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Dimenstein morre por câncer de pâncreas; diagnóstico demorado agrava quadro

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

29/05/2020 11h18

O escritor e jornalista Gilberto Dimenstein morreu, aos 63 anos, nesta sexta-feira (29), em decorrência de um câncer que começou no pâncreas e teve metástase para o fígado.

Em entrevista ao UOL em março, Dimenstein disse que seu quadro era grave. "Retirei um tumor do pâncreas, que estava muito no início, e achei que estava curado. Três semanas depois, soube que estava com metástase no fígado. Fiz quimioterapia, mas o câncer só cresceu. Tentei um segundo tipo de químio, e também não adiantou."

Apesar dos fortes efeitos colaterais da doença e dos tratamentos, o jornalista contou ter ressignificado a experiência com o câncer. "Estou com uma sensação de última chance e por isso estou me entregando. A vida de quem descobre um câncer vira um inferno. Escolhi ter essa experiência de outro jeito. Estou vivendo uma história de amor, por causa do câncer, com a minha mulher. A mulher com quem eu vivo há 20 anos. Nunca tive com ela a intimidade que tenho agora", disse.

O que é o câncer de pâncreas?

Os tumores de pâncreas mais comuns são do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. A maioria dos casos afeta o lado direito do órgão (a cabeça). As outras partes do pâncreas são corpo (centro) e cauda (lado esquerdo).

Por ser uma doença agressiva e difícil detecção, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade. No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por esse quadro.

Raro antes dos 30 anos, torna-se mais comum a partir dos 60 anos e a incidência é mais significativa em homens.

O que aumenta o risco?

Dentre os fatores de risco não hereditários, alguns hábitos e quadros que aumentam as chances de desenvolver a doença, são:

  • tabagismo
  • obesidade
  • inatividade física
  • consumo excessivo de álcool
  • diabetes mellitus
  • pancreatite crônica não hereditária

Além disso, síndromes de predisposição genética como câncer de mama e de ovário hereditários associados aos genes BRCA1, BRCA2 e PALB2, Síndrome de Peutz-Jeghers e a Síndrome de pancreatite hereditária têm associação ao câncer de pâncreas.

Dimenstein foi um "ponto fora da curva"

O tumor de pâncreas costuma aparecer em pessoas diabéticas, fumantes e obesas —tudo o que o escritor não era.

"Sou um péssimo caso de educação contra esse câncer. Faço musculação, ando de bicicleta, não bebo há seis anos, não fumo, não uso droga. Devia ter uma saúde de vaca premiada. Os médicos dizem que esse câncer era coisa de gente com 80 anos, e que agora estão vendo uma epidemia em pessoas mais jovens, como eu. Eles acham que tem a ver com o estresse da vida moderna", afirmou o jornalista na entrevista ao UOL.

Como prevenir o câncer de pâncreas

A melhor forma de se prevenir do câncer de pâncreas é assumir um estilo de vida saudável.

Além de evitar a exposição ao tabaco da forma ativa e passiva, praticar atividades físicas regularmente e manter uma alimentação saudável, evitando ingestão de álcool, contribuem para manter nível de gordura corporal adequado e evitar o sobrepeso e a obesidade, fatores de risco para desenvolver diabetes, que também aumenta o risco para câncer de pâncreas.

*Com informações do Inca (Instituto Nacional de Câncer) e do Hospital Albert Einstein

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