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Reposição hormonal melhora a qualidade de vida, mas não é para toda mulher

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

05/11/2021 04h00

Ao alcançarem o final dos 40 anos, muitas mulheres estão no auge de suas carreiras e da vida privada, mas passam a observar em si os típicos sintomas que marcam o fim do período reprodutivo.

Quando a menopausa chega, a carga de hormônio feminino decai, inicia-se uma fase de adaptação, e o resultado são os famosos e intensos calor e sudorese (fogachos), insônia, oscilação de humor, além da síndrome geniturinária, que inclui a secura vaginal.

A solução médica para esses incômodos é a terapia hormonal da menopausa (TH), estratégia que uma pesquisa realizada pela Libbs Farmacêutica e o UOL AD_LAB mostrou ser conhecida pela maioria das mulheres das classes A, B e C de todo o Brasil, com idades entre 45 e 60 anos: 90% já ouviram falar. Apesar disso, 85% das 500 mulheres avaliadas nunca haviam se submetido ao tratamento, e esse percentual foi ainda maior na classe C, correspondendo a 91%.

Entre as participantes com idades entre 50 e 60 anos, além da ausência de necessidade (63%), o medo de ter reações adversas foi um motivo muito alegado para não fazer o tratamento. E esse medo foi criado por experiências relatadas pelas amigas e informações obtidas na internet (nem sempre de fontes confiáveis), o que mostrou haver falta de conhecimento sobre os reais benefícios e riscos da reposição hormonal.

Segundo a pesquisa, entre as que fizeram a terapia de reposição hormonal e pararam, 42% disseram que atingiram o objetivo de melhorar os sintomas da menopausa e 34% tiveram complicações de saúde.

VivaBem consultou especialistas para esclarecer de vez as dúvidas mais comuns e o que é mito e o que é verdade sobre a terapia hormonal da menopausa. Confira a seguir.

Mulher triste preocupada menopausa - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
  • "Essa terapia não é para todas as mulheres"

Verdade. As principais indicações são quando a pessoa apresenta sintomas climatéricos, manifestações atróficas urogenitais e na prevenção da osteoporose, que podem aparecer na mulher brasileira por volta dos 48 anos. A terapia também é útil na menopausa precoce (antes dos 40 anos).

O médico deve considerar os riscos e benefícios do tratamento para cada pessoa, a partir dos seguintes critérios: ausência de contraindicações [suspeita e histórico de câncer de mama ou de útero, trombose venosa ou embolia pulmonar, problemas de coagulação, doenças cardiovasculares, como AVC, ou enfermidades do fígado], e tempestividade —ela deve ser iniciada dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa. A explicação é de Larissa Garcia Gomes, endocrinologista e diretora da SBEM.

  • "Ela é útil só quando os sintomas são graves"

Parcialmente verdadeiro. A pesquisa Libbs-UOL mostrou que a percepção de 81% das mulheres é que o tipo e a intensidade dos sintomas é que definirão a necessidade da terapia hormonal. De fato, algumas pessoas terão poucos sintomas, mas eles serão intensos e insuportáveis; outras poderão apresentar até mais sintomas, porém, eles não incomodarão.

"Na hora da indicação, o médico deve se guiar pela presença dos demais requisitos para a terapia, mas também deve considerar o impacto dos sintomas na qualidade de vida de cada paciente", observa a ginecologista Raquel Autran, professora da UFC (Universidade Federal do Ceará).

  • "Todos os tratamentos são iguais"

Mito. A depender dos sintomas, o tratamento pode ser sistêmico (age no corpo todo) ou local (atua só na região genital). A terapia sistêmica é considerada a verdadeira terapia hormonal, deve ser adequada ao perfil da paciente e combinará tipos diferentes de estrogênio, tal como o estradiol —hormônio idêntico ao que o ovário produz.

Nesses casos, a via de administração pode ser oral (comprimidos) ou tópica (géis e adesivos). Detalhe: mulheres que não têm útero recebem apenas o estrogênio. Já as que possuem o órgão devem receber um hormônio para sua proteção, o progestagênio (hormônio da família do progesterona). Outras substâncias utilizadas são a tibolona e a testosterona, em doses compatíveis com o organismo feminino.

  • "Aumenta o risco de ter câncer de mama"
Seios, peitos, mamas, fibroadenoma, autoexame, câncer de mama - iStock - iStock
Imagem: iStock

Parcialmente verdadeiro. Enquanto 33% das mulheres que participaram da pesquisa manifestaram preocupação com o câncer, 47% mostraram não ter opinião formada sobre a o assunto. O ginecologista Luciano de Melo Pompei, presidente da Comissão de Climatério da Febrasgo, afirma que, na verdade, a terapia hormonal, de modo geral, aumenta o risco para o câncer de mama. Apesar disso, quando respeitados os critérios de sua indicação, o tratamento oferece mais benefícios do que riscos para a maioria das mulheres.

Ele explica que um estudo chamado Womens Health Initiative, realizado há quase 20 anos, mostrou um pequeno aumento do risco para esse tumor, mas também identificou redução de outros, como o do intestino grosso e endométrio.

"E quando comparamos todas as doenças [inclusive a obesidade], observamos redução da mortalidade global. Uma coisa é olhar uma única doença; outra, é focar na saúde como um todo, incluindo o benefício da qualidade de vida", completa o médico.

  • "Essa terapia engorda"

Mito. Para 31% das mulheres que responderam a pesquisa Libbs-UOL, a terapia hormonal tem esse efeito, o que os médicos consultados confirmam ser uma preocupação comum. No entanto, ganhar peso com o passar dos anos é condição esperada no processo de envelhecimento.

Uma vez alcançado o marco da menopausa, sem grande quantidade de hormônio feminino, a distribuição da gordura muda e passa a ser mais visceral. Esse evento favorece o ganho de peso, sim, mas ao contrário do que se pensa, a terapia ajuda a frear seu avanço.

  • "Posso ter câncer de ovário ou útero"
Ilustração mostra tumor no ovário, câncer de ovário - iStock - iStock
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Parcialmente verdadeiro. Para quem tem o útero preservado, o uso do estradiol, o principal hormônio feminino, potencializa o surgimento do tumor de endométrio, tecido que recobre o útero. Para protegê-lo, é regra adicionar à terapia hormonal um antídoto —a progesterona ou progestagênio.

Já quanto ao câncer de ovário, muito mais raro, o aumento do risco já foi descrito pela literatura médica: para cada mil mulheres com mais de 50 anos e sob tratamento pelo período de 5 anos, o risco é de 1 caso a mais, o que é considerado baixíssimo.

  • "Aumenta o risco de ter doenças de coração e AVC"

Parcialmente verdadeiro. Ao envelhecermos, as paredes das artérias vão se tornando mais espessas e perdendo elasticidade. Durante a menopausa, esse processo se acelera. Talvez isso explique por que 33% das mulheres que responderam à pesquisa demonstraram receio da influência da terapia hormonal na saúde cardiovascular.

Mas, de acordo com Rui Alberto Ferriani, ginecologista e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a terapia hormonal pode ser protetora —desde que iniciada nos primeiros 10 anos da menopausa. Esse período de tempo é chamado pelos médicos de janela de oportunidade. "Se esse momento passar, a proteção desaparece e aí ela torna-se um risco", acrescenta o especialista.

  • "Menopausa é uma fase natural da vida. É preciso conviver com seus efeitos"

Parcialmente verdadeiro. Sim, é uma fase natural, mas de adaptação. A terapia hormonal serve de apoio nessa fase crítica e deve ser dirigida a sintomas específicos, de forma individualizada, fala a endocrinologista Lorena Lima Amato, professora do curso de medicina da Uninove. Entre as participantes da pesquisa Libbs-UOL que fazem tratamento, o calor e a sudorese foram os sintomas mais citados como motivo (61%).

Também entre as que fazem terapia de reposição, 54% sentiram muita melhora dos sintomas e 69% não sentiram inconvenientes ou efeito colateral durante o tratamento.

"A mulher pode estar sofrendo com fogachos, perda urinária, insônia etc. e precisa saber que não é preciso passar por isso. Muitas seguem assim por mero preconceito e desinformação."

Fontes: Larissa Garcia Gomes, endocrinologista e diretora da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e membro da SBEM-SP (Regional São Paulo); Lorena Lima Amato, endocrinologista com doutorado pela USP (Universidade de São Paulo), membro da SBEM e professora da Universidade Nove de Julho; Luciano de Melo Pompei, ginecologista e professor livre-docente da disciplina de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC e presidente da Comissão de Climatério da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia); Raquel Autran, ginecologista, professora associada da UFC (Universidade Federal do Ceará), chefe do Setor de Saúde da Mulher da MEAC (Maternidade Escola Assis Chateaubriand), que integra a rede Ebserh; Rui Alberto Ferriani, ginecologista e professor titular da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo). Revisão médica: Luciano de Melo Pompei.

Referências: Luciano Melo Pompei, Rogério Bonassi-Machado, Marcelo Luis Steiner, Isabella Melo Pompei, Nilson Roberto de Melo, César Eduardo Fernandes. Perfil da mulher climatérica brasileira: um estudo de âmbito nacional. 59º CBGO - Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, 2021; Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal da Menopausa da Sobrac (Associação Brasileira de Climatério), 2018; Harper-Harrison G, Shanahan MM. Hormone Replacement Therapy. [Atualizado em 2021 Jun 3]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK493191/; Chlebowski RT, Anderson GL, Aragaki AK, Manson JE, Stefanick ML, Pan K, Barrington W, Kuller LH, Simon MS, Lane D, Johnson KC, Rohan TE, Gass MLS, Cauley JA, Paskett ED, Sattari M, Prentice RL. Association of Menopausal Hormone Therapy With Breast Cancer Incidence and Mortality During Long-term Follow-up of the Women's Health Initiative Randomized Clinical Trials. JAMA. 2020 Jul 28;324(4):369-380. doi: 10.1001/jama.2020.9482. PMID: 32721007; PMCID: PMC7388026.

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