PUBLICIDADE

Topo

VivaBem

Vacina produzida em SP testará 9 mil e pode estar disponível em 2021

De Viva Bem

11/06/2020 12h43Atualizada em 11/06/2020 19h05

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), explicou hoje o acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac Biotech para a produção de uma vacina para a covid-19, que prevê teste em nove mil voluntários brasileiros. Caso comprove eficácia, a medicação pode estar disponível no primeiro semestre de 2021.

"O acordo prevê a participação de São Paulo na realização de testes clínicos desta vacina, com o acompanhamento de nove mil voluntários brasileiros a partir do próximo mês de julho — dentro, portanto, de três semanas, nove mil voluntários já estarão sendo testados aqui no Brasil", disse o governador em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

"Comprovada a eficácia e a segurança da vacina, o Instituto Butantan terá o domínio da tecnologia, e a vacina poderá ser produzida em larga escala no Brasil pelo próprio Butantan para fornecimento ao SUS de forma gratuita até junho de 2021", acrescentou.

A vacina já passou pelas fases 1 e 2 de testes e contou com a participação de quase mil voluntários na China. A terceira fase será realizada em São Paulo.

"O mundo contabiliza hoje mais de 100 vacinas em desenvolvimento, vacinas contra o coronavírus. Mas apenas 10 atingiram a fase final de testes em humanos. A vacina do Instituto Butantan é das mais avançadas contra o coronavírus. E os estudos indicam que ela estará disponível no primeiro semestre de 2021 — ou seja, até junho do próximo ano. E com esta vacina, nós poderemos imunizar milhões de brasileiros", declarou o governador.

"É a esperança que nos dá força para lutar por um futuro melhor. Esta vacina é nossa esperança e nossa fé", acrescentou mais tarde. Depois, em entrevista à CNN Brasil, Doria citou a possibilidade de comercialização da vacina até antes.

"Esta ação começa agora com os testes com 9 mil voluntários. Deverá terminar até dezembro e o processo de aprovação final e comercialização em março, abril e até junho deverão estar disponibilizadas", afirmou.

O governador ainda disse que a parceria viabilizará a produção em larga escala. "Butantan é um dos quatro maiores produtores de vacinas do mundo. Está estruturado, porque é primeiro mundo. Entra no mundo da tecnologia no instituto Butantan. Alta tecnologia. Por isso que mantém acordos com laboratórios chineses, japoneses, americanos. Em relação à fase 3, vamos terminar os testes antes, provavelmente em março. Na sequência, a produção industrial, que será feita em SP e na China. Ambos estarão produzindo. Brasil poderá suprir a China e a China poderá suprir o Brasil. Podemos testemunhar, salvo se tivermos uma situação inesperada da ciência, acho difícil que tenhamos situação de impropriedade nos próximos meses, em 12 meses, já teremos a vacina disponibilizada gratuitamente para todos os brasileiros", afirmou.

Vale destacar que a vacina em parceria com a Sinovac Biotech não é a primeira em avaliação no Brasil. Os testes em humanos de projeto da Universidade de Oxford com uma empresa italiana de biotecnologia, já anunciados, serão realizados no Brasil a partir de 15 de junho.

Contrato firmado ontem

O político tucano afirmou que o contrato que formaliza o acordo foi assinado ontem, no Instituto Butantan. O anúncio foi feito na manhã de hoje, em uma postagem feita pelo governador em uma rede social, e confirmado em entrevista coletiva.

Segundo Doria, o acordo entre o Instituto Butantan e o Sinovac Biotech teve início no segundo semestre do ano passado, quando São Paulo abriu um escritório em Xangai, na China. O governador classificou o dia de hoje como "histórico para a ciência, a medicina e a saúde do Brasil".

De acordo com Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e também signatário do acordo, o Estado de São Paulo investirá cerca de R$ 85 milhões na pesquisa.

"Não é certeza de que vai funcionar. Mas ela não entra na fase 3 sem ter resultados das outras fases", explicou Covas na coletiva. "Ela chega a um desafio de campo. Vamos ver se protege, se é efetiva. Se isso acontecer, estaremos com a vacina na mão. Quando chega nessa fase, significa que teve um grande investimento nas anteriores."

VivaBem