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Catarata é a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 50 em 2020

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Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

13/12/2020 11h00

Um estudo publicado no periódico científico Lancet, um dos mais conceituados do mundo, revela crescimento de novos casos de cegueira e deficiência visual evitável no mundo todo entre 2010 e 2019, apesar da prevalência se manter estável.

Os pesquisadores afirmam que o levantamento teve como base 520 bancos de dados populacionais e contraria a meta da OMS (Organização Mundial da Saúde) de reduzir a deficiência visual em 25% entre 2010 e 2019. A análise mostra que a maior causa de cegueira tratável no mundo é a catarata, que responde por cerca de 45% dos 33,6 milhões de casos de perdas da visão.

Incidência de catarata no Brasil

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do IPB (Instituto Penido Burnier) no Brasil o índice é um pouco mais alto. O último censo do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) do qual faz parte, mostra que a catarata responde por 49% da cegueira no país, embora o número de cirurgias tenha dobrado entre 2009 e 2019.

O médico explica que por aqui a velocidade do envelhecimento que avançou 160% em 10 anos, explica esta prevalência. "Isso porque, o envelhecimento é a principal causa da doença que torna o cristalino opaco e tem como único tratamento uma cirurgia em que a lente opaca do olho é substituída pelo implante de uma lente intraocular."

Os primeiros sinais da doença são: troca frequente de óculos, dificuldade de dirigir à noite, enxergar halos ao redor da luz, visão embaçada e perda da visão de contraste. O oftalmologista diz que o diagnóstico é feito durante uma consulta de rotina e o momento certo de operar é quando a visão começa dificultar a realização das atividades no dia a dia.

Causas da catarata

Quem pensa que a catarata só aparece em idosos está bem enganado. A doença é multifatorial e pode surgir mais cedo em pessoas que têm diabetes, colesterol alto ou alterações na produção dos hormonais sexuais. Isso porque, estes distúrbios metabólicas favorecem as aglomerações de proteínas no cristalino.

Os estudos mostram que no diabetes os depósitos de glicemia nas paredes do cristalino e as oscilações glicêmicas dobram a chance de surgir a catarata. Entre mulheres, a menopausa precoce antecipa a opacificação porque o cristalino tem receptores de estrógenos.

A catarata também pode ser traumática, ou seja, estar relacionada a algum ferimento no olho. Neste caso ocorre inclusive entre jovens. Outras causas da catarata juvenil são a herança genética, quando há casos na família e o uso contínuo de corticoide.

Até crianças podem desenvolver a doença. Na infância a catarata congênita é a maior causa de perda da visão. Responde por até 40% dos casos de cegueira. A prevalência é de 1 em cada 250 recém-nascidos. Doenças infecciosas contraídas pela mãe durante a gestação como sarampo, rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose são as mais frequentes causas.

A catarata congênita também pode estar associada a e algumas síndromes. As principais são: síndrome de Down, metabólica, de Lenz, de Turner e de Stiker. Outra causa é a hereditariedade mesmo quando os pais são portadores de gene recessivo e portanto não tiveram a doença na infância.

Doenças maternas como a hipertensão arterial podem predispor o bebê a desenvolver o problema nos olhos, mas por incrível que possa parecer a causa de muitos casos de catarata congênita é idiopática, ou seja, desconhecida, simplesmente aparece.

"Por isso, a recomendação aos pais é checar se o recém-nascido passou pelo teste do olhinho na maternidade após o nascimento. Vale destacar que tirar fotos com flash de bebês pode flagrar a doença se não aparecer um reflexo vermelho nos olhinhos da criança", aconselha o médico.

O que fazer para prevenir?

A catarata faz parte do processo natural de envelhecimento do olho. Portanto, um dia todos nós vamos ter esta doença. O processo de envelhecimento sofre influência genética e por isso algumas pessoas desenvolvem mais cedo que outras, mas alguns cuidados podem adiar a catarata. Os principais são:

  • Usar lente com 100% de filtro ultravioleta nas atividades externas durante o ano todo. Isso porque de acordo com OMS (Organização Mundial da Saúde), o índice de UV acima de 6 é nocivo aos olhos e no Brasil este índice ocorre inclusive no inverno. A falta de proteção UV aumenta em 60% a chance de contrair catarata. Vale ressaltar que mesmo nos dias nublados 70% da radiação atinge nossos olhos. Usar óculos escuros sem filtro solar é mais prejudicial que a falta deles. Isso porque no escuro nossas pupilas dilatam e uma quantidade maior de radiação penetra no globo ocular.
  • Na alimentação, controlar o uso de sal e de açúcar.
  • Evitar o consumo de cigarros e o excesso de bebidas alcoólicas.
  • Praticar atividades físicas pelo menos 3 vezes por semana.
  • Manter a glicemia sob controle com exames periódicos de sangue. Muitos diabéticos descobrem a doença durante um exame de fundo de olho.
  • Incluir na alimentação carotenoides, frutas cítricas que agem como antioxidantes e fontes de vitamina A como a cenoura e mamão.
  • Manter um peso saudável.

Em alguns casos, o quadro é reversível com cirurgia

De acordo com Queiroz Neto, a cirurgia elimina o cristalino opaco que é substituído por uma lente intraocular transparente que sempre reverte o problema. Mas doenças na retina, uveíte, atrofia do nervo óptico e ambliopia (olho preguiçoso) impedem a completa recuperação da visão.

Quando se trata de catarata congênita a cirurgia é indicada entre seis semanas e 3 meses de vida. Depois disso a perda da visão pode se tornar irreversível.

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