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Veja 9 cuidados essenciais para ter com um idoso acamado

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Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

22/05/2020 04h00

Diversas doenças podem levar um idoso a ficar acamado, o que requer cuidados importantes por parte do cuidador, familiar ou da equipe que o atende. Se o idoso ainda for consciente, é essencial ter uma rotina e fazer um planejamento de todas as atividades que vão acontecer durante o dia.

"Quando falamos de uma pessoa acamada, nos referimos a alguém que teve suas expectativas em relação à velhice interrompidas por uma grave doença que lhe causou o que todos querem evitar: a dependência. Portanto, o maior cuidado que devemos ter é com a saúde emocional deste idoso", afirma Karen Elise de Campos, gerontóloga e docente do curso de cuidador de idoso do Senac São Paulo.

Por esse motivo, é fundamental conhecer a personalidade do idoso, saber as vontades dele e o que mais o agrada. "Há idosos que podem estar na cama totalmente imóveis, mas cuja parte cognitiva está preservada. Dessa forma, eles têm vontades e capacidade de decidir o que querem assistir, vestir e comer. No entanto, há aqueles que não possuem essa autonomia por problemas de comprometimento cognitivo. Sendo assim, o cuidador pode tomar as decisões por aquela pessoa", explica Eliana Elvira Pierre Lima, enfermeira e autora do livro "Cuidador de Idosos: Práticas e Reflexões do Cuidar com Cuidado".

Diante de tantas responsabilidades, lidar com um idoso acamado pode ser bastante desafiador. Por isso, o cuidador ou familiar deve ter autocontrole, ser atencioso, proativo e capaz de se colocar no lugar do outro, segundo Priscila Nathalie Reiko Landim, geriatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

Ainda de acordo com a médica com título de especialista em geriatria pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), o cuidador deve ser capaz de administrar remédios, acompanhá-lo em consultas, agendar exames, realizar cuidados de higiene íntima, banho, alimentação, auxiliar na locomoção e identificar problemas de saúde básicos com o intuito de transmitir os sinais e sintomas a um profissional de saúde que, por sua vez, fará um diagnóstico e conduta apropriados.

A seguir, pedimos para as três profissionais elencarem cuidados essenciais para se ter com um idoso acamado.

  • Formação de escaras

As escaras, termo popular para falar das úlceras por pressão ou úlceras de decúbito, são lesões na pele provenientes da pressão que sofrem do corpo contra uma superfície. Todas as regiões que possuem ossos protuberantes ocasionam uma pressão sobre o músculo e a pele, o que pode prejudicar a irrigação do sangue naqueles locais. Com isso, a pele pode descamar e formar essas lesões. Elas podem surgir em diversas regiões como: cabeça, orelha, costas, região do quadril, cotovelos e calcanhares.

Para prevenir a formação das úlceras, a orientação é mudar o idoso de posição a cada duas horas e fazer um rodízio no sentido horário. Por exemplo, às 10h virar o corpo para o lado direito, ao meio-dia virar para o esquerdo, às 14h deixá-lo de barriga para cima e assim por diante. É indicado colocar um travesseiro ou um acolchoado entre as pernas, e almofadas e protetores nos calcanhares, na região dos joelhos e prestar atenção se as orelhas não estão dobradas quando ele fica de lado.

A pele do idoso é muito fina, por isso o lençol deve estar bem esticado. Ele deve usar roupas leves, de tamanho ideal, para que não enruguem e causem mais pressão. Nos idosos muito magros, é importante ficar atento, pois ele pode deitar em cima da pele e causar o que chamamos de cisalhamento —nós temos três camadas de pele, quando a primeira é mais flácida, ela pode deslizar sobre as outras e causar feridas e hematomas.

Também é recomendado usar um hidratante corporal —sempre verificando se o paciente tem sensibilidade ou alergia a algum produto—, para massagear a região ativando a circulação. Como a pele de idoso é bem sensível, é necessário que a fricção seja suave, mas capaz de proporcionar oxigenação para possibilitar a chegada dos nutrientes no local.

  • Como deve ser o quarto

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O quarto precisa ser arejado e ter boa ventilação. Quando o ambiente fica por muito tempo fechado, a concentração de bactérias, vírus, ácaro e outros microrganismos é maior, aumentando o risco de contaminação. No caso da covid-19, é importante usar álcool em gel ou líquido 70% para a limpeza de todos os objetos. A limpeza do quarto deve ser diária, evite a vassoura, prefira o aspirador de pó. Para limpar o chão, use um pano com água com algum produto que ajude a desinfectar o local, como água sanitária diluída.

O ambiente precisa ter o mínimo de objetos para evitar o acúmulo de sujeira. Para casos em que os idosos usam fraldas, a dica é colocar um forro plástico entre o colchão e o lençol. Assim, caso a fralda vaze, não atingirá o colchão. O colchão também pode ser limpo com aspirador de pó a cada 15 dias e colocado no sol junto com os travesseiros para realizar a desinfecção natural.

As roupas de cama devem ser trocadas diariamente, não só pela questão de higiene, mas de proteção. Elas devem ser lavadas com água e sabão, preferencialmente neutro, para evitar qualquer tipo de irritação.

  • Higienização

Idosos acamados têm mobilidade reduzida, por este motivo apresentam dificuldades para ir ao banheiro e realizar as tarefas de autocuidado. As trocas de fralda devem acontecer pelo menos a cada quatro horas. Assim que o idoso evacuar, ele deve ser limpo com água, uma toalha umedecida ou lenço umedecido próprio, que não tenha produtos químicos.

A escovação dos dentes deve ser feita após todas as refeições com uso de enxaguante bucal não-alcoólico. Se houver prótese dentária, avaliar sua retirada e higiene. Sempre observar se há alguma lesão na língua e nas bochechas, pois a prótese pode causar algum tipo de incômodo. Mesmo que o paciente use sondas, a higiene oral deve ser mantida.

As unhas devem estar sempre curtas e lixadas para evitar que se machuquem ou mantenham sujidades sob elas. A aparência do idoso diz respeito a sua personalidade e identidade. Por essa razão, aspectos como cor, tamanho e estilo de cabelo e barba —no caso dos homens— devem ser preservados segundo a escolha do paciente, quando possível.

  • Banho

O banho é um momento delicado, pois muitos idosos ficam constrangidos por estarem despidos. Nesses casos, é necessário discrição. O tipo de banho, se no chuveiro ou na cama, dependerá do estado de cada paciente. Antes de começar, o ideal é deixar todas as roupas e materiais organizados. Os banhos no chuveiro devem ser dados com o auxílio de uma cadeira de banho e um box adaptado com barras de proteção as quais o idoso poderá utilizar para se apoiar, garantindo mais segurança.

O banho pode ser um momento de muita dificuldade para alguns, devido às limitações e às dores que eles podem sentir na hora que são tocados ou que a água cai. É uma situação que exige delicadeza, paciência e disposição do cuidador. Na medida do possível, promova a autonomia do idoso oferecendo o sabonete líquido. Coloque na mão dele e peça para ele fazer a higienização. O cuidador deve estar disponível para auxiliar na limpeza onde ele não conseguir. Para situações de evacuação involuntária, busque sempre consolá-lo para que ele se sinta o menos constrangido possível.

A temperatura da água deve ser agradável, não deve ser muito quente devido à pele delicada. Caso o banho tenha que ser feito na própria cama, providenciar o aquecimento do ambiente antes de iniciá-lo, forrar a cama com um material impermeável, ter agilidade, retirar todo o resíduo de xampu e sabonete e secar todo o corpo adequadamente com uma toalha macia.

  • Alimentação

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A alimentação do idoso acamado deve ser orientada por uma equipe, com fonoaudiólogos, nutricionistas e médicos. Por ter várias complicações que prejudicam a deglutição, os líquidos e partículas sólidas dos alimentos podem ser broncoaspirados, ou seja, ao invés de ir para o estômago podem ir para o pulmão causando infecções.

A alimentação deve ser bem preparada e higienizada, dê preferência os legumes, frutas e verduras. Evite produtos industrializados, elabore um cardápio para não ter muitas repetições e promova uma alimentação balanceada e rica em nutrientes.

É primordial se atentar ao posicionamento adequado do paciente, seja na cama, poltrona, ou colocando-o na cadeira de rodas e levando-o para a cozinha ou sala. Sempre ofereça líquido após as refeições para evitar o risco de engasgamento, preferencialmente sucos naturais e água.

A textura dos alimentos vai depender do grau de disfagia, o distúrbio de deglutição que dificulta a efetiva condução do alimento da boca até o estômago, pois irá determinar a consistência da dieta. É fundamental prestar atenção ao volume do alimento disponível na colher, cortar em pequenas porções e comer em um ritmo lento. Sempre estimule a autonomia do idoso e permita que ele se alimente sozinho, quando possível.

  • Atividades de entretenimento

Os idosos devem ser estimulados a fazer o que gostam e seja apropriado a sua condição atual. Não é recomendado estimulá-los a fazer algo que não tenham mais capacidade de executar. Se houver dificuldade visual e ele gostava de leitura, por exemplo, o cuidador pode usar lupas ou material de letras grandes ou ainda realizar a leitura em voz alta para ele. As gerações atuais de idosos gostam e querem o acesso à tecnologia. Eles podem realizar visitas a museus, parques, assistir concertos, espetáculos e cerimônia religiosas, tudo de forma virtual.

  • Exercícios físicos

Os exercícios físicos devem ser orientados pelo médico e/ou fisioterapeuta e podem ser aplicados e supervisionados pelo cuidador, após sua capacitação. Praticar atividades ensinadas em vídeos da internet podem trazer graves sequelas ao corpo do idoso.

Caso ainda haja uma certa mobilidade do paciente, avaliar junto a um profissional da área de saúde a necessidade de uso de dispositivos de auxílio de marcha como andador e bengala, minimizando o risco de quedas e complicações. Reduzir a imobilidade pode minimizar contraturas musculares, além de auxiliar em uma melhor expansão pulmonar, evitando complicações inerentes a estas situações. Algo que também pode ser feito dentro de casa é uma caminhada, sempre com o apoio do cuidador e respeitando as limitações do idoso.

  • Medicação

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O cuidador ou familiar não deve ter dúvidas em relação à medicação. É necessário que ele faça todas as perguntas para quem prescreveu: se pode dar o medicamento com água, suco, com a comida, quando tempo leva para fazer efeito, por quanto tempo deve seguir a prescrição, o que fazer se o idoso fingir que tomou e depois você encontrar o comprimido em algum lugar. Enfim, deve tirar todas as dúvidas e registrar.

A condição da pessoa cuidada pode melhorar ou piorar de acordo com a prescrição. Cada remédio pode ter sua peculiaridade em relação ao armazenamento, por isso é importante ler a bula para compreender melhor como guardar. Sempre verifique a validade.

Parece óbvio, mas todo cuidado é pouco: o cuidador não pode aceitar a oferta de medicamentos não prescritos pela equipe de saúde, já que isso pode causar danos irreversíveis ao idoso.

  • Cuidados com a covid-19

Os cuidados para proteger o idoso acamado contra a covid-19 são os mesmos do restante da população, mas a atenção deve ser redobrada. O ideal é que, se o cuidador não reside com o idoso, troque de roupa e use avental ao chegar na residência.

Ao chegar na casa, ele deve lavar as mãos até a região próxima aos cotovelos, o rosto, manter os cabelos presos, usar touca e ficar de máscara —trocando-a a cada duas ou três horas. É indicado o uso de um sapato exclusivo ou um propé no calçado, aquela capa protetora de sapato.

Sabemos que neste momento quanto menos contato pessoal melhor. Os idosos em situação de vulnerabilidade se apresentam mais sensíveis e emotivos, sentem falta do toque, mas o afeto pode ser transmito pelo olhar e pela sensibilidade do cuidador. É importante que seja um momento de expressão verbal de afeto e carinho.

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