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"Pedir ajuda é sinal de força": como cuidar da saúde mental dos jovens

Do VivaBem, em São Paulo

15/10/2020 17h58

Nesta quinta-feira (15), foi ao ar o terceiro painel da Semana da Saúde Mental VivaBem, que discutiu como anda a saúde mental dos jovens e o que a família, os amigos, tutores, responsáveis podem fazer para ajudá-los.

Devido à montanha russa emocional da adolescência, os jovens já são vistos com maior hostilidade pelos adultos, o que traz mais isolamento e até vergonha ou medo de verbalizar que algo não vai bem. Segundo o psiquiatra Daniel Barros, como nessa fase há uma maior negação dos valores dos pais, qualquer demonstração da parte do adolescente de que há algo de errado, seja ela verbal seja por ações, pode gerar reação de hostilidade dos adultos.

"Essas conversas de ajuda podem escorregar para uma conversa de acusação, de apontamento de dedos. Se você quer ajudar seu filho, vai desarmado. Se você for xingado, absorva o golpe, porque você está entrando nesse diálogo para oferecer ajuda, e não para rebater", diz o especialista. Ele sugere abordagens do tipo: "Acho que você está sofrendo e queria te ajudar a encontrar esse cuidado". "O jovem não tem o livrinho do convênio. Vai pedir ajuda, mas isso não é sinal de fraqueza, é sinal de força. Essa fresta que se abre quando o pai oferece ajuda ou o filho a pede pode resgatar muita gente".

A psicóloga Sandra Quero disse que os adultos geralmente têm uma visão de que o jovem ou adolescente não precisa mais de ajuda. "Há uma confusão na mente do adulto. Quando se é criança, o adulto a vê como vulnerável e cuida mais dela. Mas quando ela cresce, faz seus 13 anos, é como se viesse uma mensagem de que ela não precisa mais de cuidado, mas não é assim".

Quero ressaltou que o responsável precisa estar próximo, para perceber alterações de comportamento e saber quando buscar ajuda profissional. "E quando o adulto nota que precisa fazer alguma interferência sobre o comportamento do jovem, ele deve fazê-la de maneira amorosa, e não agressiva. Só quando está muito grave que é necessário algo mais cirúrgico, por assim dizer, mas ainda com cuidado. Precisa alertar, mostrar evidências do que esta acontecendo com ele", disse.

De acordo com ela, a criança tem prazer espontâneo com as coisas, mas isso é perdido na transição para adolescência. É aí que entra o papel do adulto em dar referências que ensinam formas saudáveis de prazer. "É papel dos responsáveis apoiar e estar junto".