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Vulva e vagina: saiba o que você pode ou não fazer com elas

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Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para o VivaBem

12/02/2020 04h00

A parte mais delicada da anatomia feminina merece —ou melhor, exige!— cuidados especiais no dia a dia para se manter sempre saudável e livre de problemas como infecções e secreções indesejáveis.

A reportagem do VivaBem conversou com médicos para elencar o que é proibido e o que está liberado fazer com a sua vulva e vagina.

PROIBIDO

Usar absorvente diariamente

Absorvente - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Embora muitas marcas tenham versões próprias para uso diário, os ginecologistas não recomendam essa prática. O uso contínuo de absorventes pode abafar a vagina e acumular secreções e suor, aumentando o risco de infecções. Os respiráveis, ou seja, sem película plástica, podem ser adotados apenas em casos extremos, como perda de urina, muita transpiração ou conteúdo vaginal excessivo. Mesmo assim, precisam ser trocados a cada três ou quatro horas. No entanto, utilizar rotineiramente o absorvente nos dias em que a mulher não tem fluxo menstrual oferece riscos: como o ambiente vaginal é quente é úmido, favorece a proliferação de bactérias e fungos.

Lavar internamente a vagina com ducha

De jeito nenhum! As duchas internas modificam o pH vaginal, mudam a flora local (um conjunto de microrganismos que vivem em equilíbrio) e favorecem as infecções genitais, causando secreções. Se a vagina estiver com a flora normal e equilibrada, lavá-la internamente pode fazer com que entre alguma bactéria estranha. O ideal, inclusive, é higienizar somente a área externa —monte púbico, pele da vulva, raiz das coxas e região perianal— e o chamado compartimento intermediário, que inclui o interior dos grandes lábios e dos pequenos lábios até a membrana himenal. No compartimento interno, os médicos recomendam lavar apenas a "entradinha", não havendo necessidade alguma de introduzir nenhum sabão ou realizar duchas internas.

Lavar internamente a vagina com acessórios

Recentemente, viralizou o post de uma garota compartilhando que costuma lavar a vagina e o ânus com uma escova de dentes. De forma alguma as mulheres devem imitar tal atitude. Primeiro, porque a vagina é "autolimpante", ou seja, é capaz de limpar todas as secreções e descamações de forma natural. Quadros de candidíase podem deixar algumas "placas" grudadas internamente, mas não se deve introduzir nenhum tipo de acessório para removê-las. Um creme vaginal prescrito pelo ginecologista pode resolver o problema. Além do mais, vagina é mucosa e, portanto, uma área fina e delicada. Há o perigo de as cerdas da escova —ou de qualquer objeto mais áspero ou cortante— machucarem as paredes internas. Sem contar que usar o mesmo item —e isso vale, inclusive, para sex toys— no ânus e na vagina pode causar contaminação cruzada, já que as bactérias locais são diferentes.

Usar perfumes e cosméticos sensuais internos

A secreção vaginal normal tem um odor leve e quase imperceptível. Ao final do dia, com o suor, é comum que o cheiro fique mais intenso, mas isso é perfeitamente natural. Usar perfumes para "mascarar" a fragrância original feminina é um passo e tanto rumo a um pH desequilibrado, resultando em irritações e corrimentos. Na vulva (parte externa), pode-se aplicar talcos e eventualmente desodorante e perfumes. Na parte rosada, a vagina, não se deve usar nada. Os ginecologistas também recomendam evitar pílulas com glitter, fabricadas com o intuito de espalhar purpurina durante a penetração, e as chamadas Hot Balls, bolinhas gelatinosas à venda em sex shops que derretem dentro da vagina e prometem causar diversas sensações, como calor, frio e "choquinhos". Esses produtos podem alterar toda a flora local, ocasionando alergias e infecções.

Introduzir alimentos

Brincar com alimentos é uma fantasia recorrente entre casais que gostam de explorar o lado mais lúdico do sexo. Porém, uma coisa é derramar leite condensado ou calda de chocolate nos mamilos e lamber. Outra, bem diferente, é introduzir chantilly, frutas e até borbulhas de champanhe na vagina. Trata-se de uma prática bem perigosa, já que algum pedaço do alimento pode escapar para dentro da vagina, causando uma contaminação secundária. Alergias, ardência e mudança do pH são outros possíveis perrengues. E mais: alimentos que percorrem somente as áreas externas do corpo não trazem problemas, mas ficam contaminados por bactérias vaginais e da região perianal, podendo causar danos se forem digeridos.

Fazer vaporização vaginal

A técnica de se sentar em um vaporizador com ervas ganhou muitos adeptos após a atriz Gwyneth Paltrow se declarar adepta da prática, que, em tese, serviria para tonificar, higienizar e equilibrar os hormônios vaginais. Não é à toa que "Goop", a série sobre bem-estar da estrela na Netflix, tem gerado tantas críticas. Não há nenhuma evidência científica sobre tais benefícios. E, além do mais, se o vapor estiver muito quente a mulher pode sofrer queimaduras. Alguns ginecologistas, principalmente os adeptos de terapias naturais, indicam compressas locais de chá de camomila gelado quando há alguma irritação na vulva, mas elas não devem ser introduzidas na vagina.

LIBERADO

Usar lubrificantes

Sim, principalmente produtos à base de água, que não farão o preservativo se romper em contato com o látex. Eles não modificam a flora nem o pH local e são excelentes em situações de secura vaginal, como pós-parto, amamentação, menopausa e doenças que alteram os hormônios, como a endometriose. No entanto, seja qual for o caso, a falta de lubrificação vaginal nunca deve ser subestimada; por isso, vale sempre a pena buscar a orientação do ginecologista.

Dormir (e até ficar) sem calcinha sempre que possível

Sim, para toda a região vulvar respirar livremente. Toda mulher deveria abusar de saias, calças mais soltas e peças com tecidos leves. É fundamental evitar ficar muito tempo com peças excessivamente coladas ou justas, como roupas de ginástica e calças jeans.

Utilizar lenços umedecidos em emergências

Ressaltamos: em emergências e, preferencialmente, hipoalergênicos. Porém, usar apenas na área externa, sem introduzir na vagina. Esses lenços, em geral, apresentam base celulósica embebida em detergentes suaves, com adição de produtos amaciadores e pH entre 5 e 6, sendo muito úteis para higiene fora de casa, viagens longas, sanitários públicos e época menstrual. Seu uso, entretanto, não deve ser abusivo: a vulva é muito delicada e tem uma fina camada gordurosa protetora que o lenço acaba removendo, o que pode ressecar, irritar, causar coceiras e corrimentos. O mais indicado é utilizar para higiene da região posterior após evacuação ou em situações em que o banho diário não é possível.

Lavar com sabonete íntimo

Sabonete íntimo - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Sim, pois ele tem o pH adequado à região íntima e é mais saudável do que o convencional. Evitar, porém, abusar da quantidade e introduzir internamente —mais uma vez, a recomendação é ficar somente na "entradinha".

Fazer exercícios específicos para a vagina

Sob a orientação correta de um(a) ginecologista e/ou uma fisioterapeuta pélvica, os exercícios de Kegel (também chamados de "pompoarismo") são excelentes para fortalecer a área do assoalho pélvico. Como benefícios, aumentam as chances de um parto normal, recuperam mais facilmente a região no pós-parto, combatem a incontinência urinária, evitam a queda da bexiga, favorecem a consciência corporal e permitem uma sexualidade mais plena e saudável. O ponto inicial, a grosso modo, é imitar a contração que as mulheres fazem na vagina quando querem segurar o xixi —é por isso que essa ginástica íntima requer orientação, pois feita do modo errado pode gerar infecção urinária, entre outros males.

Preferir calcinhas de algodão

O algodão é um tecido natural que permite a ventilação local. Por isso é altamente recomendável, já que ambientes úmidos e quentes favorecem a proliferação fúngica e bacteriana. Não é para eliminar as calcinhas produzidas com lycra da gaveta, mas usá-las com parcimônia e em ocasiões especiais, pois esquentam muito.

Fontes: Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP); Bárbara Murayama, ginecologista e diretora da Clínica Gergin Ginecologia em São Paulo (SP) com MBA em gestão de saúde pela FGV (Fundação Getulio Vargas); Carla Carvalho, docente da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paul) e diretora da SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo); Maria Isabel Tavares, ginecologista da BP (Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo) e Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP).

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