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Entenda por que a pele dos idosos demora mais para cicatrizar

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Imagem: iStock

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

13/03/2020 04h00

A cada dia que passa, nosso corpo naturalmente passa por um processo de envelhecimento. E tudo começa nas células. Dentro delas, as mitocôndrias, ao produzirem energia para o organismo, acabam provocando o desenvolvimento de radicais livres que, por sua vez, são os responsáveis por danificar as próprias células. Com o tempo, essas moléculas se acumulam e, por isso, envelhecemos.

As alterações do sistema nervoso central também são responsáveis pelo que acontece com o nosso corpo quando os anos se passam.

"O volume do cérebro reduz a partir da sexta década de vida na mulher e sétima década de vida no homem, e isso é considerado totalmente normal. Por conta disso, ocorrem algumas alterações já esperadas, como a dificuldade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo e aprender novas funções. Mas cabe ressaltar que apesar de assimilarem novos afazeres mais lentamente, os idosos conseguem aprender", explica Alessandra Rodrigues Fiuza, geriatra da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

E a nossa pele não poderia ficar de fora dessa trajetória. À medida que envelhecemos, a capacidade do organismo reparar a derme diminui. Ou seja, qualquer machucado, principalmente um corte, pode demorar muito tempo para cicatrizar. Isso ocorre porque as células-tronco da pele, que possuem a capacidade de se transformar em outros tipos de células, diminuem, o que deixa o trabalho de cicatrização mais lento.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, em 2016, apontou que esse problema se dá pela falta de comunicação entre as células da pele e as do sistema imunológico.

"Conforme o envelhecimento ocorre, há uma mudança no funcionamento das células e no metabolismo nos diferentes períodos da cicatrização. Na fase inflamatória, os macrófagos —células responsáveis por ajudar a defesa do organismo contra infecções— apresentam menor atuação. Na reepitelização, há uma menor migração e proliferação de fibroblastos da pele —substâncias que atuam na síntese de diversos componentes do tecido conjuntivo—, como o colágeno e a elastina", explica Lucas Guimarães, geriatra da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Manutenção com defeito

Componente estrutural da nossa pele, o colágeno é a proteína mais abundante no organismo, além de ser o principal componente da matriz extracelular, ou seja, tudo o que circula do lado de fora da célula. "Nós temos mais de 20 tipos de colágeno, mas os mais importantes para a cicatrização de feridas são os tipos I e III", aponta Aline Thomaz, geriatra da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Quando nos ferimos, uma série de eventos de cicatrização ocorre, e o colágeno desempenha importante papel em cada uma destas etapas, pois influencia diretamente na migração das células em direção ao local que sofreu o acidente. Portanto, quanto menos colágenos temos, menor será a velocidade e a qualidade da cicatrização da nossa pele.

Além disso, algumas doenças crônicas, como diabetes e, especialmente, problemas ligados aos vasos sanguíneos, como a má circulação, também podem contribuir para reduzir a capacidade de cicatrização de alguma ferida.

Turbine o organismo

Para que o processo de reparo da pele após algum trauma seja menos demorado, é preciso tomar algumas atitudes muito antes de o acidente acontecer. São elas:

  • Beber líquidos.
  • Hidratar a pele com creme, principalmente nos braços, pernas e pés, sem aplicar entre os dedos.
  • Massagear os pés no sentido dos dedos para as pernas, a fim de melhorar a circulação. Porém isso não é indicado caso o idoso tenha problemas de varizes.
  • Cortar e lixar as unhas de forma reta, não aprofunde o corte nos cantos das unhas e não remova cutículas.
  • Usar somente tesoura sem ponta ou cortador para o corte das unhas.
  • Não vestir meias de náilon, pois apertam a região, além de reter umidade. Opte pelas de algodão.
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Não fumar.
  • Nunca caminhar descalço.
  • Estar com os níveis de glicemia sempre controlados.
  • Fazer visitas frequentes ao médico.

A alimentação também é outra aliada para manter a pele saudável. "Afinal de contas, um cardápio correto fornecerá todos os subsídios para ajudar no fechamento da lesão ao contribuir na maior produção de anticorpos", esclarece Carlos André Uehara, presidente da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).

Portanto, o ideal é investir em uma ingestão balanceada de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais.

Cuidados com a ferida

Caso o idoso tenha se machucado, é de extrema importância sempre manter a pele limpa, a ferida seca e protegida (evitar o uso de bandagens). Não coloque substâncias exógenas no corte, como açúcar, sal ou mel, cuide para que não ocorram novos traumas no local do ferimento e use curativos conforme orientações do médico.

Para quem cuida de pessoas que ficam a maior parte do tempo deitadas ou sentadas, o certo é mudá-las de posição a cada duas horas. E se alguma lesão aparecer, começar a ficar mais avermelhada, com calor local e saída de secreção, pode ser uma infecção secundária, que atrapalha a cicatrização.

É preciso identificá-la para o correto tratamento. A melhor forma é procurar ajuda médica imediatamente. Com esses cuidados, os idosos poderão passar por essa etapa com mais tranquilidade.

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