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Saiba a importância do assoalho pélvico e como fortalecer essa musculatura

assoalho pélvico - iStock
assoalho pélvico Imagem: iStock

Cristiane Bomfim

Agência Einstein

24/01/2020 11h16

Você vai para a academia, faz exercícios para fortalecer os músculos do abdômen, das pernas, glúteos e braços. Mas esquece ou não sabe que outros músculos, localizados na região da pelve, também precisam desse cuidado. E o motivo não tem nada a ver com estética: é para manter firmes os músculos e ligamentos do assoalho pélvico, que dão sustentação a órgãos como bexiga, útero, intestino, e — no caso dos homens — a próstata, evitando a incontinência urinária e a queda desses órgãos dentro do espaço abdominal.

Localizado na região entre ânus e genitais, o assoalho pélvico é formado por músculos, ligamentos e fáscias (tecidos finos com pouca elasticidade que, nas mulheres, recobrem e protegem internamente a vagina, compondo o anel pericervical que vai do colo do útero à bexiga). "Podemos dizer que é uma rede de sustentação, como se fosse um piso mesmo, que precisa ser fortalecida para manter os órgãos no lugar porque a pressão nessa área do corpo é grande", afirma Lilian Fiorelli, médica ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Este conjunto é integrado ainda pelos esfíncteres, estruturas que contraem e relaxam para permitir a passagem da urina e das fezes.

Assoalho pélvico flácido ou não fortalecido pode resultar em problemas de saúde como incontinências urinária e fecal, bexiga posicionada abaixo de onde deveria (bexiga caída) e, em casos de gestantes, lacerações perineais. Ou seja, rasgos superficiais ou profundos na área entre a vagina e o ânus no momento do parto. Estudos mostram que o prolapso — queda dos órgãos pélvicos a partir de sua posição normal — afeta pelo menos 30% das mulheres e que 40% da população feminina terão, em algum momento da vida, incontinência urinária. "Destas pacientes, 14% precisarão de alguma intervenção cirúrgica. São números muito altos e preocupantes. Perder xixi involuntariamente em qualquer quantidade não é normal", diz a ginecologista. Ela explica ainda que há três grupos de risco para enfraquecimento desta estrutura:

  1. Aumento do peso na barriga: pode ser causado por obesidade, gestação, gestação gemelar, bebês com quatro quilos ou mais no momento do parto (independentemente da idade gestacional) ou prática de exercícios intensos que causam pressão na área abdominal e exigem contração muscular forte (como halterofilismo e crossfit, por exemplo). Este peso acaba empurrando para baixo os órgãos pélvicos (bexiga, útero, intestino e órgãos sexuais);
  2. Traumas: parto normal, acidentes (fratura na bacia, por exemplo) podem causar lesões na trama da região pélvica;
  3. deficiência de colágeno (proteína que dá firmeza à pele e outras estruturas do corpo): a redução pode estar relacionada a fatores genéticos, tabagismo e menopausa. A produção diminui naturalmente com o passar dos anos, especialmente nas mulheres após a menopausa.

Falar sobre fortalecimento do assoalho pélvico ainda é um tabu entre as mulheres. Um dos motivos é que elas desconhecem a importância dessa malha de sustentação e não associam problemas como a incontinência à flacidez da estrutura. "Além disso, elas não sabem exatamente onde essa estrutura está localizada e como exercitá-la", explica Andreia Oliveira, fisioterapeuta do Einstein. Embora o exercício mais simples seja a contração do períneo, a profissional conta que é comum, em seu consultório, que boa parte das mulheres não consiga acionar essa área. "Elas contraem os músculos das coxas, do ânus, da barriga, menos o períneo", diz.

Para a ginecologista Lilian Fiorelli, o primeiro passo é a consciência da musculatura. "Este é um assunto que deveria ser tratado entre médico e paciente já nas primeiras consultas ginecológicas. O autoconhecimento é muito importante". Em casa, o toque e o uso de um espelho podem ajudar. Colocar um dedo dentro da vagina e fazer a contração permite a percepção da área.

"No consultório, o toque e a observação nos ajudam a saber se a paciente tem esta noção de períneo, além de sabermos se musculatura está fortalecida", explica a médica. "Depois disso, recomendamos os exercícios mais indicados para cada paciente." O mais básico consiste em três séries de 15 repetições de contração por cinco segundos e relaxamento do músculo. A recomendação é sempre procurar um médico ou fisioterapeuta para a orientação sobre exercícios.

"Depois da minha gravidez e com o passar dos anos, comecei a notar que perdia algumas gotinhas de xixi quando malhava ou quando ria muito. Achava que era coisa da idade e não me sentia à vontade para dizer isso", conta a secretária Letícia Bertholdo, de 41 anos. Para evitar situações constrangedoras, ela passou a usar absorvente diariamente e retardou a procura de um especialista até perceber o aumento do volume de urina. "Falei para o meu ginecologista e fui encaminhada ao fisioterapeuta. Faço exercícios diariamente e agora já me sinto mais segurança", conta.

A vergonha feminina em assumir que tem o problema é a principal dificuldade para diagnóstico e fortalecimento da região do assoalho pélvico. "Elas, muitas vezes, associam a incontinência urinária ao volume de muito xixi perdido e à idade. Por isso, vão adiando a busca por ajuda de profissionais", afirma Andreia Oliveira.

Para ficar atento

Lacerações vaginais: são cortes na pele ou nos músculos ao redor da abertura vaginal e ocorrem, normalmente, no períneo. A principal causa tem relação com o parto vaginal e com o não preparo desta área para se estender e contrair no momento da passagem do bebê. Por isso, médicos e fisioterapeutas recomendam exercícios na musculatura durante a gravidez.

Incontinência urinária: a primeira coisa a entender é que não é normal perder urina ao fazer esforço físico, dar risada ou tossir. A perda involuntária de urina — mesmo que seja uma única gota — é, sim, incontinência urinária.

Incontinência urinária acomete mais as mulheres: uma das explicações é a constituição do corpo feminino, que possui duas aberturas — o hiato retal e o hiato vaginal — enquanto homens têm apenas o hiato retal. Isso torna o assoalho pélvico feminino mais delicado.

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