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Coronavírus: como funciona o teste CRISPR, mais rápido que os atuais

microgen/iStock
Imagem: microgen/iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

18/05/2020 11h00

A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, concedeu a primeira aprovação de uso emergencial para um novo teste de detecção do novo coronavírus.

O exame usa a tecnologia de edição de genes CRISPR e teve o uso liberado mais rapidamente do que o habitual por se tratar de uma situação de emergência de saúde pública.

O novo kit de diagnóstico funciona programando o sistema CRISPR (pequenas porções de DNA), que tem a capacidade de identificar determinadas sequências genéticas para detectar um fragmento do material genético do Sars-CoV-2 com a coleta de fluidos através de um cotonete colocado no nariz, boca ou por fluido dos pulmões. Se o material genético do vírus for encontrado, uma enzima CRISPR gera um brilho fluorescente.

O teste pode retornar resultados em cerca de uma hora, de acordo com a Sherlock Biosciences, a empresa de biotecnologia sediada em Cambridge, no Reino Unido, e responsável pelos exames.

"O grande diferencial para os testes que já temos hoje é que ele pode indicar o resultado poucas horas após o contágio. Digamos que uma pessoa entra em contato com alguém contaminado em uma multidão —cerca de 12 horas depois ela já tem uma carga suficiente para o diagnóstico. A técnica atual demora mais, geralmente só é diagnosticado após os sintomas aparecerem", explica o médico Marcello Bossois, pesquisador assistente do laboratório de genética da Universidade Laval, no Canadá.

De acordo com a empresa responsável, o exame tem alta sensibilidade e não resultou em falsos negativos ou falsos positivos durante os estudos.

"Também é um teste muito barato, já que não é necessário nem mesmo o uso de eletricidade", aponta Bossois.

Para o pesquisador da universidade canadense, todos os países poderiam se beneficiar da técnica. "Se pudéssemos aplicar em massa, seria uma maneira de criar um isolamento preventivo mais eficiente e poderia, inclusive, ser positivo para economia —caso soubéssemos e isolássemos de forma rápida somente quem está doente", opina.

A empresa que criou o teste está trabalhando com parceiros em potencial para torná-lo adaptável a um sistema de pronto-atendimento. A tecnologia deve demorar para chegar ao Brasil.

"Na Universidade Laval queremos encontrar parceiros para produzir e, quem sabe, levar ao Brasil", afirma o médico.

O podcast abaixo tem mais explicações sobre o CRISPR; ouça:

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