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Saiba como se prevenir das doenças mais comuns no verão

Picadas do mosquito Aedes aegypti acabam sendo mais frequentes no verão por conta do aumento desses mosquitos no verão - iStock
Picadas do mosquito Aedes aegypti acabam sendo mais frequentes no verão por conta do aumento desses mosquitos no verão Imagem: iStock

Fábio Oliveira

Agência Einstein

13/01/2020 11h18

Não importa se você vai à praia ou ao campo na época mais quente do ano. No verão, algumas doenças costumam ocorrer com maior frequência. Daí a necessidade de tomar medidas preventivas para o descanso não virar uma dor de cabeça. Conheça alguns dos problemas mais comuns nessa época do ano e estratégias para evitá-los:

1. Bicho geográfico

É o nome popular da larva migrans cutânea. Trata-se de um parasita que tem como hospedeiros naturais os cães e gatos. Ele provoca irritação e prurido na pele dos seres humanos. Logo após esta fase inicial, faz trajetos sinuosos pela pele — daí a alcunha bicho geográfico. A infecção acontece pelo contato direto com as larvas infectantes existentes no solo contaminado por fezes de animais. Para prevenir, deve-se evitar o contato direto da pele com a areia de locais que porventura tenham sido frequentados por cachorros e bichanos. Por isso, o acesso desses pets à praia ou a tanques de areia precisa ser controlado.

2. Dengue, zika e chikungunya

Os vírus responsáveis pelas doenças são transmitidos pela picada do mosquito Aedes aegypti. No verão, o calor e a umidade fazem com que o ciclo de reprodução deles seja mais curto. Por isso, há uma maior quantidade de insetos e, dessa forma, do número de casos de infecções causadas pelos vírus responsáveis pelos respectivos problemas. A melhor forma de prevenção é impedir a picada do mosquito. Para isso, podem ser usados repelentes, roupas que diminuem a área de exposição da pele, além da eliminação dos focos e criadouros das larvas dos insetos. Ou seja, não deixe locais disponíveis para acúmulo de água, como pneus, pratos de plantas e lixo.

3. Hepatite A

Falhas no cuidado com os alimentos e com a água podem ser responsáveis por surtos da doença, que, além de diarreia e febre, pode deixar os olhos amarelados. No verão, período com temperaturas elevadas e em que também há eventuais quebras de rotina, o risco é maior, especialmente nas praias, onde o saneamento básico algumas vezes não comporta a chegada dos turistas da estação.
A principal forma de prevenir a hepatite A é a vacina. Além disso, lavar as mãos e cuidados adequados na preparação da comida são fundamentais. E ficar de olho na qualidade da água, é claro.

4. Herpes simples

Quem tem a doença convive com o vírus o ano todo, mas sofre mais com as crises no verão. O sol em excesso (radiação ultravioleta), dieta inadequada, abuso de álcool, falta de sono, entre outras causas, contribuem para que o aparecimento do micro-organismo seja mais frequente na época do calor - e as feridas em locais como a boca. O tratamento é individualizado, dependendo da extensão da lesão e das características do paciente, podendo variar desde pomadas até comprimidos. Evitar a exposição aos raios do sol e usar protetor solar são importantes também.

5. Verminoses

Os vermes mais frequentes no período calorento do ano são: áscaris lumbricoides (lombriga), oxiúros, larva migrans cutânea (a do bicho-geográfico), giárdia, ameba, ancilóstoma e trichiurus. Eles encontram no verão as condições ideais para se proliferarem. Afinal, precisam de calor e umidade para que isso aconteça. Locais sem boa infraestrutura de saneamento básico e que, durante a estação, recebem um grande aporte de turistas, favorecem a ocorrência de verminoses. Visitas a praias, piscinas públicas e o consumo de alimentos e água de origem não controlada também podem acabar em dor de barriga.

6. Conjuntivite

Essa inflamação atinge a conjuntiva, mucosa que recobre a parte posterior da pálpebra e a esclera (o branco do olho). No verão, tendemos a nos abrigar em ambientes com ar condicionado. Além do ar mais seco, quem trabalha em escritório não desgruda do computador, daí piscamos menos. Esses dois fatores fazem com que a lubrificação natural do olho diminua, o que pode causar o problema. Existem também formas de conjuntivite causadas por vírus, as mais comuns, e bactérias. Aqui, a falta de higiene das mãos auxilia na disseminação dos micro-organismos. Dessa forma, a pessoa que não está contaminada entra em contato com algo tocado por um indivíduo que tem a doença, coça o olho e se infecta também. Por isso, é importante não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalha, roupa de cama e cosméticos. Outro tipo de conjuntivite, a alérgica, é mais frequente em crianças e adolescentes com predisposição a ter à doença. Ar seco e poluição podem ser gatilhos. É importante consultar um oftalmologista e não se medicar quando essa inflamação der as caras, seja de qual tipo for, para a indicação do melhor tratamento. Isso porque o uso indiscriminado de certos colírios está por trás do desenvolvimento de glaucoma e catarata.

7. Micose

As micoses são causadas por fungos que estão no meio ambiente. Lugares úmidos e quentes, má higiene, excesso de suor, uso de roupas de banho molhadas por tempo prolongado são algumas das situações que facilitam a contaminação da pele por eles, que se multiplicam no verão. Algumas medidas preventivas envolvem evitar o contato prolongado com roupas úmidas e o uso de tecidos sintéticos nos dias mais quentes, além de não ficar com sapatos fechados por muito tempo. Proteja os pés com chinelos em banheiros públicos, academias, vestiários e saunas. Procure secar bem as dobras do corpo ao sair do banho: virilhas, axilas e espaços entre os dedos das mãos e dos pés. E nada de usar roupas, toalhas ou utensílios de uso pessoal que não sejam seus.

Fontes: Thiago Zinsly, infectologista, e Adriano Biondi, oftalmologista, ambos do Hospital Israelita Albert Einstein.

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