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Anticorpo se mostra eficaz contra primeiros sinais do Alzheimer, diz estudo

Resultado do estudo mostra que é preciso se concentrar mais na fase inicial do Alzheimer - Getty Images
Resultado do estudo mostra que é preciso se concentrar mais na fase inicial do Alzheimer Imagem: Getty Images

Do VivaBem, em São Paulo

18/11/2020 11h51

O Alzheimer pode começar muito mais cedo do que se pensava, antes de qualquer sintoma, de acordo com um estudo publicado no periódico Nature Neuroscience, na segunda-feira (16). Mas um anticorpo pode reverter e até prevenir o problema.

O experimento, realizado em camundongos, mostra que essa fase precoce da doença é desencadeada por pequenas "sementes" invisíveis de aglomeração da proteína beta-amiloide —ninguém sabe ao certo qual é a causa da doença de Alzheimer, mas uma das teorias mais populares sugere que a proteína constrói aos poucos uma espécie de placa no cérebro e causa danos que, por hora, são irreversíveis.

Essas "sementes" de beta-amiloide, que os pesquisadores não sabem ao certo como são, funcionam como um gatilho para essa reação em cadeia que culmina nas placas.

Se essa ação também for confirmada em humanos, um tratamento direcionado à formação dessas "sementes" pode prevenir esse processo. Os cientistas já identificaram um anticorpo que poderia fazer isso, chamado de aducanumabe. Eles esperam usá-lo como um "anzol" para isolar e descrever melhor as tais "sementes".

Anticorpo diminuiu danos

Os cientistas testaram a capacidade de seis anticorpos de neutralizar as sementes de beta-amiloide antes de o acúmulo dessas proteínas se tornar detectável em camundongos.

Os resultados mostraram que apenas o aducanumabe mostrou efeito. Os camundongos foram tratados por cinco dias e apresentaram apenas metade da quantidade normal de depósitos de proteína em seus cérebros.

"Este tratamento agudo com anticorpos foi capaz de remover as 'sementes'. A geração de novas leva algum tempo, de modo que muito menos depósitos são formados nas semanas e até meses após o tratamento", explicou o pesquisador do estudo Mathias Jucker, do HIH (Hertie Institute for Clinical Brain Research), na Alemanha. "Na verdade, os camundongos tiveram apenas metade dos danos cerebrais seis meses após este tratamento agudo."

Segundo Jucker, o resultado mostra que é preciso se concentrar mais na fase inicial do Alzheimer e entender os biomarcadores da doença. "Também precisamos de mais anticorpos que reconheçam diferentes tipos de 'sementes de agregação' que ajudem a entender como elas desencadeiam esse processo e como podem ser usadas em tratamentos", disse.

Com a descoberta desta fase precoce da doença, o estudo pontua que seria importante que o tratamento para o Alzheimer fosse iniciado muito mais cedo, não apenas quando o declínio da memória já começou.

Aducanumabe ainda não foi aprovado

Neste mesmo mês, no dia 6, a FDA (Food and Drug administration), órgão que regula os alimentos e remédios comercializados nos Estados Unidos, avaliou o uso de um medicamento com o anticorpo aducanumabe para o tratamento do Alzheimer.

Desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, o remédio seria aplicado uma vez ao mês por meio de infusões na veia. Mas seu uso não foi aprovado. Os especialistas concluíram que ainda não se sentem convencidos sobre a eficácia do tratamento e não acham que existem evidências suficientes para liberar seu uso.

Entretanto, a decisão ainda não é definitiva, e o FDA voltará a debater o tema em março de 2021.

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