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Por que uma praia é considerada imprópria e quais doenças se pode contrair

Até Copacabana, no Rio de Janeiro, esteve imprópria para o banho em janeiro do ano passado - iStock
Até Copacabana, no Rio de Janeiro, esteve imprópria para o banho em janeiro do ano passado Imagem: iStock

Cristiane Bomfim

Da Agência Einstein

23/01/2020 09h51

Semanalmente, órgãos ambientais ligados aos governos dos 17 estados com acesso ao mar divulgam boletins sobre a qualidade das mais de 2 mil praias brasileiras. As classificações —própria ou imprópria — têm objetivo de alertar os banhistas sobre os riscos que o contato com águas contaminadas pode trazer à saúde e ajudar na escolha da melhor praia para curtir o verão. No entanto, apesar do fácil acesso, a informação costuma ser deixada de lado pelos turistas que lotam as praias, inclusive as impróprias, nesta época do ano.

Para se ter uma ideia, durante quase todo o mês de janeiro do ano passado, a famosa praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, esteve imprópria para o banho. O mesmo aconteceu com Balneário de Camboriú, em Santa Catarina, a praia do Gonzaga, na cidade de Santos, em São Paulo. As consequências do contato com a água podem ir desde infecções nos olhos, ouvidos, nariz e pele até doenças mais graves como gastroenterite e Hepatite A.

As amostragens realizadas pelos órgãos governamentais consideram a presença de bactérias fecais na água das praias, de acordo com critério estabelecido pela Resolução 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Claudia Lamparelli, gerente do setor de Águas Litorâneas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) explica que a legislação prevê o uso de três indicadores de micro poluição fecal: os coliformes termotolerantes (conhecidos como coliformes fecais), E.coli e os enterococos. Em São Paulo, para a avaliação da qualidade da água marinha, optou-se pela análise da quantidade da presença dos enterococos.

Assim, uma praia é considerada imprópria para banho quando são identificadas densidades superiores a 100 unidades de colônias desta bactéria para cada 100 mililitros de água (100 UFC/100 ml) em duas ou mais amostras dentro de um conjunto de cinco semanas. Ou ainda valor superior a 400 unidades desta colônia na última amostragem. A presença da quantidade destes organismos além do limite estabelecido é motivada por uma série de fatores. Os principais são: lançamento de esgoto na praia, a influência do formato na praia na capacidade de dispersão dos poluentes, chuva, proximidade com desembocadura de rios e aumento no número de banhistas.

"No verão, temos dois fatores muito comuns que prejudicam a qualidade das praias: o aumento de banhistas e o fato de ser um período chuvoso", explica a especialista da Cetesb, Claudia Lamparelli. As chuvas arrastam a sujeira em maior volume para as praias, por meio dos rios, cursos d'água, córregos e canais de drenagem. "Por isso, a recomendação é que os banhistas evitem entrar na água nas 24 horas subsequentes a uma chuva", continua.

"Frequentar praias com água poluída ou areia contaminada oferece uma série de riscos para a saúde. Praias impróprias podem ter certas bactérias, vírus, protozoários ou parasitas perigosos presentes", explica o infectologista Thiago Zinsly ,do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

Com sintomas que podem aparecer até dois dias após o contato com a água imprópria, a gastroenterite - inflamação do trato gastrointestinal que afeta o estômago e o intestino delgado - é a mais comum delas. "Ela ocorre em uma variedade de formas que podem ter um ou mais sintomas, como náusea, vômito, dor de estômago, diarreia, dor de cabeça ou febre", explica o médico. Dependendo da gravidade, o tratamento pode requerer até o uso de antibióticos. Crianças, idosos, e pessoas com sistema imunológico comprometidos são mais suscetíveis.

Outras doenças adquiridas pela ingestão da água contaminada são a Hepatite A e a Febre Tifóide. A primeira é uma infeção provocada pelo vírus da Hepatite A (VHA), que entra no organismo, atinge o aparelho digestivo e se multiplica no fígado, causando inflamação. Ela pode ser sintomática ou assintomática. O período de incubação pode durar de duas a seis semanas e neste período os sintomas não se manifestam, porém o vírus já é transmitido. Entre os sinais clássicos da doença estão febres, dores musculares, mal-estar, cansaço, náuseas e vômitos. "É importante ressaltar que a Hepatite A pode ser prevenida com vacina", lembra o infectologista Zinsly.

Mais rara, a febre Tifoide é causada pela bactéria Salmonella entérica typhi. Ao entrar no organismo, elas atravessam a parede do intestino delgado e caem na corrente sanguínea. É neste momento em que aparecem os primeiros sintomas, como febre prolongada, cefaleia, alterações intestinais que vão da constipação à diarreia com sangue, falta de apetite, mal-estar, dores abdominais, náuseas e vômitos, além do aumento do fígado e baço, dois dos órgãos mais atingidos pela bactéria. O não tratamento destes sintomas em fase inicial pode resultar em hemorragias abdominais, perfurações do intestino e pode levar à morte.

Redução de riscos

Para reduzir os riscos de adoecer é importante atenção aos avisos indicativos de que a praia está fechada ou que a água não é segura. "Em locais que não são monitorados regularmente, melhor escolher áreas com boa circulação de água, como praias no oceano. Evitar nadar em praias onde é possível ver os canos de descarga ou em praias urbanas logo após chuvas fortes", diz o médico.

A maioria dos nadadores é exposta aos patógenos (organismos capazes de transmitir doenças infecciosas) quando engole a água. Assim, é menos provável que você fique doente se você andar ou nadar sem colocar a cabeça na água. Outra dica é manter feridas abertas fora da água. "Podemos contrair infecções simplesmente pelo contato da água contaminada na pele ou olhos. Se uma ferida estiver aberta e for exposta à água poluída pode desenvolver infecções", explica.

Onde encontrar informações sobre qualidade das praias por estado:

Rio Grande do Sul
Boletins são divulgados pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que desde dezembro de 2017 tem um aplicativo para consulta da qualidade das águas das praias do estado gaúcho. O site para consulta é: https://secweb.procergs.com.br/baln-consulta

Santa Catarina
Os boletins são divulgados pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). https://balneabilidade.ima.sc.gov.br. Além dos boletins semanais, o site disponibiliza os relatórios mensais de qualidade das águas.

Paraná
No site do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estão disponíveis informações sobre a qualidade das praias desde 2013. O link: http://www.iap.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=297

São Paulo
No estado paulista a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo é a responsável pelo monitoramento da balneabilidade das praias. Toda semana, os boletins estão disponíveis na aba Praia do site https://cetesb.sp.gov.br/praias

Rio de Janeiro
Os dados são fornecidos pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) no site: http://www.inea.rj.gov.br/ar-agua-e-solo/balneabilidade-das-praias

Espírito Santo
No Espírito Santo a medição da qualidade das águas marinhas é feita pelos municípios.
Vitória: https://www.vitoria.es.gov.br/balneabilidade.php
Guarapari: https://www.guarapari.es.gov.br
Serra: http://www.serra.es.gov.br/site/pagina/balneabilidade-das-praias
Vila Velha: http://www.vilavelha.es.gov.br/paginas/meio-ambiente-balneabilidade-das-praias-e-lagoas

Bahia
Os dados podem ser consultados no site do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema): http://www.inema.ba.gov.br/servicos/monitoramento/qualidade-das-praias

Sergipe
As praias de Sergipe são monitoradas pela Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema). Para acessar as informações de balneabilidade, procurar o ícone "Balneabilidade", na barra horizontal do portal da Adema: www.adema.se.gov.br ou entrar no link: http://187.17.2.164/balneabilidade/index.html

Alagoas
As informações estão disponíveis no site do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA): http://www.ima.al.gov.br/category/balneabilidade

Pernambuco
Os boletins de qualidade da água estão no site da A Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (http://www.cprh.pe.gov.br). Basta acessar a área de Controle Ambiental, seguido por "Monitoramento" e "Qualidade da Água".

Paraíba
No site da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), basta acessar na barra direita da tela a opção Monitoramento de Praias: http://sudema.pb.gov.br/servicos/servicos-ao-publico/balneabilidade-1

Rio Grande do Norte
A medição é feita pelo Programa Água Azul: http://www.programaaguaazul.rn.gov.br

Ceará
No site da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace): https://www.semace.ce.gov.br/boletim-de-balneabilidade

Piauí
No Piauí, o monitoramento da balneabilidade é responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hidricos (Semar). O Site é www.semar.pi.gov.br

Maranhão
Site da Secretaria do Estado do Meio Ambiente (SEMA) divulga semanalmente as informações sobre a qualidade das praias: http://www.sema.ma.gov.br/arquivo/?tp=6

Pará
No site do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos (SEIRH) basta entrar no ícone Balanço Hídrico, Qualidade e Usos da Água e depois em Monitoramento: http://monitoramento.semas.pa.gov.br/seirh

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