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Tia Má chora ao falar de braquidactilia; condição deixa dedos encurtados

Tia Má chorou ao desabafar sobre braquidactilia - Reprodução/Instagram @tiamaoficial
Tia Má chorou ao desabafar sobre braquidactilia Imagem: Reprodução/Instagram @tiamaoficial

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

30/07/2021 16h33

Nesta quinta-feira (29), Tia Má, ativista da luta antirracista, postou um vídeo contando sobre o diagnóstico de braquidactilia, uma condição genética que causa a má-formação dos ossos das mãos ou dos pés. Em um longo desabafo, ela falou que "escondeu os pés para evitar que as pessoas vissem a 'deformidade' do corpo".

"E a minha 'vergonha' era muito mais por medo da perversidade alheia, do que por falta de aceitação. Tem sempre alguém olhando com espanto, com nojo, ou achando estranho!", escreveu na publicação no Instagram.

Depois, Tia Má disse que "paralisou" durante um trabalho, mas contou com o apoio de um diretor "super sensível", e compartilhou mais reflexões sobre a condição que faz com os dedos das mãos e/ou dos pés fiquem "encurtados".

"Meus dedos curtos, com tamanhos desproporcionais e amontoados, é a minha marca, meu sinal. Que parem de fazer piada com quem tem essa condição porque pode parecer bobagem, mas tira da gente oportunidades, por medo de sofrer rejeição!", relatou.

O que é a braquidactilia?

É uma condição congênita, ou seja, a pessoa já nasce com a braquidactilia — que não oferece nenhum risco à saúde. "Já é visível no nascimento, mas ela vai perpetuando e ficando mais nítida com o desenvolvimento do corpo porque os outros ossos vão crescendo, naturalmente, e aquele osso específico não. A diferença vai ficando mais evidente", explica Antônio Veiga Sanhudo, presidente da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé).

No pé, por exemplo, este encurtamento pode atingir os ossos da região do metatarso (região do "meio" do pé) que, segundo Sanhudo, é o mais comum, ou também os ossos da falange (área "acima" dos metatarsos), que deixa o dedo com uma aparência menor.

Nas mãos, a condição atinge geralmente a região no metacarpo (a parte do "meio" da mão), mas também pode acometer as falanges ou os dois.

Tanto nas mãos quanto nos pés, os dedos podem desviar-se para os lados — isso pode causar um incômodo principalmente na hora de calçar um sapato. Em casos mais raros, quando acompanhada de outras síndromes, os dedos podem nascer menores e grudados.

Mas de uma forma geral, essa má-formação congênita não traz prejuízos funcionais nos membros. O que costuma acontecer, segundo os especialistas, é uma queixa dos pacientes em relação à estética.

Há tratamento para braquidactilia?

Não, pois a condição não causa comprometimentos funcionais na maioria das vezes. E dá para operar? "Na grande maioria, a gente não indica a cirurgia porque, geralmente, a função da mão é normal", afirma Fernanda Rocha, ortopedista especialista cirurgia da mão do Hospital Orthoservice, em São José dos Campos (SP). De acordo com ela, um procedimento desse resultaria em diversas cicatrizes.

"O paciente vai trocar esses dedos mais encurtados por uma mão com muitas cicatrizes. Na mão, não fazemos cirurgias estéticas, apenas se ocorrer perda de função — o que a maioria não tem", explica. Rocha conta que algumas pacientes costumam colocar alongamento de unhas quando a má-formação do osso atinge a falange distal, localizada exatamente na parte da unha.

Nos pés, a indicação não altera muito. Segundo o presidente da ABTPé, a cirurgia pode até ser feita, dependendo do caso, mas é necessário que o paciente entenda os riscos e encontre um bom profissional.

"Toda cirurgia é um trauma. Há corte, há bisturi. Pode ser que apareçam dores depois de seis meses ou 1 ano. Não é o esperado, mas pode acontecer", explica o especialista.

"O médico tem que ter empatia para entender o incômodo do paciente. Uma coisa que sempre usamos para aliviar é citar a história do Nemo [do filme "Procurando Nemo"], que tem uma nadadeira menor e dá sorte para ele, sem causar problema nenhum."

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