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É normal a pele ficar mais fina com a idade; saiba quais cuidados tomar

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Imagem: iStock

Paula Roschel

Colaboração para VivaBem

07/08/2020 04h00

Resumo da notícia

  • A pele começa a perder colágeno a partir dos 30 anos
  • Excesso de sol, tabagismo e falta de hidratação fazem com que a pele perca saúde de forma mais acelerada
  • Consultas periódicas com um dermatologista, principalmente para uma checagem de pintas que podem virar câncer, e cuidados diários são necessários

Quando queremos elogiar a cútis de uma pessoa é comum usarmos o termo "pele de bebê". No início da vida, ainda em seus primeiros anos, temos textura, cor e qualidade de pele como nunca. É o momento de nossa existência com grande concentração de colágeno, proteína responsável pelo bom aspecto da área, em estrutura e viço.

Com o passar dos anos, mais precisamente a partir da nossa terceira década de vida, começamos a sentir o nosso maior órgão do corpo mudar. A pele, do corpo e do rosto, vai ficando mais flácida e com linhas. Quando alcançamos a terceira idade ela chega a ficar bem fina, o que pode ocasionar feridas, infecções e coceira. Mas como evitar esses e outros problemas adquiridos com o passar do tempo?

Os motivos do afinamento

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Maus hábitos, como fumar, prejudicam a pele
Imagem: porpeller/Getty Images/iStockphoto

A pele fica mais fina quando somos idosos porque ela passa por uma importante redução na espessura da epiderme (sua camada mais superficial) e, principalmente, da derme (camada intermediária), com o passar dos anos.

Tais processos ocorrem pela diminuição da densidade de fibras elásticas e de colágeno. Isso se dá por diversos fatores, como envelhecimento e maus hábitos —tais como excesso de consumo de álcool e tabagismo. Como consequência, a pele apresenta um aspecto mais fino e com tendência a ter mais machucados e manchas. É comum aparecer pontos arroxeados em braços e pernas de idosos, chamados de púrpuras.

Entre as mulheres, a diminuição dos hormônios estrogênio e progesterona, após a menopausa, também impulsionam a degradação do aspecto jovem e íntegro da pele.

Todo mundo passará por isso

O envelhecimento cutâneo é bem democrático, ou seja, todas as pessoas que envelhecerem vão observar a mudança da densidade da pele. Só que algumas pessoas, principalmente as que se expõe mais a fatores extremos, como radiação solar, poluição e tabagismo, tendem a apresentar tais alterações de forma mais intensa e acelerada.

Como evitar?

A fotoproteção realizada de maneira correta —uso de protetor solar—, uma boa alimentação e ingesta adequada de água são as medidas mais eficazes contra o envelhecimento cutâneo. Tais hábitos precisam fazer parte ao longo da vida e não apenas serem feitos quando a idade chegar.

Cuidados diários

Mulher passa creme no rosto; hidratante; beleza - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

O cuidado fundamental para manter a pele do idoso com saúde e integridade é a hidratação. Por ser uma estrutura mais ressecada e frágil, se não estiver nutrida ficará ainda mais predisposta a feridas, infecções e incômodos, como coceiras e repuxamentos.

O ideal é que o idoso tome, no máximo, dois banhos por dia, com sabonetes mais hidratantes e indicados para pele sensível. É importante também aplicar creme corporal e facial assim que sair do chuveiro.

Manter as unhas bem cortadas e lixadas também é um passo interessante para que o idoso não se machuque com facilidade. É importante não retirar a cutícula das unhas dos idosos, pois, mais do que nunca, a estrutura serve como proteção para a área que já é mais fragilizada por conta da idade.

Secar bem os pés e entre os dedos dos pés, para evitar a proliferação de fungos, também deve ser rotina do idoso ou seu cuidador.

No chuveiro

Os banhos quentes favorecem o ressecamento da pele, o que é péssimo para a pele do idoso. Eles devem ser evitados. O ideal são banhos mornos e não muito prolongados. Médicos também desaconselham o uso de bucha vegetal, pois além de agredir a pele ela ajuda a retirar a proteção natural da área.

Produto dermocosmético

Os hidratantes mais indicados para os idosos são aqueles com substâncias que são umectantes e ajudam a restaurar a barreira de proteção natural da pele, como glicerina, ceramidas, pantenol, ureia, lactato de amônio e manteiga de karité. Os óleos vegetais dermocosméticos são ideais para áreas mais ressecadas, como joelhos, cotovelos e pés.

O hidratante deve ser aplicado todos os dias, no mínimo duas vezes ao dia, sendo que o momento mais importante é assim que sair do banho, nos primeiros três minutos e com a pele ainda úmida. Assim dá para reter água na camada mais superficial da pele e restaurar a barreira lipídica.

Problemas de saúde

A pele do idoso é mais predisposta a desenvolver dermatites, principalmente se estiver mais ressecada e sensível. Outros problemas de saúde comuns entre idosos são as infecções fúngicas, as ceratoses seborreicas (lesões escuras elevadas), ceratoses actínicas (lesões decorrentes da exposição solar), prurido (coceira), câncer de pele do tipo basocelular e espinocelular, ressecamento e manchas senis.

As ceratoses actínicas são lesões pré-cancerígenas e devem ser tratadas antes de se transformarem em cânceres de pele, por isso a prevenção é tão importante.

Atenção redobrada

É importante, para o idoso ou seu cuidador, monitorar a pele periodicamente. Se aparecer uma lesão de pele que o idoso não sabe como surgiu ou se alguma lesão antiga mudar de forma ou sangrar, é necessário avaliação médica.

Um dermatologista é o especialista ideal para o caso. Se alguma área do corpo ficar mais vermelha ou quente o idoso também deve procurar atendimento médico o quanto antes.

Colágeno hidrolisado

Muitos idosos se interessam pelo uso oral de colágeno hidrolisado, buscando melhorar o aspecto da pele. Os estudos a respeito da reposição de colágeno oral para melhora do colágeno da derme, entretanto, são inconsistentes e os médicos não chegam a um consenso a respeito.

Na verdade, manter uma alimentação adequada, com o aporte equilibrado de proteínas, e proteger a pele contra a radiação ultravioleta são as medidas mais eficientes para preservar o colágeno dérmico.

Exames periódicos

As consultas com o dermatologista devem ser anuais, no mínimo, para que lesões pré-cancerosas ou cânceres de pele em fase inicial sejam detectados de maneira precoce e o tratamento iniciado o mais rápido possível, seja para idosos ou adultos.

Além disso, é na consulta que o médico irá orientar quanto aos cuidados básicos e examinar o corpo todo em busca de outros problemas, como infecções por fungos. É sempre bom ficar de olho nas pintas, para saber se elas alteram forma ou cor, podendo indicar também o início de problemas mais sérios, como o câncer.

Banhos de sol

Mulher tatuada tomando sol na praia - jacoblund/iStock - jacoblund/iStock
Imagem: jacoblund/iStock

Como trata-se de uma pele com fotoenvelhecimento, os cuidados com a proteção solar são fundamentais para os idosos, sob o risco de aparecimento de lesões cancerígenas e piora do dano ao colágeno. Especialistas da área da saúde dermatológica recomendam o uso de protetor solar, com FPS de no mínimo 30, que deve ser aplicado cerca de 20 minutos antes de sair ao sol.

Para a produção de vitamina D, se expor ao sol poucos minutos por dia, mantendo braços e/ou pernas expostas, já é suficiente para a conversão de pró-vitamina D em vitamina D. Em caso de baixos níveis de vitamina D é necessário procurar um especialista e analisar a necessidade de reposição via oral.

Fontes: Adriana Cairo, dermatologista preceptora da área de dermatologia no Complexo Hospitalar Heliópolis (SP); André Braz, dermatologista membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), professor de cosmiatria do serviço de dermatologia da Policlínica Geral do RJ e autor do livro "Atlas de Anatomia e Preenchimento Global da Face"; Fabiana Seidl, dermatologista com título de especialista pela SBD e Flávia Ravelli, dermatologista da SBD.

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