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Conheça os principais remédios e tratamentos em testes contra a covid-19

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Imagem: pixabay

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

14/05/2020 12h10

Pesquisadores, cientistas e profissionais da saúde no mundo todo têm focado sua energia e recursos em busca de uma reposta rápida para a pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Além do desenvolvimento de vacinas, a pesquisa global busca estabelecer tratamentos eficientes e seguros para a covid-19.

Por enquanto, não há medicamentos ou terapias aprovadas pelas autoridades médicas e sanitárias para prevenir ou tratar a covid-19 no Brasil ou em qualquer outro país. As abordagens atuais baseiam-se em controlar sintomas, prevenir infecções e tentar evitar o avanço da doença com fármacos já conhecidos e usados para outras doenças.

VivaBem preparou uma lista dos medicamentos que vêm sendo usados atualmente contra o coronavírus:

  • Hidroxicloroquina e cloroquina

Ambos em estudo para o combate da covid-19, a hidroxicloroquina e a cloroquina são remédios de formulações diferentes, mas que levam a cloroquina como base. Seus benefícios clínicos são parecidos, mas a hidroxicloroquina é considerada um pouco mais segura, com menos efeitos colaterais, e por isso é foco de mais estudos.

O medicamento é de uso controlado que tem efeito imunomodulador —fornece aumento da resposta imune contra determinados microrganismos—, e por isso é usada para tratar doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, e até malária.

No combate à covid-19, o papel da hidroxicloroquina seria controlar a infecção impedindo que o vírus se reproduza. Além disso, um dos efeitos do remédio é modificar o pH de vesículas que estão no interior das células. Isso prejudica a produção de partículas que um vírus precisa para se multiplicar. Assim, ele acaba não se reproduzindo e a infecção é controlada.

Embora haja muito debate e esperança de boa parte da população na droga, sua eficácia não é comprovada: enquanto alguns testes indicam melhora dos pacientes, outros apontam que a droga não fez diferença no tratamento.

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Imagem: jaouad.K/iStock

  • Azitromicina

É um antibiótico com efeito antibacteriano, comumente usado para combater doenças do trato respiratório, como a bronquite, pneumonia, sinusite, faringite, IST, entre outros quadros.

Em testes para o combate à covid-19, a droga é usada combinada com a cloroquina/hidroxicloroquina. A esperança, ainda sem comprovação, é que o combo reduza a carga viral da doença, especialmente em pacientes com pneumonia, doença pulmonar, doença respiratória aguda (desde que relacionadas ao vírus Sars-CoV-2), e até previna quadros graves.

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  • Remdesivir

Embora não haja pesquisas que comprovem a eficácia e a segurança definitivas do medicamento, ele já foi aprovado nos Estados Unidos para o uso em tratamento de pacientes com a covid-19 em estado grave.

A aprovação teve como base uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional Americano de Saúde (NIH, na sigla em inglês), que considerou 1.063 pacientes nos EUA, na Europa e na Ásia. Os pacientes foram divididos entre os que receberam um tratamento com placebo e os que tomaram o remdesivir. A análise preliminar do estudo indica que os pacientes tratados com o remédio se recuperavam cerca de quatro dias antes do que os outros. A taxa de mortalidade entre os que usaram a medicação também seria menor.

Mas cientistas do mundo todo ainda mantêm o ceticismo diante da notícia, já que, em outro estudo recente, feito por médicos chineses e publicado pelo periódico The Lancet, o antiviral teve pouco resultado entre os pacientes testados.

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  • Heparina

De acordo com um estudo feito na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), além de ser eficiente para evitar quadros de coagulação —que têm sido observados em pacientes com a doença e podem afetar vasos de diferentes órgãos—, o medicamento parece também ser capaz de dificultar a entrada do novo coronavírus nas células.

Em testes de laboratório, feitos em linhagem celular proveniente do rim do macaco-verde africano (Cercopithecus aethiops), a heparina reduziu em 70% a invasão das células pelo novo coronavírus. Os resultados do estudo ainda são preliminares e foram descritos em artigo publicado na plataforma bioRxiv, ainda em versão pré-print (sem revisão por pares).

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  • Corticoides

Seu uso ainda é controverso e não há grandes estudos específicos com pacientes com covid-19.
Análises sugerem que o tratamento com corticosteroides alivia a fibrose pulmonar e impede a deterioração patológica progressiva em casos de síndrome respiratória aguda grave. No entanto, estudos apontam que essas drogas aumentam a carga viral, o tempo de internação e o risco de infecção secundária.
  • Plasma

Neste caso, o "remédio" viria do corpo de quem já se recuperou da covid-19. Os pesquisadores esclarecem que o plasma —parte líquida do sangue— de quem se curou tem anticorpos chamados de "neutralizantes", que podem ser úteis para compensar a incapacidade do sistema imunológico do indivíduo doente e antecipar sua melhora.

Para transformar isso em medicamento, o plasma é coletado e devidamente testado para assegurar que tenha um bom nível de anti-Sars-CoV-2. Quando injetado em um novo paciente, o plasma convalescente fornece "imunidade passiva" até que o sistema imunológico do paciente possa gerar seus próprios anticorpos.

Estudos estão em curso para provar a eficácia da técnica —que já foi usada no tratamento de doenças como coqueluche, tétano e durante as epidemias de Sars e Mers— contra o coronavírus. Testes preliminares feitos no Brasil apresentaram bom resultado.

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  • Lopinavir + ritonavir em conjunto com Interferon beta-1b + ribavirin

Os remédios lopinavir-ritonavir já são bem conhecidos na luta para combater o HIV. Eles impedem a ação da enzima protease, responsável por criar os conjuntos de aminoácidos que os vírus usam para se multiplicar. As pesquisas atuais buscam entender se o efeito pode ser o mesmo contra o Sars-CoV-2.

Seu uso também está sendo estudado com medicamentos de efeito similares. Uma pesquisa publicada no periódico científico The Lancet aponta que a combinação dos quatro antivirais foi segura e mais eficiente no alívio dos sintomas da covid-19, reduzindo o período replicação do vírus e o tempo de internação dos pacientes.

Embora os resultados sejam animadores, os pesquisadores responsáveis apontam que ainda devem confirmar as evidências, em uma fase maior, se o interferon beta-1b sozinho ou em combinação com outras drogas é eficaz. O estudo também não contou com grupo placebo, o que significa que os pesquisadores e os participantes sabiam qual tratamento estavam dando e recebendo, o que é considerado uma falha nos critérios de pesquisa científica.

Sociedades médicas avaliam riscos e benefícios

Em conjunto, a AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia) e SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) publicaram um documento com diretrizes para o tratamento farmacológico da covid-19. Veja abaixo:

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*Com informações das reportagens de Cristina Almeida e Danielle Sanches

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