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Ficar sem luz do sol faz mal e pode impactar humor, sono e até apetite

Nem todo mundo está tomando banho de sol durante a quarentena. E você, está? - iStock
Nem todo mundo está tomando banho de sol durante a quarentena. E você, está? Imagem: iStock

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

29/04/2020 04h00

Para evitar a disseminação do novo coronavírus, é preciso ficar em casa. Mas nem todo mundo tem direito a uma varanda ou a um cantinho que bata sol. Na selva de prédios de São Paulo, por exemplo, alguns apartamentos mais se parecem com cavernas; receber a luz do sol, então, torna-se luxo.

O problema é que ficar sem tomar sol vai além de um bronze na laje. A falta de luz natural atrapalha o ritmo circadiano, um relógio do corpo que regula sono, fome, humor.

"A luz é um estímulo ambiental importante, que ajuda a sincronizar nossos ritmos biológicos", diz Dalva Poyares, neurologista, pesquisadora do Instituto do Sono e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Sono e humor

A especialista exemplifica: a exposição à luz solar melhora o alerta durante o dia e o humor porque, ao entrar pela retina, o estímulo alcança um núcleo no cérebro que, além de inibir a melatonina (hormônio do sono), aumenta a liberação de serotonina, um neurotransmissor que melhora o humor e sintomas de depressão.

grupo de risco; idoso com máscara na janela - iStock - iStock
Ficar nos locais mais iluminados da casa ajuda a não desregular o ciclo biológico
Imagem: iStock

Isso explica por que o sono de algumas pessoas pode estar desregulado nesses dias de quarentena. Segundo Poyares, problemas do tipo já eram observados em pessoas que ficam em ambientes com uma informação luminosa constante ou em indivíduos internados em hospitais.

"Esse é um dos vários fatores que explicam os sintomas de insônia e sonolência durante o dia. Além disso, o sedentarismo, cochilos de dia, preocupações também podem atrapalhar", diz.

Apetite

A relação entre sono e alimentação não é novidade. A desregulação do ciclo biológico gera um estresse crônico que altera o equilíbrio corporal. Em entrevista a VivaBem, Pedro Genta, coordenador do centro de Medicina do Sono do HCor, disse que a privação do sono aumenta o apetite por alimentos calóricos.

"Indivíduos que não dormem têm maior tendência à obesidade do que os que não são privados do sono".

O mecanismo de fome e saciedade é controlado por uma série de hormônios, principalmente a leptina e a grelina. Ao ter um sono ruim, a liberação deles sofre uma alteração e aumenta a fome.

Mulher na cama, quarto escuro, depressão - Getty Images - Getty Images
A falta de sol pode causar problemas no sono, como insônia
Imagem: Getty Images

Vitamina D

Importante para a absorção de cálcio, essa vitamina garante o crescimento e a reparação dos ossos, o funcionamento celular e neuromuscular.

Segundo Roberto Abrao Raduan, endocrinologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, sua deficiência está associada a risco de problemas cardíacos, osteoporose, depressão e algumas doenças autoimunes como esclerose múltipla e diabetes tipo 1.

Raduan diz que, apesar de estar presente em alguns alimentos, 80% da síntese dessa vitamina ocorre através da exposição solar. Por isso, estar longe do sol pode ser um problema durante o isolamento.

A solução

Poyares afirma que existe uma maneira de expor-se à luz do dia sem arriscar a condição de isolamento, que é fundamental agora.

"Abra as janelas, ou a porta, caso não tenha contato com ninguém de fora, e faça suas tarefas pela manhã e no início da tarde no local mais iluminado da casa. Se tiver que sair, prefira durante o dia e à luz do sol."

Para quem tem o luxo da luz solar em casa, Silvana Lessi Coghi, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, recomenda a exposição pela manhã, antes das 10 horas, por um período de 10 a 15 minutos. "Isso já ajuda na produção de vitamina D e melhora o humor", diz.

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