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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Incontinência urinária: fisioterapia pélvica e laser podem reverter quadro

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Imagem: iStock

Paula Roschel

Colaboração para VivaBem

03/11/2020 04h00

Resumo da notícia

  • São dois os principais tipos de incontinência: a "de esforço" e a "urge-incontinência"
  • Mulheres acima dos 60 anos são as mais afetadas pelo problema
  • Existe cura com uso de medicamento, laser, fisioterapia e cirurgia
  • Tabagismo e diabetes podem aumentar o risco de desenvolver incontinência urinária

A incontinência urinária é um sintoma bastante comum que pode ser definido como a perda involuntária de urina. Ela ocorre com a percepção do paciente ou sem que ele note.

É um problema mais corriqueiro entre mulheres acima dos 35 anos, mas também pode acometer homens que tiveram problemas na próstata. Entre idosos, chega a ocasionar sérios problemas de socialização, mas, felizmente, é uma queixa de saúde com bons tratamentos e cura.

Há dois tipos

A incontinência urinária pode ser classificada como "de esforço", que acontece em situações onde a pessoa faz força para tossir, correr ou pular, ou "urge-incontinência", quando o paciente tem uma vontade muito forte e abrupta de fazer xixi e não consegue segurar.

Ela também pode ser advinda de cálculos vesicais, tumores de bexiga e doenças neurológicas, como Parkinson ou sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Tabagismo e diabetes também aumentam o risco do desenvolvimento de incontinência urinária.

O que causa?

A do tipo "de esforço" surge, geralmente, de uma lesão no esfíncter, que é uma estrutura muscular de controle involuntário presente em órgãos ocos. Ele tem função de reter ou liberar o conteúdo dos mesmos. Entre mulheres acima dos 60 anos é mais comum que ocorra pela relação com certos fatores, como obesidade, retirada do útero, muitos partos por via vaginal e sedentarismo.

O problema pode ser desencadeado também pela menopausa, que faz com que a mulher tenha uma queda dos hormônios femininos, provocando atrofia da região genital e prejudicando assim o controle da parte urinária.

"As estatísticas apontam que 20 a 30% das mulheres na menopausa apresentam essa disfunção. Em idosas, a prevalência normalmente é superior, atingindo 62,6%", diz Claudia Palos, médica especialista em uroginecologia do Hospital 9 de Julho, de São Paulo.

A urge-incontinência tem relação com a contração do músculo da bexiga, pressionado de tal forma que a pessoa não consegue chegar a tempo no banheiro. Uma das principais causas é uma doença chamada bexiga hiperativa. A infecção urinária também provoca a sensação de urgência para urinar.

Para os homens, a incontinência urinária pode ter relação com complicações de uma cirurgia para a retirada da próstata, em pacientes que tiveram câncer.

Impacto comportamental em idosos

Idoso de fraldas - iStock - iStock
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O problema em si não costuma provocar dano ao trato urinário dos pacientes. "A grande consequência é o impacto para a saúde mental, principalmente do idoso, porque leva ao isolamento social. A pessoa na terceira idade que tem problema com incontinência urinária evita sair de casa, pois sente vergonha ao molhar a roupa, ficar com cheiro de urina e teme que as pessoas percebam", comenta Flávio Iizuka, urologista do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Albert Einstein, ambos de São Paulo.

O ideal, em casos assim, é começar a conversar com ele sobre o problema de forma genérica, falando que incontinência tem tratamento e assim abrir caminho para o diálogo.

O uso contínuo de forros ou fraldas para bloquear o xixi, além do incômodo, pode levar a dermatites. Isso pode evoluir, em alguns casos, para infecções locais de pele. Além disso, o ambiente quente e úmido propicia a proliferação bacteriana, podendo levar a infecções urinárias.

Para prevenir, enquanto não se procura ajuda médica, é importante ficar atento a limpeza da região e adequada proteção.

A boa notícia é que a incontinência urinária tem cura —e sem alta complexidade de tratamentos. Para um resultado satisfatório das investidas médicas, entretanto, é necessário um bom diagnóstico.

Tratamentos

assoalho pélvico - iStock - iStock
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Para incontinência do tipo de esforço o tratamento se inicia com fisioterapia do assoalho pélvico, para casos leves. Os resultados são bastante promissores. Para casos moderados e severos, o tratamento é cirúrgico, com procedimento minimamente invasivo chamado Sling. O protocolo tem eficiência em mais de 95% dos casos.

Para incontinência urinária do tipo bexiga hiperativa, ou urge-incontinência, o tratamento é medicamentoso. Existem remédios, por via oral, chamados anticolinérgicos que fazem com que a bexiga pare de ter contrações urgentes.

Em casos onde o uso de remédio não acaba com o problema, existe tratamento com aplicação de toxina botulínica intravesical, através de um procedimento no hospital, no centro cirúrgico, de grande eficácia. O único problema é que são necessárias aplicações periódicas —semestrais ou anuais.

Para a incontinência masculina, consequente da cirurgia radical para câncer de próstata, o tratamento é fisioterapia do assoalho pélvico, para casos leves. Existe alternativa cirúrgica de acoplação de esfíncter artificial ou Sling masculino, para casos moderados ou intensos.

Dependendo da avaliação médica também é possível fazer terapia comportamental contra a incontinência urinária. Ela baseia-se em intervenções educativas, em mudanças nos hábitos de vida e no comportamento do paciente que possa influenciar positivamente na melhora dos sintomas.

Os pacientes também são orientados a parar de fumar, diminuir ou evitar a ingestão de alimentos irritativos, como álcool, frutas ácidas, chocolate, café, chá preto e todos os outros alimentos que possuem cafeína. São guiados também pela importância das mudanças no estilo de vida e na rotina diária, como boa ingestão hídrica, perda de peso, melhora do funcionamento intestinal e posicionamento correto durante a micção e a evacuação.

Também é possível tratar a incontinência urinária feminina através do uso de um aparelho de laser, o CO2 de onda contínua e baixa potência. Na área aplicada, há reformulação tecidual resultando na melhora da qualidade do tecido conjuntivo, melhora do colágeno e das fibras elásticas. As vantagens dessa técnica é ser minimamente invasiva, com aplicações rápidas, praticamente indolores e com possível efeito prolongado.

E fique atento: quando a incontinência deixa de ser transitória e não existe infecção urinária associada é o momento de procurar um urologista.

Como prevenir-se

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Para incontinência urinária do tipo do esforço, a melhor forma de evitar o quadro envolve fazer atividade física regular, evitar a obesidade e, no caso de agravamento relacionado à menopausa, procurar um ginecologista para acompanhamento. O uso de creme de vaginais com progesterona pode ajudar no último quadro.

Para incontinência urinária do tipo urge-incontinência ou aquela relacionada a bexiga hiperativa que acomete mais mulheres, a recomendação é evitar alimentos que irritam a bexiga, como o café, a pimenta e outros molhos picantes. Tais alimentos intensificam esse tipo de problema e agravam a perda urinária.

Com a relação à prevenção da incontinência urinária masculina, o ideal é buscar técnicas cirúrgicas cada vez menos agressivas quando existe um problema com a próstata. No caso de cirurgia de prostatectomia radical, a cirurgia do tipo robótica tem bons resultados, por ser menos agressiva e preservar melhor a área de tratamento.

Fontes: Claudia Palos, especialista em uroginecologia do Hospital 9 de Julho, de São Paulo; Flávio Iizuka, urologista do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Albert Einstein, de São Paulo; Claudio Murta, urologista médico no ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), do Hospital das Clínicas e do Centro de Referência da Saúde do Homem do Estado de São Paulo.