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Heterocromia: olhos com cores distintas podem ser genética, doença ou lesão

Olhos coloridos: Carolina Alves tem heterocromia de origem genética - Arquivo pessoal
Olhos coloridos: Carolina Alves tem heterocromia de origem genética Imagem: Arquivo pessoal

André Aram

Colaboração para VivaBem

19/01/2021 04h00

Na música "Olhos Coloridos", da cantora Sandra De Sá, há um trecho que diz "os meus olhos coloridos, me fazem refletir (...)". De fato, olhos coloridos ou multicoloridos existem, porém tem um nome específico para isso: heterocromia (hetero = diferente / cromia = cor).

Se fôssemos descrever em poucas palavras o que é a heterocromia, simplesmente diríamos que são olhos de cores diferentes em uma mesma pessoa. Mas como alguém nasce com olhos multicoloridos? Este é um dos questionamentos mais comuns quando um cidadão se depara com a heterocromia pela primeira vez.

A causa pode ser ampla, desde excesso ou ausência de melanina, assim como origem genética, hereditária, doença ou lesão.

Os três tipos

Há três tipos diferentes de heterocromia do olho, são eles:

  • Completa: cada um dos olhos tem cores diferentes, por exemplo, um é verde e o outro azul. Considerada a mais fascinante;
  • Setorial: duas cores diferentes na mesma íris;
  • Central: quando a íris possui dois ou mais círculos de cor, por exemplo azul com um "aro" dourado próximo da pupila ou mesmo externamente. Alguns se referem a esse tipo como olhos de gato.
France Zobda - Eric Fougere/Corbis via Getty Images - Eric Fougere/Corbis via Getty Images
A atriz France Zobda com seus olhos multicoloridos
Imagem: Eric Fougere/Corbis via Getty Images

A heterocromia atinge 1 a cada 1.000 pessoas, sendo considerada relativamente rara, mas não está relacionada a uma mutação genética como alguns podem pensar. Hollywood tem vários exemplos de artistas com heterocromia, a atriz Elizabeth Berkley, que ficou conhecida pelo polêmico filme Showgirls (1995), possui o tipo setorial, em que um olho é verde, e o outro sendo metade verde e castanho.

O caso mais emblemático de heterocromia é o da atriz nascida na ilha da Martinica, France Zobda, 62. Seus olhos possuem tantas variações de cores que ela está no Guinness Book com o recorde mundial, são sete tons/cores no olho esquerdo e quatro no direito, sendo um caso único até o momento.

Elogios hoje e bullying no passado

Igor Mendes - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Igor Mendes
Imagem: Arquivo pessoal

Ter olhos multicoloridos pode gerar elogios, mas também críticas, e se for criança, certamente bullying. O contador Igor Mendes, 25, lida muito bem com seus olhos coloridos, mas nem sempre foi assim, na infância ele teve que aturar os apelidos cruéis.

"Na escola me chamavam de semáforo, 'zóio' de gato, não gostava muito, mas aí o tempo foi passando e hoje as pessoas perguntam e elogiam os meus olhos, são poucas as vezes que alguém acha estranho. Hoje em dia eu acho bonito e diferente" afirma.

A estudante de publicidade Maria Eduarda Silva, 21, mais conhecida como Nyna, admite que lidou de formas diferentes em algumas fases da sua vida. "Houve fases em que eu amava, fases em que meu sonho era ter os olhos apenas de uma cor e até fases em que me senti estranha por ter essa característica".

Maria Eduardo, Nyna - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Maria Eduarda, a Nyna
Imagem: Arquivo pessoal

Assim como Mendes, hoje Nyna se sente especial e sortuda por ter um olho verde e o outro azul. A jovem de Ribeirão Preto não passa despercebida: "As pessoas elogiam, pedem para tirar foto, mostram para as pessoas em volta. Em todos os lugares que vou acabo ficando conhecida como a menina dos olhos coloridos", conta.

Diferente dos dois casos acima, Carolina Alves, 28, não passou pelas fases de adaptação, pelo contrário, a cantora pernambucana sempre gostou da tonalidade de seus olhos, sendo um azul e outro castanho. "Nunca me senti diferente, amo a combinação inusitada que ganhei, é minha marca".

Entretanto, ela conta que há pessoas que não acreditam que seus olhos são reais, insistindo em perguntar se são lentes de contato. Os três jovens foram unânimes em dizer que a heterocromia desperta um verdadeiro fascínio nas pessoas que desconhecem essa condição.

Questionados sobre possíveis problemas de visão, Mendes revela que, por ter a pupila mais dilatada, possui muita sensibilidade à claridade. "Enxergo muito bem, não vejo torto e nem com cores diferentes como as pessoas acham, tenho uma visão ótima".

Carolina e Nyna também compartilham da mesma opinião: "Só sinto um pouco de sensibilidade no sol por conta do olho mais claro, mas isso é normal", conta Carol.

Ao contrário de Igor e Carolina, cuja causa da heterocromia é genética, os olhos coloridos de Nyna "surgiram" em função de um tumor no pescoço que atingiu um nervo quando ela era ainda criança. "Após a cirurgia, meu olho ficou meio fechado, como se tivesse com seu músculo fraco, e aos poucos foi perdendo a coloração até ficar azul."

As origens da heterocromia

De acordo com a oftalmologista Mariana Amaranto, a heterocromia pode estar relacionada a uma característica genética, ou seja, a criança já nasce assim, e deve ser avaliada depois de uns 10 meses do nascimento.

"Toda criança nasce com o olho meio acinzentado e depois de uns 10 meses a um ano e meio é que a cor dos olhos é definida. A íris tem melanócitos, que são as estruturas que vão se impregnando de melanina. Então, quanto mais melanina, mais escuros são os olhos, às vezes, o maior acúmulo de melanina ocorre por uma carga genética, e a criança desenvolve cada olho de uma cor", explica.

Heterocromia pode causar problemas de visão?

A heterocromia pode estar relacionada a uma condição clínica também. Segundo Amaranto, há casos de uveíte (uma inflamação ocular) que levam a essa heterocromia porque podem causar a despigmentação em um dos olhos.

"Isso pode estar relacionado a alguma doença, sempre deve ser avaliado pelo oftalmologista. Tem que ser investigado sempre que a heterocromia for observada, mesmo em crianças, para eliminar o risco de haver alguma doença associada. E quando é uma heterocromia adquirida, por exemplo, que surge na vida adulta, a associação que tem é geralmente com inflamação ocular, uveíte, ou por alguma outra doença", explica a médica.

"Até tumor pode alterar a cor do olho. Então, quando genético, vindo da infância, a gente vai observar, e se não houver nenhuma doença associada, é inofensivo. E na vida adulta, quando a gente observa heterocromia, geralmente está relacionada a alguma causa patológica", esclarece.

Os casos de heterocromia ligada a um processo inflamatório podem gerar uma catarata antes da hora. Não só pela própria doença em si, mas também pelo tratamento, porque a uveíte exige corticoide que pode acelerar o aparecimento da catarata.

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