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Em teste, nova droga contra câncer de mama traz esperança a pacientes

Frasco de trastuzumabe deruxtecan, que vem sendo testado em Porto Alegre - Luciano Nagel/UOL
Frasco de trastuzumabe deruxtecan, que vem sendo testado em Porto Alegre Imagem: Luciano Nagel/UOL

Luciano Nagel

Colaboração para o VivaBem

19/02/2020 04h00

Imagine pacientes de um tipo específico de câncer de mama (HER2 positivo) que tentaram todos os tratamentos disponíveis, mas sem sucesso, e a doença se espalhou. É com foco nelas que uma nova droga vem sendo testada, em caráter experimental, em um hospital de Porto Alegre. E a melhora já vem sendo sentida.

No Hospital Conceição, mulheres relataram à reportagem que a terapia biológica vem apresentando bons resultados, principalmente na qualidade de vida.

''Hoje tenho uma expectativa de vida longa, coisa que eu não tinha antes, pois estava muito desanimada e desistindo do tratamento. Atualmente vivo bem feliz, graças a essa nova terapia'', afirma Carmine Carina da Silva Dutra, 34. A paciente contou que descobriu o câncer de mama em 2018 enquanto amamentava o seu bebê de apenas um ano.

''Percebi que apareceu um pequeno caroço no seio esquerdo e cheguei a pensar que fosse por causa do leite. Logo entrei em contato com a minha médica e fui diagnosticada com câncer de mama''. Naquela época, Carmine Dutra se submeteu a várias sessões de quimioterapia que foram realizadas no setor de oncologia do Hospital Regina, na cidade de Novo Hamburgo, a 35 km de Porto Alegre, no entanto, o tratamento convencional no combate ao câncer não resultou e ela teve que fazer uma mastectomia.

"Atualmente vivo bem feliz, graças a essa nova terapia", diz Carmine - Luciano Nagel/UOL
"Atualmente vivo bem feliz, graças a essa nova terapia", diz Carmine
Imagem: Luciano Nagel/UOL

Após o procedimento cirúrgico, que consiste na retirada completa do seio, as células malignas migraram para os ossos e ela teve que fazer mais 17 sessões de imunoterapia. "Nesse período, apareceu um nódulo no outro seio. Depois da biópsia, fui diagnosticada novamente com câncer. Deu metástase. A partir daí a minha médica me encaminhou para o doutor José Luiz Pedrini, que está realizando a pesquisa com este novo medicamento'', conta.

Na quimioterapia tradicional, a paciente lembrou que sentia muitas dores no corpo, cansaço e náuseas. Já com o novo método aplicado, ainda em fase de pesquisa, a droga vem ''causando menos efeitos colaterais'', disse, esperançosa. "Na primeira sessão do tratamento, após uns 10 dias, senti que diminuiu a dor e o nódulo no seio. Na segunda etapa da terapia eu já não tinha mais dor e o nódulo havia diminuído. Hoje tenho uma qualidade de vida muito melhor", afirma.

Outra paciente satisfeita com o uso do novo medicamento é Eva Barbosa de Oliveira Patricio, 67, natural do município de Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre. ''Esta droga é menos agressiva do que as outras, bem mais leve. Eu não sinto dores, a única coisa que tenho, de vez em quando, é um cansaço nas pernas. No tratamento anterior eu sentia enjoos e vomitava'', diz.

Eva conta que desde 2012 vem tratando o câncer, que teve início na mama esquerda e posteriormente deu metástase para os ossos. "Naquela época perdi todo o cabelo devido às sessões de químio e radioterapia", lembrou.

''Esta droga é menos agressiva do que as outras", diz Eva - Luciano Nagel/UOL
''Esta droga é menos agressiva do que as outras", diz Eva
Imagem: Luciano Nagel/UOL

O que é esse tratamento

A substância que vem sendo usada na nova terapia biológica para o tratamento do câncer de mama (HER2 positivo), a trastuzumabe deruxtecan, está sendo testada e aplicada em nove pacientes no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre.

Ela foi aprovada no dia 6 de janeiro pela FDA (Food and Drug Administration), agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. O órgão norte-americano é responsável pela proteção e promoção da saúde pública.

Aqui no Brasil, a droga deverá ser aceita, em breve, pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) e poderá ser utilizada em pacientes brasileiras que já realizaram inúmeros tratamentos contra o câncer de mama sem sucesso.

Em entrevista ao VivaBem, José Luiz Pedrini, coordenador do serviço de mastologia e pesquisa clínica do Hospital Conceição, explica como a droga age no organismo feminino.

"Esta droga, na verdade é uma espécie de combo do que existe de mais moderno no tratamento de câncer, inclusive de mama. É desenvolvido um anticorpo (vacina) que vai se fixar às células cancerígenas. Esta substância carrega junto consigo um quimioterápico chamado deruxtecan que, somado ao trastuzumabe, se gruda na célula doente e a destrói. Trata-se de uma nova esperança para daquelas mulheres que têm o retorno da doença após esgotar vários tratamentos'', explicou o médico, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia.

De acordo com Pedrini, a trastuzumabe deruxtecan foi tão eficaz nos EUA que mais de 60% das mulheres que se submeteram ao novo tratamento obtiveram resultados significativos. ''De tão alto foi o benefício da droga testada, que o FDA aprovou em medida de urgência a liberação do remédio. Para se ter uma ideia, foram obtidos ótimos resultados com as pacientes durante o tratamento, como por exemplo, a diminuição do tumor e aumento do tempo de vida. Esta é uma terapia alvo, ou seja, máxima atuação no tumor e mínima agressão no indivíduo'', disse.

Como funciona

A terapia biológica com o uso substância trastuzumabe deruxtecan é realizada a cada 21 dias, por tempo indeterminado, no setor de oncologia do Hospital Conceição e leva em média 30 minutos. Antes de realizar o procedimento, a paciente passa por alguns exames rotineiros, como hemograma e eletrocardiograma, e no mesmo dia retorna para casa.

Nesta fase da pesquisa, estão sendo colocados pacientes que tiveram progressão da doença mesmo após esgotados os tratamentos iniciais para câncer de mama metastático HER2 positivo, um tipo de tumor que costuma ser mais agressivo.

Quem pretende se candidatar ao tratamento basta entrar em contato pelo telefone (51) 3357-2296 no Setor de Pesquisas do Hospital Conceição em Porto Alegre.

''É necessário encaminhar todos os exames e o histórico da paciente. Uma pré-entrevista é feita por telefone e pode participar qualquer paciente do Brasil com câncer de mama HER2 positivo, que já tenha esgotado todas as formas de tratamento convencional'', explicou Pedrini.

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo todo, ficando apenas do câncer de pele não melanoma. Conforme o Inca (Instituto Nacional de Câncer), ao todo, a doença registra cerca de 50 mil novos casos por ano no Brasil.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o melanoma não é o tipo de câncer mais comum em mulheres, e sim o câncer de pele não melanoma.

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