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Uveíte também deixa os olhos vermelhos, mas é mais grave que conjuntivite

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Imagem: iStock

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

11/11/2019 04h00

Na maioria das vezes, ao perceber os olhos avermelhados e uma maior sensibilidade à luz, automaticamente relacionamos esses sinais à conjuntivite. De certa maneira, pensar nesse diagnóstico não está errado, mas acontece que existe outra doença —mais grave— que pode estar por trás desse sintoma: é a uveíte.

O problema se dá por conta de uma inflamação no chamado tecido uveal, que é composto pela íris, corpo ciliar e coróide. E as causas para o problema são diversas. Desde agentes infecciosos, como toxoplasmose (uma das principais causas da uveíte no Brasil), sífilis, tuberculoses etc, ou por conta de alguma doença autoimune.

Muitas vezes, a inflamação dos olhos acompanha ou até acontece antes da manifestação de algumas doenças, como por exemplo a artrite idiopática juvenil (antes chamada de artrite reumatoide), doenças reumáticas e intestinais nos adultos, dentre outras.

Além dos olhos vermelhos

A uveíte, assim como a conjuntivite, tem como primeiro sintoma a vermelhidão ocular, porém na conjuntivite não se observa sinais de inflamação intraocular, e sim somente na conjuntiva. Além disso, a uveíte não é contagiosa e apresenta outros sintomas frequentes, como dor ocular, visão turva, sensibilidade à luz e manchas escuras que flutuam no campo visual, também conhecidas como moscas volantes.

E para chegar ao diagnóstico da doença, primeiramente, é feita uma anamnese (conversa entre o médico e o paciente), após isso, são realizados exames oftalmológicos, assim como testes complementares feitos em laboratórios e exames de imagem, se necessários.

Tratamento diverso

São diversas as formas de tratar a uveíte. Isso porque a terapia é direcionada à causa da doença. No caso de infecções, utiliza-se medicação específica contra o agente causador (antibióticos, antivirais etc). Naqueles casos cuja causa é autoimune, são usados medicamentos como corticoides, imunomoduladores, imunossupressores e, mais recentemente, uma classe de drogas denominada modificadores da resposta biológica.

E para controle da inflamação, o uso do corticoide na forma de colírio, ou via oral, tem sido a base do tratamento.

Recentemente, foi incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde) um medicamento que pode contribuir na terapia contra a uveíte. Muito utilizado no tratamento de outras doenças, como a artrite idiopática juvenil, o remédio, que tem como substância principal a chamada adalimumabe, é um modificador da resposta biológica que age sobre a inflamação nas uveítes não infecciosas, além de ser recomendado para pacientes adultos que não estejam respondendo corretamente ao tratamento com corticoide.

Tem cura?

Quando a doença é do tipo infecciosa, uma vez tratada corretamente, pode evoluir com cura. No entanto, existem doenças como a toxoplasmose que podem voltar mesmo tendo sido tratada. Se isto ocorrer, a terapia deve ser reintroduzida em cada episódio de recidiva.

Já nas uveítes autoimunes, mesmo após o tratamento da crise aguda da doença, é necessário o tratamento e o acompanhamento por um tempo mais prolongado para ter certeza que a doença está controlada. A terapia deve ser levada muito a sério, afinal de contas, a uveíte pode causar cegueira de forma irreversível.

Por isso, ao detectar vermelhidão nos olhos que não diminuem, o primeiro passo é procurar um oftalmologista imediatamente.

Fontes: Haroldo de Moraes Jr., professor titular de oftalmologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), chefe do setor de uveíte do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e membro titular da SBO (Sociedade Brasileira de Oftalmologia); Lisia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas de São Paulo; Maria Auxiliadora Frazão, membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) e diretora do departamento de oftalmologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Maria Regina Chalita, professora de oftalmologia da UnB (Universidade de Brasília).

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