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Risco de sofrimento mental em mulheres é maior em quem consome maconha

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Imagem: iStock

Da Agência Bori

22/02/2020 10h18

Estudo realizado com mulheres do Piauí mostra que se faz necessário o rastreamento do consumo de álcool, tabaco, tranquilizantes e cannabis durante a rotina de atendimento na saúde primária para prevenir um risco de desenvolvimento de sofrimento mental nessas pacientes.

Ao coletar dados em uma amostra de 369 mulheres de 20 a 59 anos nas cidades de Teresina, Parnaíba, Picos, Floriano e Bom Jesus, pesquisadores da UFPI (Universidade Federal do Piauí) identificaram que quem consumia maconha tinha 4,5 vezes mais chance de desenvolver sofrimento mental.

O risco entre as fumantes de cigarro de tabaco era 3,5 vezes maior; entre as consumidoras de tranquilizantes, a chance era de 2,6 vezes. As mulheres que tinham padrão de consumo intenso de álcool (zona IV - possível dependência) possuíam 2,1 vezes mais chance de apresentar sintomas.

Para se chegar a essas conclusões foi adotado um método de regressão logística (quando as variáveis são avaliadas separadamente). Os resultados estão na Revista Brasileira de Enfermagem.

Tema negligenciado

Entre agosto de 2015 e março de 2016, os autores aplicaram os questionários Alcohol Use Disorders Identification Test, Non-Student Drugs Use Questionnaire e Self-Reporting Questionnaire, além de estatísticas inferenciais durante consultas de enfermagem nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). O trabalho foi financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

De acordo com o enfermeiro Fernando José Guedes da Silva Junior, autor principal da pesquisa, a ideia de avaliar o impacto dessas substâncias no universo feminino veio durante o mestrado, quando ele identificou que o uso de crack e derivados entre as mulheres do Piauí era superior à média nacional.

"Além disso, o consumo de drogas entre mulheres é um tema negligenciado na saúde pública. Quisemos trazer esse foco para o doutorado", explica Silva Junior, que é vice-líder do Grupo de Estudos sobre Enfermagem, Violência e Saúde Mental da UFPI.

O sofrimento mental, que no Brasil tem uma prevalência que oscila entre 28,7% e 53%, é uma combinação de três grupos de sintomas que incluem tristeza/desânimo, ansiedade e sintomas físicos (somatização). "Vimos que o sofrimento mental está associado, inclusive, ao aumento da ideação suicida. A identificação precoce desse quadro clínico permite intervenções que melhoram a qualidade de vida das pacientes", observa Silva Junior.

Dentre os desafios apontados está o fato de que poucos estudos internacionais analisam o sofrimento mental em uma perspectiva de gênero. Apesar disso, afirmam os autores, há evidências de que o sexo é um fator determinante na doença mental, uma vez que os padrões de sofrimento entre as mulheres são diferentes daqueles observados nos homens.

"A sensação de insegurança e falta de esperança, rápidas mudanças sociais, consumo de álcool e outras drogas e, consequentemente, uma maior exposição a situações de violência, tornam as mulheres mais vulneráveis a esse sofrimento".

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