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CoronaVac tem segurança 'excelente', diz Dimas Covas após teste com 50 mil

Diretor do Instituto Butantan apresentou detalhes de testes clínicos realizados na China - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Diretor do Instituto Butantan apresentou detalhes de testes clínicos realizados na China Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Felipe Pereira, Patrick Mesquita e Rafael Bragança

Do VivaBem, em São Paulo

23/09/2020 13h18

O governo de São Paulo anunciou hoje os resultados de um amplo teste clínico realizado na China com a CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Baseado no estudo feito com 50.027 pessoas, o diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que o relatório de segurança da vacina mostrou um perfil "excelente".

Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com a presença do governador João Doria (PSDB), os detalhes dos testes clínicos de fase 3 da CoronaVac foram apresentados por Dimas Covas. Para ele, o estudo teve resultados esperados, mesmo diante de uma pequena porcentagem de pessoas com efeitos adversos.

"Absolutamente dentro do esperado para uma vacina. Conclusão: uma vacina que tem um excelente perfil de segurança, testado em 50 mil voluntários", disse o diretor do Butantan.

Os efeitos adversos foram observados em 5,36% dos voluntários. Os mais frequentes foram dor no local da aplicação da vacina (3,08%), fadiga (1,53%) e febre (0,21%). Somente 0,03% tiveram efeitos mais graves como perda de apetite, dor de cabeça e febre acima de 38,5 graus. Além disso, as reações foram observadas em apenas quatro voluntários, com sete efeitos adversos diferentes relatados.

"Além de segura, a CoronaVac está se mostrando extremamente eficiente", afirmou Doria. "Torço para que outras vacinas possam ser testadas, aprovadas e aplicadas aos brasileiros", acrescentou o governador paulista, reforçando que a previsão do governo paulista é iniciar a vacinação no estado ainda em dezembro.

Sobre os testes da CoronaVac no Brasil, Dimas Covas afirmou que os resultados de eficácia poderão ser analisados a partir de 15 de outubro. Atualmente, segundo o governo paulista, mais de 5.600 pessoas já foram vacinadas de um total de 9 mil voluntários, todos profissionais de saúde.

Representante da Sinovac vacinado

Na entrevista de hoje, as autoridades paulistas contaram com a companhia de um representante do laboratório chinês que desenvolve a CoronaVac. Xing Han, chefe para a América do Sul da Sinovac, disse que já foi vacinado com o imunizante que ainda está sendo testado.

"Até agora não senti nada, não tenho dor de cabeça, febre, nada", afirmou Xing Han. "Posso sinceramente te falar que depois de tomar essa vacina, chegando no Brasil, me sinto muito tranquilo", completou o representante da Sinovac.

Xing Han também exaltou a experiência do laboratório chinês no desenvolvimento de imunizantes.

"A Sinovac sempre ficou à frente diante desse vírus (novo coronavírus). Em 2004, fomos os primeiros nos testes clínicos para a Sars (doença causada pelo primeiro coronavírus identificado, em 2002). Em 2009, fomos os primeiros a registrar uma vacina para a H1N1 (influenza). Estamos confiantes tanto para a segurança quanto para a eficiência", afirmou.

"Daqui a um ou dois meses já sairão os resultados da fase 3. Nossa equipe vai trabalhar para garantir o fornecimento de 46 milhões de doses e chegar até 60 milhões de doses para São Paulo", disse Xing Han, em referência às intenções do governo paulista de ter 60 milhões de doses da CoronaVac disponíveis até o fim de fevereiro do ano que vem.

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