogador Freddy Rincón, ídolo do Corinthians e da seleção colombiana, sofreu traumatismo craniano e está em estado grave após se envolver em um acidente de carro nesta madrugada em Cali, cidade da Colômbia.

"Com autorização prévia dos familiares, relato que Freddy Eusebio Rincón foi internado esta manhã como vítima de traumatismo craniano grave. Suas condições são muito críticas, e por decisão interdisciplinar de toda nossa equipe, ele foi levado para a área do centro cirúrgico. De lá seguirá para a área de terapia intensiva", disse Laureano Quintero, médico do hospital Clínica Imbanaco, onde o jogador está.

O traumatismo craniano é um quadro classificado em três graus diferentes: leve, moderado e grave, de acordo com o impacto que causou o trauma. No caso do mais grave, o risco de morte é iminente, conforme explica Marcelo Valadares, neurocirurgião, médico do Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e pesquisador da disciplina de neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"O cérebro é um órgão muito sensível, por isso um traumatismo craniano pode levar à morte cerebral. Isso é comum em acidentes de trânsito graves envolvendo motos, quando a pessoa é arremessada, atropelamentos, coisas que geram grande impacto e energia na cabeça, porque o cérebro não é feito para suportar isso", diz o especialista.

Um traumatismo leve ocorre, por exemplo, quando uma pessoa cai, bate a cabeça ou leva uma bolada, mas não perde a consciência, não lesiona o cérebro e fica tudo bem. "Se não desmaiou, a gente sabe que se trata de um caso leve, que não quebrou e não sangrou nada. Então, não haverá qualquer problema", diz Valadares.

Já em casos moderados e graves, há sempre a perda da consciência, um claro indicativo de que o cérebro foi lesionado. Algumas situações são comuns nesses quadros como fratura no crânio, lacerações ou cortes na pele e sangramentos (fora ou dentro do cérebro, dentro do crânio, debaixo da pele). A definição do grau de uma lesão depende da avaliação neurológica do paciente.

Como é feito o tratamento?

O paciente que sobrevive a um traumatismo craniano grave deve seguir com o tratamento junto a fisioterapeutas e fonoaudiólogas, por exemplo, entre outros especialistas, de acordo com suas necessidades individuais.

Vale dizer que o paciente pode se recuperar completamente ou parcialmente, tendo sequelas variadas. Valadares lembra, no entanto, que elas, em si, só podem ser diagnosticas depois de um ano do trauma, pois, durante esse período, ainda é possível que o cérebro se recupere.

"A partir do momento que nós achamos que aquela lesão não vai mais se recuperar, daí sim chamamos de sequela, já que é inoperável", diz Valadares, ressaltando que durante os primeiros dias, semanas e até meses não é possível afirmar como o paciente vai ficar após o trauma.

Sempre é necessário fazer uma cirurgia?

Não. O paciente é operado em casos de traumatismo em situações específicas como:

  • Fraturas complexas que precisam ser corrigidas;
  • Quando há sangramentos graves que se não forem removidos podem levar à morte (sendo esse o motivo mais comum para a cirurgia);
  • E ainda para implantar monitores de pressão, que monitoram inchaços na região nos dias seguintes.

"A maior parte dos pacientes que têm traumatismo craniano grave têm sangramentos dentro do crânio ou do cérebro. Esses são casos que precisam de operação e, às vezes, o paciente fica em coma induzido, ou não, por alguns dias em uma UTI", descreve Valadares.

Quais as possíveis sequelas de um traumatismo craniano?

  • Não sair do coma: isso ocorre quando a pessoa tem tantas lesões cerebrais que não consegue mais recobrar a consciência;
  • Sequelas físicas: há casos em que ela recupera a consciência, mas não consegue falar, movimentar-se adequadamente ou se alimentar;
  • Sequelas cognitivas: dificuldade de memória e raciocínio.

Para Valadares, é difícil (não impossível) um paciente ter uma grave lesão cerebral e não ficar com nenhuma sequela. "O paciente que tem um traumatismo craniano grave, muitas vezes, sofre com algum tipo de sequela, seja ela motora ou cognitiva. E, às vezes, ele nunca se recupera completamente", diz.

Valadares cita, ainda, outro ponto importante: há casos em que o traumatismo é leve, mas acontece de forma tão recorrente, que, com o tempo, o cérebro é lesionado e as sequelas acabam surgindo.

"Boxeadores, por exemplo, que levam pancada na cabeça o tempo todo, muitas pessoas, mesmo que nunca tenham desmaiado, acumulam lesões tão pequenas no cérebro que com o passar dos anos acabam tendo problemas. Isso é muito frequente", diz.

Vale dizer que o traumatismo cranioencefálico é considerado a maior causa de morte e incapacidade em todo mundo, principalmente entre adultos jovens, de acordo com uma revisão de estudos. No Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas vivam com sequelas neurológicas decorrentes do quadro.

*Com informações de reportagem publicada em 01/04/22.