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Arnaldo Jabor morre após AVC; hipertensão é o principal fator de risco

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Imagem: Reprodução

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo*

15/02/2022 16h38

O cineasta, escritor, jornalista e analista político Arnaldo Jabor, 81, morreu nesta terça-feira (15), após sofrer complicações de um AVC isquêmico. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 16 de dezembro.

O AVC (Acidente Vascular Cerebral), de forma geral, é a morte de células do cérebro, que acontece pela interrupção do fluxo sanguíneo no órgão. O chamado AVC isquêmico é o mais comum e corresponde entre 80% e 85% dos casos.

Ele ocorre quando há o entupimento de um vaso sanguíneo, devido ao acúmulo de placas de gordura em suas paredes. Ou então quando um coágulo migra para um vaso sanguíneo cerebral e limita o fluxo de sangue, o que vai "matando" as células que não recebem nutrição.

Alguns fatores de risco podem ser modificáveis ao longo da vida, como pressão alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo, uso de drogas, obesidade, sedentarismo e estresse. Mas outros não há como ter controle, como idade (o problema é mais comum em idosos) e gênero (a doença acomete mais homens).

Além disso, fatores genéticos aumentam o risco de AVC, e nesse caso é importante ficar alerta tanto para o histórico familiar de derrame como de outras doenças que elevam seus riscos.

Feres Chaddad, professor de neurocirurgia da Unifesp e chefe da neurocirurgia da BP (A Beneficência Portuguesa de São Paulo), afirma que, entre todos, o principal fator de risco para o AVC é a hipertensão arterial.

"E quanto mais idoso for o paciente, maior é o risco devido ao envelhecimento cerebral e da degeneração das artérias, que faz parte do processo natural do corpo", diz.

O especialista ressalta, ainda, que as consequências de um AVC também podem ser piores em uma pessoa acima dos 60 anos.

Já os sintomas são iguais para homens e mulheres: alterações motoras súbitas, como fraqueza muscular, incoordenação ou incapacidade de movimentar uma parte do corpo —geralmente braço e perna de um lado só do corpo—, e dormência na face, braço ou perna estão entre os sinais mais marcantes da doença.

O paciente ainda pode apresentar dificuldade na fala, conversando de forma devagar e confusa. Alterações sensitivas, como cegueira, mudanças nos níveis de consciência, sonolência e confusão mental também aparecem. São registradas ainda queixas de dor de cabeça repentina, aumento de pressão intracraniana, náuseas e vômitos.

Emergência médica: tempo é crucial

Assim que o AVC ocorre é preciso correr para o hospital. "Tempo é fundamental, quanto mais rápido o atendimento, agilidade e eficiência na admissão e execução dos exames, mais cérebros conseguimos salvar e proteger", disse Fabiano Ruoso, neurocirurgião do ICC (Instituto do Cérebro e Coluna Vertebral) de Gramado (RS).

Em caso de AVC isquêmico, é importante devolver o fluxo de sangue para a região afetada, tentando salvar cada vez mais tecido cerebral. Se o vaso sanguíneo estiver entupido com um coágulo, também pode ser indicado fazer uma trombectomia, quando o médico consegue aspirar esse coágulo e liberar a passagem de sangue.

Após o atendimento inicial, os pacientes precisam ser avaliados individualmente para saber quais áreas do organismo foram afetadas e encontrar os melhores caminhos de reabilitação.

*Com informações de reportagem publicada em 12/10/2021.