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Câncer no peritônio, como de Dudu Braga, geralmente é fruto de metástase

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

18/09/2020 14h32

Dudu Braga, filho de Roberto Carlos, contou essa semana aos seus seguidores no Instagram que está lutando contra mais um câncer —o terceiro—, dessa vez, no peritônio. Ele descobriu a nova doença fazendo exames de rotina.

"Já comecei meu tratamento na última terça-feira (15), tem mais nove semanas pela frente. Vamos começar com a quimioterapia e vamos embora. Estamos juntos e seguimos em frente", disse.

"O peritônio é uma membrana que recobre os órgãos da cavidade abdominal e pode ser sítio de tumores primários ou metastáticos, que são células malignas de outros órgãos que se instalam e crescem no peritônio", explica João Siufi Neto, cirurgião oncológico nos Hospitais São Luiz Itaim, BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo e na Clínica Medicina da Mulher.

A membrana produz uma secreção que faz com que os órgãos ali presentes deslizem uns sobre os outros sem machucá-los. Tumores primários no peritônio, chamado de mesotelioma, que realmente nascem nesse órgão, são raros, e acometem em torno de 5 pacientes a cada 100 mil habitantes.

É bem mais frequente que ele seja secundário, isto é, que atinja primeiro outros órgãos como estômago, intestino, pâncreas, cólon, ovário e depois se dissemine para a cavidade abdominal, aí chamado de carcinomatose peritoneal. Esse é o caso de Dudu Braga.

Os sintomas desse tipo de câncer são muito variados e dependem da localização e do volume de lesões. Portanto, o paciente pode não ter nenhum sintoma ou apresentar um aumento de volume abdominal e, em casos mais severos, uma obstrução do trânsito intestinal, entre outras complicações decorrentes.

O tratamento é individualizado e varia conforme o tamanho do tumor. Contudo, é muito importante identificar a origem, se primário do peritônio ou se metastático, porque isso é o que vai determinar os próximos passos.

"Por exemplo, se uma pessoa tem um câncer de estômago e está agora com uma metástase no peritônio, o tratamento é voltado para o câncer de estômago, por que ele está no peritônio, mas não nasceu lá", explica Ricardo Carvalho, oncologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em geral, é possível fazer uma cirurgia para a retirada dos tumores (citorredução completa) e também um tratamento local com quimioterapia hipertérmica —aplicação de medicamento quimioterápico aquecido dentro da cavidade abdominal.

"É importante avaliar se o paciente apresenta condições para um procedimento de grande porte e se as lesões são passíveis de ressecção", alerta Neto.

Os tumores que nasceram no peritônio, geralmente, têm uma chance de cura muito maior. "Agora, quando a doença no peritônio é fruto de uma metástase com a disseminação de outro tumor, a situação é diferente. Mas, mesmo sendo um tumor raro e fruto de uma metástase, existe a perspectiva de cura em casos selecionados", afirma Carvalho, e ele ainda ressalta que não é possível definir a duração do tratamento.

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