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Mulher tem intoxicação e vai para a UTI após tomar dose absurda de cafeína

Uma mulher na Inglaterra sofreu intoxicação após consumir 20 g de pó de cafeína; no Brasil, suplementos com a substância podem conter no máximo 200 mg por dose  - iStock
Uma mulher na Inglaterra sofreu intoxicação após consumir 20 g de pó de cafeína; no Brasil, suplementos com a substância podem conter no máximo 200 mg por dose Imagem: iStock

Do VivaBem

24/05/2020 16h17

Presente no café, no chá-verde, no chocolate, em refrigerantes, energéticos e suplementos para atletas, a cafeína é uma substância segura e muito consumida no dia a dia devido ao seu poder estimulante. No entanto, o composto também pode gerar irritação, prejudicar o sono, alterar os batimentos e causar danos sérios ao organismo. Por isso, como qualquer estimulante, não deve ser ingerida em excesso.

E um relatório publicado no periódico científico BMJ Case Reports mostra o quão perigoso pode ser ingerir altas doses de cafeína. O artigo relata o caso de uma mulher inglesa, de 26 anos, que foi internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) após consumir intencionalmente 20 g de pó de cafeína "pura" —quantidade equivalente a beber cerca de 50 xícaras de café de uma só vez. Para pessoas saudáveis, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) considera seguro o consumo diário de até 400 mg de cafeína (ou cinco xícaras de café).

Segundo o FDA (Food and Drugs Association) uma dose de 1 a 2 gramas da substâncias já pode causar uma intoxicação grave no organismo, gerando efeitos como taquicardia, desorientação, alucinações e quebra do tecido muscular. Já quantidades próximas a 5 g podem levar à morte.

Quando chegou ao hospital, a paciente inglesa apresentava frequência cardíaca em repouso elevada (109 batimentos por minuto), pressão arterial baixa, palpitações e dificuldade para respirar. Um eletrocardiograma detectou que ela sofria de taquicardia ventricular polimórfica, enquanto outros exames identificaram acidose metabólica, um grave distúrbio eletrolítico no qual o ácido se acumula no corpo.

Após receber eletrólitos, a acidose continuou e a mulher foi transferida para a UTI. Lá, foi sedada e precisou usar um respirador mecânico. Ela ainda recebeu carvão ativado, substância que se liga a toxinas no intestino, para impedir que mais cafeína fosse absorvida e lançada na corrente sanguínea.

A paciente inglesa, que não teve seu nome revelado, deixou a UTI após uma semana e recuperou-se bem sob os cuidados de uma equipe psiquiátrica. Segundo os médicos, a mulher "teve sorte de sobreviver e isso aconteceu por ela ter sido socorrida rapidamente, pois seu exame de sangue mostrou que o nível de cafeína no organismo era de 147,1 mg/L, muito acima dos 80 mg/L que já foram observados em casos fatais de ingestão do estimulante."

Após o caso, a mulher e sua família relataram estar chocados com a facilidade e o baixo custo para comprar uma substância tão perigosa. "Adquiri 1 kg de pó de cafeína 'pura' em um site. Paguei 29,99 libras (cerca de R$ 200) e entregaram no dia seguinte", relatou a paciente. No Brasil, o pó de cafeína não é comercializado para o público final e suplementos com a substância podem conter, no máximo, 200 mg por dose.

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