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Negros têm maior risco de contrair e apresentar casos graves de covid-19

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Colaboração para VivaBem*

09/07/2020 17h52

Dois estudos publicados dias atrás mostraram que os negros têm maior risco de contrair a covid-19 e também a versão mais grave da doença. O primeiro é uma pesquisa concluída pela University of Chicago, nos EUA, e divulgada pelo jornal Annals of the American Thoracic Society no dia 1º. A pesquisa mostrou como os negros correm mais riscos de contrair a covid-19 do que os brancos.

De acordo os dados coletados, a maioria dos negros geralmente trabalha em serviços considerados essenciais, como motoristas de ônibus, zeladores, funcionários públicos de saneamento básico, seguranças, entre outros. Por isso, eles continuaram trabalhando normalmente durante a pandemia e acabaram ficando mais expostos ao novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Além disso, os negros têm quadros de saúde relacionados à manifestação mais graves da covid-19. "Já sabemos que as comorbidades comuns associadas à covid, como hipertensão e diabetes, afetam desproporcionalmente a comunidade negra. Portanto, não era de surpreender que ela parecesse afetar mais comumente indivíduos negros também", disse Ayodeji Adegunsoye, autor do estudo e professor assistente de medicina da University of Chicago.

Foram testadas 4.413 pessoas, sendo a maioria com 45 anos. No entanto, os infectados tinham, em média, 52 anos de idade. Os resultados mostraram que 17,8% apresentaram resultados positivos para a doença, mas apenas 9,6% eram brancos, contra 78,9%, que eram negros.

Estudo na Nature

O outro estudo feito com mais de 17 milhões de pessoas na Inglaterra e publicado dia 8 pela prestigiada revista Nature, também confirma que pessoas negras e do sul da Ásia são as mais suscetíveis ao coronavírus. O estudo também apontou outros fatores que elevam a chance de infecção por covid-19, como a idade, condições de saúde e pertencer a uma minoria étnica.

Os pesquisadores usaram registros de saúde de cerca de 40% da população da Inglaterra, o que corresponde a 17.278.392 pessoas. Desse total, foram registradas 10.926 mortes, ou por covid-19 ou por complicações relacionadas à doença.

Por fim, os pesquisadores concluíram que a idade ainda é o principal fator que leva as pessoas à morte nos casos de covid-19. Os riscos aumentam mais para idosos acima de 80 anos, seguidos dos pacientes com obesidade, diabetes, asma grave e doença cardiovascular.

No Brasil não é diferente

No Brasil, os negros também são os mais atingidos pela covid-19. Esta é a constatação de uma nota técnica assinada por 14 pesquisadores do NOIS (Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde) da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), em que foram analisados 29.933 "casos encerrados" de covid-19 —ou seja, com óbito ou recuperação.

Dos 8.963 pacientes negros internados, 54,8% morreram nos hospitais. Entre os 9.988 brancos, a taxa de letalidade foi de 37,9%. Isso significa que mais da metade dos negros que se internaram em hospitais no Brasil para tratar casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), com confirmação de covid-19, morreu.

Em São Paulo, por exemplo, um relatório da Rede Nossa São Paulo também aponta os negros como sendo os mais atingidos pela pandemia. Três dos bairros que elencam o maior número de mortes por covid-19 em São Paulo (Jardim Ângela, Grajaú e Capão Redondo) estão também entre os oito distritos com maior número proporcional de população preta e parda na cidade.

O estudo ressaltou que a moradia também é um fator determinante: os distritos que mais possuem favelas em relação ao total de domicílios concentram mais vítimas do que os bairros que não registram moradia irregular.

*Com informações de reportagens publicadas nos dias 02/06 e 24/06.

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