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10 razões para você não ignorar uma dor de cabeça que não passa

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Imagem: Getty Images

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

21/05/2021 04h00

A dor de cabeça é um desconforto que atinge pelo menos 70% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia. Por ser um problema tão comum, muitas pessoas ignoram o incômodo até mesmo quando ele dura dias e semanas, mas fica um alerta importante: não faça isso.

A dor de cabeça, que geralmente é causada por problemas "simples", como resfriado, estresse, má alimentação ou uma noite mal dormida, também pode ser sinal de doenças graves. A seguir, conheça 10 doenças com esse sintoma.

  • Diabetes

Pessoa medindo glicemia, diabetes - iStock - iStock
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Um dos sintomas do controle inadequado da glicose (seja ela alta ou baixa) pode ser a dor de cabeça, uma vez que situações que causam desequilíbrio no perfeito funcionamento do organismo podem causar esse tipo de dor.

O principal alimento para as células cerebrais é o açúcar, os carboidratos. O diabético vive em estado constante de excesso de açúcar no sangue, o que sobrecarrega o metabolismo cerebral. Além disso, pessoas com diabetes podem ter neuropatias cranianas, as quais eventualmente cursam com dores de cabeça.

Manter os níveis de glicose controlados ajuda no controle da dor.

  • Pressão alta

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A hipertensão provoca a dilatação dos vasos intracranianos, essa dilatação distende as terminações nervosas livres existentes nas paredes desses vasos, gerando a sensação de dor.

Uma doença rara, chamada feocromocitoma, pode causar dor de cabeça tanto pela hipertensão arterial quanto por causar níveis elevados de catecolaminas circulantes (como a adrenalina). Vale ressaltar que a própria dor de cabeça pode fazer a pressão subir por causa do desconforto.

  • Fibromialgia

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A fibromialgia é uma condição de causa desconhecida caracterizada por pontos musculares dolorosos disseminados pelo corpo associados a quadros emocionais. Tem como sintomas: fadiga, sono não reparador, dificuldade de concentração e dor crônica generalizada.

As dores de cabeça que mais frequentemente ocorrem associadas à fibromialgia são a enxaqueca crônica, a dor de cabeça associada à insônia e as dores da musculatura pericranial e da face, relacionadas à sensibilização dessas estruturas.

Quem sofre da doença tem uma interpretação errada dos estímulos no cérebro, o cérebro pode interpretar o toque como dor. É como se o alarme de dor cerebral disparasse de forma inadequada.

  • Meningite

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Meningite é uma inflamação das meninges cerebrais, que são as membranas que envolvem o cérebro. Ela pode ser viral, bacteriana, fúngica, química ou neoplásica. Durante o processo inflamatório, ocorre a liberação de substâncias que vão ativar os terminais dolorosos das meninges e dos vasos sanguíneos e determinar dor de cabeça.

A distensão das meninges e o aumento da pressão dentro do crânio também podem contribuir para a sensação de dor.

Como a membrana está inflamada, qualquer movimento causa muita dor de cabeça, principalmente movimento de flexão do pescoço. Geralmente a dor vem acompanhada de febre e vômitos.

  • Sinusite e rinite

Sinusite, inflamação seios da face - iStock - iStock
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Assim como na meningite, o processo inflamatório e infeccioso da sinusite e da rinite ocorre dentro de uma cavidade limitada e pouco distensível. A inflamação, o estiramento de tecidos, e o aumento da pressão dentro dos seios paranasais ativam as terminações nervosas livres, o que resulta na dor de cabeça.

Como os seios paranasais estão interligados pela mesma cadeia de nervos cranianos, a dor pode se alastrar para outras regiões da cabeça. Pode também acometer a face junto com uma sensação de peso no rosto.

  • Hidrocefalia

A hidrocefalia é um aumento da pressão intracraniana devido à hipertensão do líquor, também conhecido como líquido cefalorraquidiano e que cumpre a função de proteger o tecido nervoso dos impactos. Esse aumento de pressão distende a dura-máter, que é a membrana mais externa e próxima à pele, causando dor.

A dor é holocraniana, se espalha por todo o crânio, é persistente, melhora pouco com remédios, e pode piorar quando o indivíduo deita por aumento da pressão intracraniana. Pode vir acompanhada de sintomas como sonolência, náuseas, vômitos e dificuldades visuais.

  • Tumor cerebral

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A dor de cabeça é um sintoma frequente em casos de tumores cerebrais. O tumor causa um aumento da pressão dentro do crânio, gerando uma dor de cabeça difusa, que piora ao acordar ou ao baixar a cabeça (a cabeça mais baixa dificulta a drenagem do sangue do cérebro, levando a um aumento da pressão intracraniana).

Geralmente a dor pode se associar a fraqueza em um lado do corpo e crise convulsiva. Em pacientes que tenham história de tumores em outras partes do corpo que não a cabeça, uma dor de cabeça nova pode sinalizar a existência de uma metástase secundária a este tumor.

  • MAV (Malformação Arteriovenosa Cerebral)

MAV é um emaranhado de artérias e veias no cérebro ocasionado por um defeito de formação ainda no útero.

Na MAV, o sangue passa de um sistema de alta pressão, como as artérias, diretamente para um sistema de baixa pressão, como as veias. Esta diferença de pressão pode causar ruptura das veias causando hemorragias (AVC hemorrágico). Essas hemorragias podem causar dor de cabeça por irritação direta e distensão dos terminais dolorosos como também pelo aumento da pressão dentro do crânio.

  • AVC (Acidente Vascular Cerebral)

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Os AVCs por hemorragias subaracnóideas, causados por ruptura de aneurismas (que são dilatações ou "sacos" que se formam na parede de artérias) são as principais dores de cabeça ligadas a um AVC.

Caracterizam-se por serem abruptas, atingindo intensidade máxima dentro do primeiro minuto de ocorrência em um indivíduo sem dor de cabeça prévia ou com dores de cabeça prévias diferentes desta. Ela pode se manifestar com sonolência, dificuldade na fala ou dificuldade motora.

Ao apresentar um quadro como esse é importante que a pessoa procure o pronto-atendimento para ter a condição diagnosticada antes de um agravamento ou de nova ruptura, que pode ter consequências trágicas.

Fontes: Pedro André Kowacs, coordenador do Setor de Cefaleias do Serviço de Neurologia do HC-UFPR (Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná), coordenador da residência na área de atuação - dor - do Serviço de Neurologia do HC-UFPR, chefe do serviço de neurologia do Instituto de Neurologia de Curitiba e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia; Igor Bruscky, neurologista, professor de neurologia do UNINASSAU (Centro Universitário Maurício de Nassau), em Pernambuco, e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia; e Feres Chaddad, professor e chefe da disciplina de neurocirurgia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador da neurocirurgia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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