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Doenças oculares provocadas por vírus causam dores, inchaços e até cegam

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

26/10/2020 04h00

Se quem já teve conjuntivite, inflamação da conjuntiva, a membrana transparente que reveste a parte branca dos olhos, acha que essa foi a doença ocular mais incômoda e trabalhosa que teve em termos de cuidados, vai se surpreender ao saber que existem outras igualmente causadas por vírus e que podem ser tão ou ainda mais severas, desconfortáveis e recorrentes.

"Os vírus podem infectar qualquer tecido ocular. Portanto, causam inflamações, como ceratites [na córnea], esclerites [na esclera, parte branca dos olhos], retinites [na retina], neurites [nos nervos], entre outras", explica Leonardo Marculino, médico pela PUC-Campinas (Universidade Católica de Campinas) e oftalmologista do Hospital Cema, em São Paulo.

Recorrência pode ser pior do que intensidade

Mulher com olhos vermelhos, uveíte, conjuntivite - iStock - iStock
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Juliana Guimarães, oftalmologista pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e professora no Grupo Afya Educacional, explica que existe grande variação na intensidade das doenças virais e, em alguns casos, elas são tão leves que são imperceptíveis e cita como exemplo a conjuntivite, que só mais raramente acaba prejudicando a visão de forma permanente.

O problema fica mais sério quando os vírus, muitos deles até mesmo comuns nos humanos, encontram situações ideais de replicação. Em pessoas com depressão do sistema imunológico, como Aids ou alguns tipos de câncer, os danos causados podem ser rápidos e até irreversíveis.

"Há doenças, como a ceratite herpética, em que o problema não está na gravidade em si, mas na repetição dos episódios. Essa doença, razoavelmente comum, é causada pelo vírus herpes, o mesmo que causa lesões recorrentes nos lábios e genitais e, assim como nessas regiões, aparece de tempos em tempos e gradualmente piora o quadro, que pode se tornar tão grave que só um transplante de córnea é capaz de restabelecer a visão", esclarece Guimarães.

Vírus causam dores, inchaços e até cegam

Os sinais das doenças virais nos olhos variam de acordo com a região acometida. Na ceratite, por exemplo, é percebida geralmente uma piora da visão acompanhada de dor, que pode ser extremamente intensa e sentida também ao piscar ou mover os olhos de um lado para outro. Se não tratada, essa doença pode cronificar e evoluir para uma perfuração ocular e cegueira.

Vermelhidão ocular, desconforto com a luz (fotofobia), lacrimejamento excessivo e inchaço ou edema das pálpebras também são sintomas que merecem investigação. Em se tratando da retinite viral, a pessoa pode enxergar pontos pretos ou flutuantes, flashes luminosos ou ficar com a visão desfocada. Nas infecções intraoculares, também é comum a perda rápida ou gradual da visão que ocorre, muitas vezes, sem a presença de dor ou anormalidades visíveis.

"Tudo vai depender do agente causal. Algumas doenças se recuperam sem maiores sequelas, enquanto outras resultam em cegueira ou cicatrizes que levam a uma baixa de visão permanente", explica Lísia Aoki, oftalmologista do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

O que determina o agravamento das doenças?

De forma geral, o estado imunológico e o tipo do vírus. A idade não conta muito, a não ser pela prevalência das doenças, que podem ser mais comuns em uma determinada faixa etária que em outra. Crianças também não são necessariamente mais vulneráveis e suscetíveis a sintomas mais intensos. Já em adultos, a preocupação é se forem portadores de doenças, como lúpus, diabetes, hipertensão e outras que dificultam processos de cura ou cicatrização.

"Pacientes com sintomas mais leves também podem demorar a procurar ajuda médica, o que acaba resultando em consequências muito mais graves. Doenças oculares que causam cegueira irreversível, por exemplo, são completamente assintomáticas até que estejam extremamente avançadas", explica a professora e oftalmologista Juliana Guimarães.

Diagnóstico e tratamentos

Visita ao oftalmologista, câncer nos olhos - iStock - iStock
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Pela variedade de vírus e comportamentos diferenciados e complexos que apresentam, a recomendação do médico Leonardo Marculino é manter anualmente a consulta oftalmológica de rotina para que o médico possa fazer uma investigação cuidadosa e prescrever exames (testes, mapeamentos, ultrassonografias, tomografias oculares etc) e tratamentos.

"Em alguns casos, quando os exames de detecção são caros, não muito eficientes ou trazem riscos na sua aplicação, trabalhamos com deduções, pois sabemos quais microrganismos têm, estatisticamente, mais chances de serem os responsáveis", diz Guimarães, complementando: "Se houver melhora, sabemos que acertamos no diagnóstico, se não houver, partimos para outra hipótese e mudamos a medicação".

Quanto aos tratamentos, existem medicações que podem ser tomadas pela boca, como xaropes, cápsulas ou comprimidos, e outras administradas pela via endovenosa e até injetadas diretamente dentro dos olhos, além de colírios e pomadas.

Na maior parte dos casos, as doenças regridem rapidamente ou conseguem ser controladas, quando o vírus é incurável. Nesse processo, a recuperação também depende do organismo, que precisa estar saudável.

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