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É verdade que tomar vento após banho quente faz o rosto paralisar?

Priscila Barbosa
Imagem: Priscila Barbosa

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

23/06/2021 04h00

Provavelmente você já deve ter ouvido para não tomar vento após um banho quente porque poderia causar uma paralisia em seu rosto. Só que isso não passa de um mito.

A explicação está no fato de que o controle dos músculos do rosto é realizado por meio de um circuito que leva informações desde o cérebro, passando pelos nervos até os músculos.

"Nosso corpo tem um sistema termorregulador que mantém a temperatura estável mesmo se houver variação da temperatura do ambiente", diz Anna Paula Paranhos, neurologista especialista em doenças neuromusculares, preceptora da residência de neurologia do HC-UFPE (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco).

"Os termorreceptores centrais e periféricos 'avisam' o nosso cérebro que a temperatura está baixa ou alta levando a respostas compensatórias do organismo para manter uma temperatura corporal adequada. Embora essa crença seja antiga, não há nenhuma evidência científica que a justifique", afirma Paranhos.

A paralisia facial periférica (PFP) é um distúrbio marcado pelo enfraquecimento ou paralisia dos músculos de um dos lados do rosto. Ela se instala em virtude de uma reação inflamatória envolvendo o nervo facial (sétimo nervo craniano).

"Vários fatores podem causar a PFP, entre eles, doenças infectocontagiosas decorrentes de vírus ou bactérias, estresse e baixa imunidade", explica João Jovino da Silva Neto, otorrinolaringologista, mestre em ciências da saúde e professor de otorrinolaringologia do Centro Universitário Maurício de Nassau, em Pernambuco.

Possivelmente essa crença existe porque a paralisia facial pode ser antecedida por um quadro gripal, o que pode gerar uma confusão com a ação de tomar vento após o banho.

"Geralmente, o vírus da herpes simples fica latente, 'dormindo' em cima do nervo facial. Quando há uma queda de imunidade, como um resfriado por exemplo, há a ativação desse vírus e ele se manifesta no nervo, causando uma inflamação e fazendo o nervo perder sua função momentaneamente", explica Bruno Takegawa, otorrinolaringologista do Hospital e Maternidade Brasil, do Hospital Oswaldo Cruz e assistente voluntário de ensino no Ambulatório de Otorrinolaringologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

No inverno, com a maior incidência de gripes e resfriados, tomamos banhos mais quentes e inevitavelmente saímos do banheiro quentinho para um ambiente mais frio. "Uma pessoa resfriada pode estar mais suscetível a ter a paralisia facial devido ao quadro gripal, e não por causa do vento após o banho ou choque térmico", acrescenta Takegawa.

Embora não haja relação da friagem com a paralisia facial, a variação brusca de temperatura pode provocar alteração na pressão arterial em decorrência da constrição dos vasos sanguíneos de forma rápida, e também irritação das vias aéreas, causando espirros, ardor na garganta e coriza.

Tipos de paralisias faciais

As principais formas de paralisia no rosto são a paralisia facial central —decorrente de um AVC, por exemplo—, e a paralisia facial periférica (paralisia de Bell).

No AVC há lesão dos neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários do rosto.

Já na paralisia de Bell ocorre por uma inflamação do nervo facial, que paralisa os músculos do rosto e pode comprometer todos os movimentos. O paciente apresenta dificuldade para fechar o olho do lado acometido, dificuldade para fazer bico e outras expressões faciais.

A boca fica torta com desvio para o lado não paralisado. Pode haver também dores no rosto, dores de cabeça, zumbido no ouvido do lado acometido, salivação em excesso e dificuldade para falar e se alimentar.

Na maioria dos casos, a fraqueza é temporária, com melhora total ou parcial após algumas semanas, mas também pode ser irreversível dependendo da causa.