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Nicolelis prevê que Brasil passará EUA em número de mortos por covid-19

Nicolelis: "Em janeiro eu alertei que se não fizéssemos um lockdown nacional, nós teríamos dificuldade de enterrar nossos mortos" - Bruno Santos/Folhapress
Nicolelis: 'Em janeiro eu alertei que se não fizéssemos um lockdown nacional, nós teríamos dificuldade de enterrar nossos mortos' Imagem: Bruno Santos/Folhapress

Colaboração para o VivaBem

18/06/2021 09h22Atualizada em 18/06/2021 11h48

Com o Brasil prestar a superar a marca de 500 mil mortos por covid-19, o médico, neurocientista e professor da Universidade Duke Miguel Nicolelis lamentou a situação nacional em entrevista ao jornal O Globo. Em março, a previsão de Nicolelis era que o país registraria a marca de meio milhão de óbitos pela doença em 19 de julho.

Ao todo, o país já tem 496.172 óbitos desde o início da pandemia, segundo dados obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de saúde.

"Vamos passar os EUA e ser o país com o maior número de mortes por covid no mundo, apesar de termos uma população menor", disse o médico. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos registram 600.935 óbitos.

Ele também chama atenção para o rápido aumento da taxa de vítimas do coronavírus. "Em janeiro eu alertei que se não fizéssemos um lockdown nacional, nós teríamos dificuldade de enterrar nossos mortos. E olha o que aconteceu, fomos de 250 mil para 500 mil em quatro meses", falou.

Além disso, Nicolelis trouxe dados de 2020: "No dia 15 de junho do ano passado, nós tínhamos cerca de 50 mil mortos, e, nos próximos dias, vamos atingir 500 mil". O aumento em praticamente dez vezes no número de óbitos mostra, para o médico, que a pandemia não foi tratada com a "seriedade e gravidade" que é necessária.

O neurocientista atribui o sucesso de controle da pandemia nos Estados Unidos à vacinação. O país conseguiu imunizar completamente 44% da população, enquanto o Brasil tem apenas 11,37% dos habitantes com duas doses de vacina contra a doença.

O governo federal conseguiu não fazer nada eficientemente, não tomou as decisões corretas, não criou um comando central, uma mensagem nacional, não fez um lockdown nacional, não fez um bloqueio das estradas nem fechou o espaço aéreo e ainda não conseguiu vacinar nos níveis necessários.
Miguel Nicolelis

Nesse cenário, Nicolelis apontou que os hospitais nunca se recuperaram da segunda onda de covid-19, que aconteceu poucos meses atrás. Ainda faltam leitos mas não há onde colocá-los, insumos estão fora de estoque, as UTIs de várias capitais estão quase totalmente ocupadas e as equipes estão desgastadas. Além disso, novas variantes entraram no Brasil e o país está sediando uma competição internacional.

"E, no meio de tudo isso, o Brasil joga futebol. A Copa América já tem mais de 50 pessoas infectadas, só as diretamente envolvidas", disse. "É uma marca terrível sem uma luz no fim do túnel", completou. Segundo o médico, a terceira onda da doença já é realidade e tem potencial para ser tão letal quanto a segunda.

Com o inverno, com o relaxamento do isolamento, o não crescimento adequado da aplicação da segunda dose da vacina, a gente possa voltar aos níveis que tivemos em março nas próximas semanas, ou então chegar bem perto disso. É como se o Brasil tivesse desistido de combater a pandemia neste momento
Miguel Nicolelis

Para realmente combater o coronavírus, Nicolelis afirma que a vacinação nacional teria que contemplar diariamente entre 2 e 3 milhões de pessoas. É preciso também reduzir a quantidade de cidadãos viajando, especialmente os que vêm de países com variantes novas. "E temos que achar uma solução política para remover um governo que se negou a fazer tudo o que era preciso ser feito", falou. "Daqui a 50 anos, quando a pandemia for contada na História do Brasil, ninguém vai acreditar", disse o médico.

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