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Estudo: CoronaVac induz resposta imune em 97% dos casos; Butantan comemora

Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Imagem: Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo

De VivaBem, em São Paulo

17/11/2020 21h39Atualizada em 17/11/2020 21h46

Produzida pelo Instituto Butantan junto à farmacêutica Sinovac Life Science, a CoronaVac foi capaz de induzir uma rápida reposta imune, mas o nível de anticorpos produzidos foi menor do que o visto em pessoas que se recuperaram da covid-19, mostraram dados preliminares dos testes clínicos divulgados hoje (quarta-feira, no horário local), na China.

As descobertas da Sinovac, publicadas em artigo revisado por outros cientistas na revista científica The Lancet, se referem aos estudos das fases 1 e 2 realizadas na China. Segundo a publicação, a CoronaVac é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.

As fases 1 e 2 reuniram 744 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos. Os números mostram que as reações adversas foram leves e nenhum efeito adverso sério relacionado à vacina foi identificado. A reação mais comum foi dor no local da aplicação. A taxa de soroconversão entre os voluntários que receberam a vacina, ou seja, produção de anticorpos, ficou acima dos 90%.

Embora os testes em estágios inicial e intermediário não tenham sido desenvolvidos para determinar a eficácia da CoronaVac, os pesquisadores disseram que ela pode fornecer proteção suficiente, com base na experiência com outras vacinas e em dados de estudos pré-clínicos em macacos.

"Nossas descobertas mostram que a CoronaVac é capaz de induzir uma rápida resposta de anticorpos em quatro semanas da imunização ao dar duas doses da vacina em um intervalo de 14 dias", disse Zhu Fengcai, um dos autores do artigo. "Acreditamos que isso faz da vacina adequada para o uso emergencial durante a pandemia", acrescentou.

A CoronaVac está sendo testada em estudo em estágio avançado de fase 3 no Brasil, pelo Butantan, na Indonésia e na Turquia. Outras quatro candidatas à vacina desenvolvidas pela China também estão em testes de estágio avançado para determinar sua eficácia.

"Opção atrativa"

A CoronaVac é uma das vacinas experimentais contra a covid-19 que está sendo usado para inocular centenas de milhares de pessoas na China sob um programa de uso emergencial.

Gang Zeng, pesquisador da Sinovac envolvido no estudo com a CoronaVac, disse que a vacina pode ser uma opção atrativa porque pode ser armazenada em temperatura de geladeira de 2ºC a 8ºC e pode permanecer estável por até três anos.

"Ofereceria algumas vantagens na distribuição para regiões onde o acesso a refrigeradores é desafiador", disse o autor.

Vacinas desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna, que usam uma nova tecnologia chamada RNA mensageiro (mRNA) para ativar o sistema imune contra o vírus, exigem temperaturas mais baixas para o armazenamento.

A vacina da Pfizer precisa ser armazenada e transportada a uma temperatura de -70ºC, embora possa ser mantida em temperatura de geladeira por até cinco dias, ou por 15 dias em uma caixa com temperatura controlada. A candidata da Moderna traz a expectativa de manter-se estável em temperatura de geladeira por 30 dias, mas para uma armazenamento superior a seis meses, precisa estar a -20ºC.

O governo de São Paulo, a quem o Butantan está vinculado, espera disponibilizar a CoronaVac em janeiro, além de ter um acordo para receber doses prontas da vacina, insumos para sua formulação e envase no Butantan e para posterior produção local do imunizante.

O Butantan exaltou os resultados do teste. "O dado mais relevante da publicação foi o alto nível de soroconversão que indica que existem células produzindo anticorpos neutralizantes que podem agir em caso de exposição ao coronavírus. Espera-se que a resposta de anticorpos neutralizantes proteja contra a covid-19", disse à Reuters Ricardo Palacios, diretor médico de Pesquisa Clínica do instituto.

Procurados, o Ministério da Saúde e a Anvisa disseram que não irão comentar os resultados.

(Com Reuters)

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