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Cor e estado dos olhos podem indicar problemas de saúde

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Imagem: iStock

Patrícia Beloni

Colaboração para VivaBem

29/09/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Olhos podem mostrar sinais de doenças que vão desde condições mais simples até problemas graves
  • Todos os sintomas devem ser avaliados por oftalmologistas para identificar o que está ocorrendo e encaminhar ao especialista correto

As cores dos olhos resultam da expressão de vários genes, portanto, segundo oftalmologistas, podem indicar predisposição genética de doenças. Além disso, os sintomas que os olhos podem apresentar podem ser indicativos de alguma condição do corpo.

Ainda que não seja consenso, estudos apontam que pessoas de olhos e pele claros têm maior predisposição para algumas doenças, como a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade) e alguns tumores oculares, como melanoma uveal. Eles também são mais sensíveis à luz e sentem mais incômodo.

Os olhos castanhos podem ter várias alterações como heterocromia (um olho de cada cor), e manifestações congênitas ou hereditárias relacionadas a síndromes raras. O risco das cores da íris mais escuras está em desenvolver catarata e glaucoma de ângulo aberto.

Manchas azuis

A esclera (parte branca do olho) e a córnea são formadas em grande parte por colágeno, que podem ficar azuladas depois de lesões, inflamações ou cirurgias, por terem cicatrizado de forma alterada.

O nome médico é nevus de ota, que é uma proliferação melanocítica, ou seja, excesso de células produtoras de melanina que existem várias partes do corpo. Mas essas manchas azuis também pode indicar a presença de algumas síndromes como:

  • Síndrome da osteogênese imperfeita (conhecida como ossos de vidro e tem a ver com a produção de colágeno, que em pouca quantidade causa fragilidade óssea);
  • Síndrome de Ehlers-Danlos (também relacionada com a síntese do colágeno);
  • Síndrome de Marfan (que prejudica o tecido conjuntivo, responsável pela sustentação e elasticidade do corpo);
  • Síndrome de Horner congênita (condição na qual o olho acometido é mais claro, tem pupila menor e discreta queda da pálpebra);
  • Síndrome de Waardenburg (condição hereditária rara que pode causar surdez e mudanças na coloração do cabelo, da pele e dos olhos).

Olhos vermelhos

Mulher com olhos vermelhos, uveíte, conjuntivite - iStock - iStock
Imagem: iStock

Existem diversas doenças que apresentam olhos vermelhos como um dos seus sintomas. As causas vão desde condições oftalmológicas mais simples, como alterações do filme lacrimal e alergias, ressecamento, conjuntivite, até infecções, uveítes, glaucoma, tumores.

Também podem indicar insuficiência renal, insuficiência hepática, levar a fragilidade dos vasos e alteração da coagulação, ocasionando pequenas hemorragias, que se apresentam como manchas vermelhas na superfície do olho.

Em algumas situações, podem ser um sinal do mau controle de problemas sistêmicos, como hipertensão arterial ou diabetes. Ou ainda podem ser decorrentes de degenerações ou cicatrizações da superfície ocular como o pterígio, que é benigno, ou lesões malignas como as neoplasias, sendo as mais graves os carcinomas, que são semelhantes a alguns cânceres de pele.

Olhos amarelados

Michael Jordan durante a série documental The Last Dance - Reprodução/Netlix - Reprodução/Netlix
Imagem: Reprodução/Netlix

Olhos e pele amarelados sugerem a presença de icterícia, condição na qual os níveis de bilirrubina no sangue estão aumentados. Entre as causas para esse aumento estão doenças do fígado e das vias biliares, reações adversas a medicamentos, infecções, anemias hemolíticas e até condições benignas como a Síndrome de Gilbert (quando o fígado não processa adequadamente a bilirrubina).

Ainda há pessoas que possuem uma maior pigmentação natural (melanina) que pode estar presente nos olhos e na pele, o que confere um tom levemente amarelado ou marrom. Nesses casos, a coloração é normal e não está associada ao aumento de bilirrubina no sangue.

Pintinhas nos olhos

Pintas ou lesões hiperpigmentadas (escuras ou marrons) na superfície do olho e da borda palpebral são muito comuns. Os nevus (pinta comum) e as melanoses raciais (acúmulo de melanina) são observadas já nas duas primeiras décadas de vida.

Mas assim como no restante do corpo, a presença de pintinhas nas pálpebras, conjuntiva, íris e no fundo do olho podem indicar tumores malignos e, em alguns casos, ainda sugerir a presença de doenças sistêmicas, como a neurofibromatose (conjunto de doenças genéticas que afetam as células auxiliares do sistema nervoso).

Manchas brancas

Manchas brancas na córnea, ou leucomas, acontecem em situações em que os mecanismos naturais que mantêm a córnea íntegra e transparente são prejudicados. Podem ter origem em inflamações, infecções, traumas, deformidades, distrofias genéticas, queimaduras e edema (inchaço). O uso incorreto e sem acompanhamento oftalmológico de lentes de contato é uma causa importante de infecções e traumas na córnea, por exemplo.

Nas úlceras infecciosas (uma ferida aberta na córnea), relativamente frequentes nesses usuários, a mancha branca em geral está associada a dor, secreção, olho vermelho e embaçamento visual. Já em portadores de ceratocone (inflamação na córnea) podem ocorrer lesões em camadas mais profundas da região, que levam à piora visual e lesão esbranquiçada por edema, geralmente indolor.

De forma menos frequente existem opacidades de córnea congênitas, como a anomalia de Peters (opacidade da córnea, que ocorre pela má formação do olho). Mas toda lesão de córnea necessita de exame, porém traumas, queimaduras e infecções requerem avaliação mais urgente para que evite-se piora do quadro e uma sequela ainda maior.

Anel branco

A presença de um anel esbranquiçado na periferia da córnea (que dá a ilusão de que a íris está ficando mais clara) é chamado de "arco senil" e é uma condição normal do envelhecimento, comum após os 60 anos, e não afeta a visão.

É um achado comum que afeta, em intensidades diferentes, de 20 a 35% da população. Nada mais é do que um depósito de gorduras na periferia da córnea. O arco em si não causa alterações visuais e acaba sendo assintomático.

Eventualmente, quando ocorre em indivíduos mais jovens, principalmente abaixo dos 50 anos, pode estar associado a desordens do metabolismo de gorduras, a aumentos nos níveis de colesterol e triglicérides, aterosclerose e alcoolismo.

Vasos sanguíneos (linhas vermelhas)

Alterações nos vasos da retina podem indicar que outros vasos do organismo também estão alterados e serem sinal de hipertensão arterial sistêmica ou diabetes descontrolados.

Mas há uma infinidade de doenças que podem causar alterações vasculares na retina, como alguns tipos de cânceres, como leucemias, outras doenças cardíacas, renais e AVC (acidente vascular cerebral), por exemplo. Raramente são exclusivas dos olhos ou congênitas, por isso é importante procurar um especialista para realizar a avaliação.

Pupila dilatada

David Bowie - Brian Aris/Brian Aris - Brian Aris/Brian Aris
Imagem: Brian Aris/Brian Aris

No centro da íris existe um orifício por onde passa a luz, a pupila. Se nosso olho fosse comparado a uma máquina fotográfica, a pupila seria o diafragma da máquina, que se abre e fecha para ajustar o foco e exposição à luz. Na íris existem músculos que regulam a abertura e fechamento da pupila, e são regulados pelos complexos nervos dos sistemas simpático e parassimpático. É um ajuste muito fino. Quando as duas pupilas estão em tamanhos diferentes, chamamos de anisocoria.

A presença dessa condição pode ser normal, mas também ter causas oculares, farmacológicas ou neurológicas. De forma mais direta, traumas, inflamações oculares, infecções e sequelas de cirurgias oculares podem causar uma atrofia direta na íris, lesando os músculos, e deixando a pupila mais aberta permanentemente, como o caso de David Bowie. Pode também ser resultado de crises de enxaqueca ou efeitos colaterais de medicações analgésicas, mas geralmente é passageiro.

Se ocorre abruptamente, é recomendada a avaliação em pronto-atendimento por um neurologista, pois pode ser um sinal de alerta de doenças graves, tais como sangramentos cerebrais, aneurismas, AVC ou tumores. Nesses casos, é comum também a visão dupla e desalinhamento dos olhos.

Olhos caídos

Olhos caídos podem ser uma condição presente desde a infância, como em casos de ptose congênita (má formação da pálpebra), miastenia (falha de comunicação entre os nervos e os músculos.), ou ainda estar associada a doenças orbitárias ou neurológicas, como a Síndrome de Horner (interrupção do trajeto dos nervos de um lado do cérebro até o rosto e os olhos).

No entanto, os olhos caídos estão mais comumente associados ao envelhecimento natural, que leva à frouxidão dos ligamentos na região palpebral bilateralmente —o que pode ser corrigido com intervenções cirúrgicas. Daí também a importância da avaliação médica para verificar se há necessidade da investigação de doenças associadas.

Pode ainda ser uma ptose "falsa", e ser gerada por fatores de confusão, como estrabismos, espasmos musculares, pálpebra anatomicamente diferente, excesso de pele palpebral, ou a pálpebra do outro olho estar anormalmente levantada, deixando a impressão que a outra está caída.

Olhos saltados

Olhos salientes - Springer Science/Business Media - Springer Science/Business Media
Imagem: Springer Science/Business Media

O nome mais técnico para os olhos saltados é exoftalmia ou proptose. Algumas pessoas têm o olho um pouco maior ou as pálpebras levemente mais abertas, dando a impressão de olhos mais proeminentes. Na dúvida consulte um médico oftalmologista.

A causa mais comum dos olhos saltados é a Orbitopatia de Graves, uma doença autoimune associada a distúrbios da tireoide, que causa alterações na gordura e até nos músculos de ambos os olhos. No caso de apenas um olho saltado (proptose unilateral), pode ser um tumor ou doença vascular. Se esse aumento unilateral acontecer de forma rápida, associado a outros fatores como dor, perda de visão e paralisia ocular, o paciente deve ser avaliado em caráter de urgência, pois pode ser necessário tratamento cirúrgico rápido.

Olhos secos

Olho seco é uma condição multifatorial muito frequente na população, na qual a lágrima é deficiente ou apresenta evaporação excessiva. Está associada a fatores como envelhecimento, alterações hormonais, poluição, alergias, inflamações, lesões e cirurgias oculares prévias. Em casos mais graves, deve-se pesquisar também doenças reumatológicas associadas.

Pode ser ainda efeito colateral de uso de medicações, como antidepressivos e medicações para acne, ou ainda do uso de lente de contato. Na maioria dos casos, cuidados simples como lubrificação e higiene da borda palpebral, assim como mudanças de estilo de vida, já trazem grande alívio dos sintomas. Medicações e tratamentos mais específicos serão usados nos casos mais graves, e resistentes a tratamento simples.

Pálpebra inchada

Entre as causas mais comuns de inchaço na região palpebral estão infecções localizadas —como no caso do hordéolo (terçol), tratado facilmente com antibiótico tópico, ou ainda reações alérgicas. A alergia mais frequentemente é bilateral, há prurido, sem dor, e a melhora é rápida após correta medicação. O hordéolo mais frequentemente é apenas em uma porção da pálpebra, há dor local, e melhora mais lenta, podendo ser necessário procedimento cirúrgico em casos mais extremos.

Além dessas duas patologias, quaisquer doenças que causem uma inflamação e retenção de líquidos nos tecidos palpebrais, causará o inchaço. Se ocorre uma infecção mais extensa na pele da pálpebra, define-se como celulite, que deve ser tratada o quanto antes com antibióticos e acompanhamento médico, pois seu avanço pode levar a risco de vida. Infecção na pele das pálpebras e no globo ocular pelos vírus herpes simples ou herpes zoster também pode ocorrer, causando edema, dor e muitas vezes inflamação ocular associada.

Situações de trauma na face também podem ser responsáveis por edema na região. Alguns tipos de doenças renais e doenças cardíacas também e casos mais extremos de doença da Orbitopatia de Graves. Entretanto, devem ser diagnosticados por um médico especialista. Se o indivíduo apresentar inchaço em ambos os olhos, associado a falta de ar, trata-se de uma situação de emergência.

Visão embaçada

vista embaçada, problema de visão - iStock - iStock
Imagem: iStock

Visão embaçada é um dos maiores sinais de alerta oftalmológico e deve ser prontamente avaliada por um profissional. Pode significar desde uma simples alteração do grau dos óculos até doenças neurológicas ou de retina, podendo estar também associada a níveis altos de glicemia no sangue em pacientes diabéticos, devido ao acúmulo de líquido no cristalino. Podem levar a hemorragias, descolamento da retina e glaucomas. Mas apenas uma consulta oftalmológica completa poderá determinar a causa do embaçamento.

Pontos flutuantes

Problema nos olhos - moscas volantes - Di Vasca/Arte VivaBem - Di Vasca/Arte VivaBem
Imagem: Di Vasca/Arte VivaBem

A visão de pontos flutuantes (ou moscas volantes) está associada à presença de opacidades no humor vítreo, substância que preenche a maior parte do globo ocular, principalmente a parte posterior (entre o cristalino e a retina). É composto de água e colágeno e quando ele encolhe, pode se soltar da rotina e o seu movimento causa a percepção dessas manchas, que podem parecer fios de cabelo ou teias de aranha. Pode estar relacionada com o envelhecimento, mas também por fatores como miopia, traumas, inflamações ou hemorragias.

Apesar de frequentemente ser uma condição benigna, pode ser um fator de risco para a presença de roturas retinianas, que são lesões que podem levar ao descolamento de retina, porque podem causar hemorragias. Portanto, em caso de visão de pontos flutuantes intensos, com flashes de luzes, sombras, deve-se procurar um profissional para exame da retina.

Quando procurar um médico

Percebendo algum dos sintomas apontados, é necessário procurar um oftalmologista para verificar a situação e indicar um tratamento ou mesmo a busca de outro especialista. As situações emergenciais como alterações neurológicas súbitas, choque anafilático ou proptose dolorosa com paralisia ocular exigem que o paciente procure um pronto-atendimento. É recomendado realizar consultas periódicas com um oftalmologista anualmente, mesmo sem notar alterações.

Fontes: Aline Couto Carneiro, oftalmologista da rede Dr. Consulta; Omar Assae, oftalmologista do Hospital CEMA (SP); Tiago Rodrigues Batista, oftalmologista do Hospital 9 de Julho (SP; e Thaís Vera Monteiro, oftalmologista da clínica HCLOE Oftalmologia Especializada (SP).

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