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Estudo: fumaça de cigarro prejudica até 3 gerações com gordura corporal

Juanmonino/iStock
Imagem: Juanmonino/iStock

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

25/01/2022 14h09

As bisnetas de homens que começaram a fumar na pré-adolescência são mais propensas a ter excesso de gordura corporal na juventude. É o que sugere um estudo publicado no Scientific Reports, em 21 de janeiro de 2022, mas que teve início na década de 1990.

O estudo indica que a exposição de familiares à fumaça do tabaco pode ter consequências que não são detectadas por gerações inteiras nas famílias.

De acordo com os cientistas, essa é uma das "primeiras demonstrações humanas dos efeitos transgeracionais de uma exposição ambiental ao longo de quatro gerações".

"Se essas associações forem confirmadas em outros conjuntos de dados, este será um dos primeiros estudos em humanos com dados adequados para começar a analisar essas associações e começar a desvendar a origem de relações entre gerações potencialmente importantes", disse o epidemiologista Jean Golding, da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

Em 2014, Golding e outros pesquisadores avaliaram dados do Avon Longitudinal Study of Parents and Children (também conhecido como estudo 'Children of the 90s'), um estudo observacional de mulheres grávidas e suas famílias, que começou no início dos anos 1990 e foi inicialmente liderada por Golding.

A análise dos dados do questionário de 2014 do estudo Children of the 90s revelou que os filhos de pais que começaram a fumar antes dos 11 anos tinham maior probabilidade de ter um índice de massa corporal (IMC) maior na adolescência, com aumento da circunferência média da cintura e massa gorda de corpo inteiro.

Na época, Golding e seus coautores escreveram que aquele foi um exemplo raro de um sinal transgeracional não genético herdado por descendentes humanos. Dessa vez, a análise dos dados revelou que o fenômeno se estendeu por mais gerações, e não apenas de pai para filho, mas também de avôs para netas e de bisavô para bisnetas.

Estudo avançou

"Agora mostramos que, se o avô paterno começou a fumar na pré-puberdade —menores de 13 anos—, em comparação com mais tarde na infância — entre 13 e 16 anos—, suas netas, mas não netos, tiveram evidência de excesso de massa gorda em duas idades, 17 e 24 anos", explicaram os pesquisadores.

Para eles, um efeito semelhante pode ser visto mesmo quando as gerações intermediárias não fumam regularmente com menos de 13 anos de idade, evidenciando um efeito transgeracional ao longo de quatro gerações.

"Antes da puberdade, a exposição de um menino a substâncias específicas pode ter um efeito sobre as gerações que o seguem", diz Golding , observando que uma das conclusões importantes da descoberta são as implicações que isso tem para nossa compreensão da saúde das pessoas hoje e como ela pode ser moldada por influências invisíveis.

O objetivo do estudo é, entre outros, desvendar as causas de sobrepeso que não tem relação direta com a alimentação. "Uma das razões pelas quais as crianças ficam acima do peso pode não ter tanto a ver com sua dieta e exercícios atuais, mas com o estilo de vida de seus ancestrais ou a persistência de fatores associados ao longo dos anos", sugeriram os autores em seu artigo.

Por que são necessários mais estudos?

A pesquisa apresenta algumas limitações, como a ausência de conhecimento dos participantes em relação ao estilo de vida de seus familiares. É possível, também, que isso seja apenas uma correlação, não um efeito causado, exclusivamente, pela exposição à fumaça do tabaco.

"Vale ressaltar que as associações indicadas estão relacionadas à obesidade; é geralmente reconhecido que a obesidade é um distúrbio complexo causado pela interação de fatores genéticos, epigenéticos e ambientais", destacaram os pesquisadores. "No entanto, antes que as hipóteses sejam geradas sobre os mecanismos pelos quais os efeitos que mostramos podem ter ocorrido, é importante buscar evidências confirmatórias de outros estudos", concluem.

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