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Coronavírus: Crise será superada, mas deixará traumas, diz Andrew Solomon

Andrew Solomon na mesa "Encontro com Andrew Solomon", na Flip, em 2014 - Flavio Moraes/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Andrew Solomon na mesa 'Encontro com Andrew Solomon', na Flip, em 2014 Imagem: Flavio Moraes/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

02/04/2020 10h37

Andrew Solomon, autor de um dos livros mais conhecidos sobre depressão no mundo, 'O Demônio do Meio-Dia', finalista do Pulitzer em 2002, disse em entrevista ao jornal O Globo que a crise do novo coronavírus deixará marcas na sociedade e na saúde mental das pessoas.

"A crise pode ser esquecida assim que for superada, mas o trauma ficará. Quem nasceu em países ocupados pelo nazismo mostra riscos mais altos de doença mental na vida adulta", argumenta.

"Já estamos numa depressão coletiva. Somos criaturas complexas, programadas para competir no duro processo de seleção natural, e, como grupo, para nos unirmos frente aos desafios da vida", diz.

"Mas há gente comprando todo o álcool gel para lucrar. E há a coragem de equipes médicas arriscando suas vidas. Todos temos os dois impulsos. A civilização, porém, é gentileza e generosidade. Se não nos apoiarmos, a maioria de nós vai morrer", completa.

O autor estadunidense também diz que agora não é o momento para resolver conflitos familiares.

"A quarentena cria situações complicadas. Relacionamentos sólidos serão fortalecidos, mas laços frágeis se partirão. Dinâmicas problemáticas, que persistiram por longos anos, serão repetidas", argumenta.

E diz que os efeitos da pandemia do novo coronavírus na saúde mental dos mais pobres serão ainda mais perverso pela dificuldade em manter uma rotina de higiene básica.

"Ao lavar as mãos, se isolar, desinfetar objetos, você se sente com algum controle. Quem não pode fazer isso acusa o pânico que pode rapidamente se tornar depressão", diz.

Solomon também diz que o isolamento social pode desencadear em novos casos de depressão e agravar ainda mais os já existentes em nossa sociedade.

"Chineses deslocaram psicólogos e psiquiatras para Wuhan no primeiro estágio da quarentena. Uma delas, Cuiyan Wang, escreveu: "Durante a fase inicial, mais da metade dos entrevistados classificou o impacto psicológico como algo entre moderado e grave, e cerca de um terço relatou ansiedade severa'", pontua.

Para driblar os efeitos depressivos do isolamento social, o autor sugere alternativas e cuidados.

"Não descuide de medicação, caso utilize. Aposte em sessões de terapia por Skype ou Facetime. Mantenha-se ocupado. Escreva o que sente. Comunique-se, mesmo que com um público imaginário. É muito melhor do que estar sozinho", diz.

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