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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Cefalexina combate infecções com segurança, mas tem tempo certo de uso

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

10/11/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Cefalexina é um antimicrobiano do grupo das penicilinas
  • Indicada para infecções bacterianas trata pneumonia, cistite, erisipela e doenças bucais
  • É segura para adultos e crianças quando seu uso é orientado por profissional da saúde
  • Automedicar-se com a cefalexina é desaconselhado, pois há risco de resistência bacteriana

Aprovada nos Estados Unidos no início da década de 1970, a cefalexina é um antibiótico relacionado à penicilina, e é útil no tratamento de infecções do trato respiratório e geniturinário.

O que é cefalexina?

Trata-se de um antimicrobiano, ou seja, um antibiótico, do grupo dos betalactâmicos, que inclui as penicilinas. Ela é considerada a primeira entre as cefalosporinas de primeira geração.

Em quais situações você pode usá-la?

Como é um antibiótico, esse medicamento só pode ser vendido sob prescrição médica e a receita deve ser retida para controle de seu consumo.

Dado o tempo de existência desse fármaco, ele é considerado muito seguro e bem tolerado. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado.

Ao não respeitar as indicações do profissional da área da saúde, você colabora para a resistência bacteriana. Isso significa que o antibiótico poderá não fazer efeito quando for necessário usá-lo em outra oportunidade.

A cefalexina pode ser usada para eliminar infecções bacterianas, como as que você vê a seguir:

  • Sinusite
  • Faringite
  • Bronquites
  • Pneumonia
  • Cistite (aguda ou crônica)
  • Gonorreia
  • Otite
  • Celulite, erisipela (infecção de pele ou tecidos moles)
  • Miosite (infecção muscular)
  • Prevenção de endocardite durante procedimentos odontológicos

A literatura sobre este medicamento relata que ele pode até ser usado de forma preventiva, antes ou depois de intervenções cirúrgicas para reduzir o risco de infecções locais, principalmente em pacientes submetidas ao parto cesariano. Os dados são da revista médica Journal of the American Medical Association.

Entenda como ela funciona

A cefalexina possui excelente farmacocinética, ou seja, independentemente da apresentação, ela é rapidamente absorvida pelo intestino delgado, até que chega a seu alvo, efetua sua ação, e é eliminada pela via renal.

Quanto à farmacodinâmica, ou mecanismo de ação, o medicamento tem efeito bactericida, ou seja, ele mata a bactéria através da inibição da síntese da sua parede celular, uma estrutura muito importante porque confere proteção ao microrganismo. "Toda alteração nesse 'local' leva a uma desestabilização que resulta na morte da célula", explica Maria Fernanda Werner, professora do Departamento de Farmacologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Conheça as apresentações disponíveis

A cefalexina é considerada uma medicação essencial, por isso ela consta da Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), e tem distribuição gratuita em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Para ter acesso a ela, basta apresentar a receita médica.

O medicamento de referência é o Keflex®. Mas você também pode encontrar as versões genéricas. Conheça as apresentações disponíveis:

  • Drágeas 500 mg e 1 g
  • Gotas 100 mg
  • Suspensão 250 mg e 500 mg

Homero Luis de Aquino Palma, médico de família e clínico do Home Care da Amil e professor da Escola de Medicina da PUC-PR, afirma que, a depender da gravidade ou do tipo da infecção, o médico estabelecerá a dose e o tempo necessários para o tratamento. Em alguns quadros, a administração poderá até ser contínua.

"Mas atenção, se todos usarem esse tipo de medicamento desse modo, a indicação de antibióticos se tornará insustentável, dado o risco de resistência bacteriana. Por isso, em geral, usa-se a cefalexina por 10 a 21 dias", esclarece.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

Para Gibran Avelino Frandoloso, médico generalista do Hospital Universitário Cajuru e do HC-UFPR (Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná), embora a cefalexina tenha perfil de resistência maior do que no passado, este ainda é considerado baixo. Além disso, o medicamento tem boa penetração tecidual, o que favorece a utilização em vários quadros.

O médico acrescenta que a principal desvantagem da medicação é a pouca comodidade posológica. "Temos de usá-la a cada 6 horas. Assim, prefiro indicar outros medicamentos que permitem flexibilizar o tratamento", conclui.

Saiba quais são as contraindicações

O grupo de antibióticos no qual a cefalexina está inserida pode levar a reações de hipersensibilidade imediata, com a manifestação de urticária, angioedema (inchaço da pele) e até quadros anafiláticos.

Além disso, podem aparecer reações de hipersensibilidade não imediata. A explicação é de Marcos Machado, presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo). "Estima-se que, na população em geral, isso represente de 1% a 3% dos casos", diz o especialista.

Outra advertência se refere ao uso do medicamento por pessoas que apresentem insuficiência renal grave. Nessa hipótese, o paciente deve ser monitorado constantemente pelo médico.

Pessoas que já tiveram reações de pele, lesões na boca ou diarreia grave após o uso de antibiótico também devem informar ao médico tais eventos antes do iniciar o uso do medicamento. O mesmo se aplica aos indivíduos com diabetes, já que a medicação contém açúcar.

Crianças e idosos podem usá-la?

Sim. A cefalexina é considerada segura para esses grupos, desde que respeitados dose e tempo de tratamento.

Como o antibiótico é excretado por via renal, o cuidado com os idosos dizem respeito a uma possível adequação da dosagem (podem ser necessárias doses mais baixas) e acompanhamento. Esse grupo geralmente utiliza remédios de uso contínuo (polifarmácia). Assim, é preciso estar atento também às possíveis interações medicamentosas. De modo geral, o uso prolongado não é indicado.

Gravidez e amamentação

O medicamento poderá ser usado somente sob orientação médica. Cabe ao profissional da saúde avaliar o custo/benefício de sua utilização seja na gestação ou no período da amamentação.

Uso anticoncepcional. O medicamento corta o seu efeito?

De fato, alguns antibióticos podem interagir com contraceptivos, especialmente os combinados (que contêm estrógeno e progesterona), o que não é o caso da cefalexina.

Contudo, ao observar que ela teve como efeito colateral a diarreia, por tempo prolongado —o efeito desejado do anticoncepcional poderá ser prejudicado. Nesta hipótese, durante o uso do medicamento, utilize outras formas de proteção.

Qual é a melhor forma de consumi-lo?

Tanto o fabricante como a literatura sobre esse medicamento sugerem que ele seja administrado com o estômago vazio. A medida potencializa o seu efeito, permite melhor monitoramento da infecção e ainda reduz a chance de resistência bacteriana.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

Não. O importante é que ele seja ingerido na forma indicada pelo médico ou dentista. Evite interromper seu uso antes do final do tratamento, mesmo quando houver melhora dos sintomas após as primeiras doses.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Tome assim que lembrar e reinicie o esquema de uso do medicamento. É desaconselhado tomar doses em dobro de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você é daqueles que sempre se esquecem de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

A cefalexina, em geral, é bem tolerada e segura. Apesar disso, algumas pessoas poderão apresentar as seguintes sintomas:

Comuns

  • Náusea
  • Diarreia
  • Dor de estômago
  • Cansaço
  • Tontura
  • Dor articular
  • Secreção ou coceira vaginal

Raros

  • Sangramento do nariz
  • Agitação
  • Confusão
  • Redução ou suspensão da urina
  • Diarreia grave (por mais de 4 dias, com muco ou sangue)
  • Fezes claras, urina escura, pele e parte branca do olho amareladas
  • Erupções de pele

Interações medicamentosas

Alguns medicamentos não combinam com a cefalexina, e podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise seu médico se estiver consumindo algum dos fármacos abaixo descritos. A lista não exclui outras possíveis interações. Por isso, é importante sempre ter à mão o nome dos medicamentos que você usa ou está usando no momento da consulta.

  • Outros antibióticos
  • Diuréticos (furosemida)
  • Antidiabético (metformina)
  • Uricosúricos (probenecida)
  • Anticoagulantes

É importante informar seu um médico, farmacêutico ou até o dentista antes de usar esse medicamento se você faz uso contínuo de algum fitoterápico, suplemento ou vitaminas. Aliás, suplementos de zinco podem reduzir a quantidade do medicamento em circulação no seu corpo. Assim, o profissional deve orientá-lo sobre a melhor forma de consumo do suplemento enquanto estiver administrando a cefalexina.

Interação com exames

As cefalosporinas podem levar a resultados falsos positivos em exames de glicose, corpos cetônicos (na urina), bem como no teste de Coombs direto (usado para detectar anemia hemolítica autoimune). Além disso, estudos hematológicos para provas de compatibilidade sanguínea para transfusão também podem ter resultados alterados.

Informe o médico sobre o uso desse tipo de medicamento na ocasião do pedido do exame laboratorial ou avise o pessoal encarregado pela coleta da amostra sanguínea.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Mantenha o medicamento sempre dentro da própria embalagem e nunca descarte a bula até terminar o tratamento;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Utilize o medicamento na posologia indicada;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta. A exceção é a indicação médica;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos ou trancados. A ideia é dificultar o acesso das crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite o descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - FIOCRUZ) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Maria Fernanda Werner, professora do Departamento de Farmacologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná), onde é também membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia; Gibran Avelino Frandoloso, médico generalista do Hospital Marcelino Champagnat (Grupo Marista), do HC-UFPR (Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná) e do Hospital Universitário Cajuru; Homero Luis de Aquino Palma, médico de família e clínico do Home Care da Amil, responsável pela Saúde do Homem do DAPS (Departamento de Atenção Primária à Saúde), da Prefeitura Municipal de Curitiba, professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Marcos Machado, presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo), farmacêutico e bioquímico especialista em análises clínicas; Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de Farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, doutora em ciências da saúde pela FCMSCSP (Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo) e assessora técnica do CRF-SP. Revisão técnica: Amouni Mourad.

Referências: Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Herman TF, Hashmi MF. Cephalexin. [Atualizado em 2020 Maio 23]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK549780/; Valent AM, DeArmond C, Houston JM, Reddy S, Masters HR, Gold A, Boldt M, DeFranco E, Evans AT, Warshak CR. Effect of Post-Cesarean Delivery Oral Cephalexin and Metronidazole on Surgical Site Infection Among Obese Women: A Randomized Clinical Trial. JAMA. 2017 Sep 19;318(11):1026-1034.

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