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Entenda por que fragrâncias podem causar alergias e dor de cabeça

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

14/04/2020 04h00

Muita gente gosta de ficar cheirosa, seja com perfume, hidratante, óleo corporal ou desodorante. Porém, há quem tenha aversão a fragrâncias, geralmente porque têm alergia, ou por que elas causam dor de cabeça e, se a pessoa for sensível em termos de pele, pode ainda desenvolver alguma reação irritativa ao entrar em contato com esses produtos. Mas por que isso pode acontecer?

Segundo Fausto Nakandakari, otorrinolaringologista do Hospital Sírio Libanês (SP), no que compete ao nariz, quando se inala alguma substância com cheiro forte e persistente, o organismo acaba liberando células inflamatórias que geram a reação alérgica, o que explica os sintomas de coceira nas mucosas, espirros frequentes, coriza e obstrução nasal.

Questionado se fragrâncias mais fortes poderiam levar à diminuição ou até mesmo à perda de olfato, o médico assegura que não de forma direta e que o cérebro também pode ser responsável por esses sintomas.

"A priori, elas não levam à lesão do nervo olfatório. As principais causas são doenças, como sinusite aguda e rinite alérgica [que pode ser desencadeada por perfumes], mas o cérebro também tem a capacidade de inibir e ignorar os cheiros que aplicamos, principalmente quando usados por muito tempo, parecendo que eles não têm a mesma intensidade de antes", explica.

Quanto à dor de cabeça que, em casos mais graves, pode evoluir para uma enxaqueca acompanhada de náuseas, tontura, sensibilidade à luz e vômito em algumas pessoas, a explicação é que os odores geralmente muito intensos e aplicados em excesso, ao serem assimilados pelas células olfativas podem estimular a liberação de neurotransmissores e substâncias que dilatam os vasos sanguíneos cerebrais e desencadeiam esse quadro.

"O nariz possui terminações nervosas que se conectam com a via cerebral, que é a grande responsável pelo processo inflamatório inicial desses vasos. Geneticamente, algumas pessoas também podem ser mais suscetíveis a ter hipersensibilidade a determinados tipos de cheiros", afirma Aline Turbino, neurologista mestre em neurociências pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Por isso, a principal recomendação para quem já teve alguma má experiência com fragrâncias é não pesar a mão no uso de produtos que as contenham, o que acaba sendo um erro comum, pois a maioria das pessoas desconhece que a fixação e duração delas aplicadas sobre o corpo têm a ver muito mais com o tipo de fórmula e de pele do que com a quantidade utilizada. Peles mais secas retêm menos odores, já as oleosas os absorvem e exalam por mais tempo.

Vale lembrar também que outros fatores, como dieta, temperatura corporal e a aplicação de mais de um produto na pele também afetam a maneira como a fragrância irá se comportar.

Cheiro forte e problemas de pele

As dermatites de contato, caracterizadas por reações alérgicas e inflamatórias que causam irritação, vermelhidão, inchaço, descamação da pele e são capazes de atingir qualquer área do corpo podem ser desencadeadas pela exposição a inúmeros agentes, dentre os mais comuns fragrâncias (especialmente obtidas de compostos químicos e sintéticos), explica Damaris Ortolan, dermatologista e tricologista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

"Ao se expor com frequência a produtos com grande quantidade de fragrâncias, o risco de sensibilização aumenta e caso a pessoa já esteja sensibilizada, nas exposições subsequentes, ela desenvolverá um quadro, ou até mesmo uma crise, de dermatite de contato", esclarece, acrescentando que a reação varia de pessoa para pessoa e está relacionada ao sistema imunológico, à intensidade de exposição aos alérgenos e à qualidade da barreira cutânea.

De acordo com Juliana Toma, dermatologista pela Unifesp e pós-graduada em oncologia cutânea pelo Hospital Sírio Libanês, perfumes são as fontes mais frequentes de sensibilização por ingredientes de fragrâncias em mulheres, enquanto produtos pós-barba de sensibilização em homens. Em comum, ambos os sexos também apresentam irritações ou reações alérgicas a desodorantes, comparáveis às provocadas pelos dois últimos produtos mencionados.

Cuidados e quando aplicar - ou não - produtos

Segundo os especialistas, quem apresenta algum tipo de reação a produtos aromatizados, sem necessariamente ser perfume, deve suspender seu uso e procurar por alternativas sem cheiro, ou que possuam essências naturais e até ajudem a prevenir alergias (hipoalergênicos).

Para tentar identificar as possíveis causas e avaliar a sensibilidade a outros componentes também pode ser válido consultar um alergista.

"O teste de contato é uma das melhores ferramentas no diagnóstico de dermatite. O ideal é fazê-lo com acompanhamento médico, colocando uma baixa quantidade de determinadas substâncias específicas sobre a pele da pessoa e avaliando se há resposta inflamatória no local. Porém, alguns cuidados devem ser tomados, como não realizá-lo quando está com crise de dermatite, ou em uso de medicamentos corticoides por via oral", orienta Juliana Toma.

Mesmo assim, em algumas situações, pode ser que o resultado do teste não aponte o que exatamente provocou a irritação e isso devido à complexa mistura de ingredientes contidos principalmente nos perfumes.

Ainda sobre recomendações, atente-se à data de validade dos seus produtos, não use junto na pele fragrâncias diferentes, priorize marcas conhecidas e respeite as indicações de uso, de acordo com o horário de aplicação, tipo de pele, clima e local.

Especificamente sobre perfumes, saber onde aplicá-los também ajuda a evitar problemas para si mesmo e para os outros, que podem se sentir incomodados e até ter algum mal-estar devido ao cheiro.

As áreas do corpo que mais exalam são as expostas e que concentram maior calor e microcirculação vascular, como nuca, atrás das orelhas, região superior do tórax, dobras dos braços e pulsos. Aplicar por cima da roupa é uma tática que pode funcionar para evitar dermatites de contato, mas se houver atrito do tecido com a pele, melhor suspender o uso.

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