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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Você se frustra facilmente? Veja como deixar de ser assim

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Imagem: iStock

Sibele Oliveira

Colaboração para o VivaBem

08/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • O imediatismo da vida moderna faz com que a gente tolere menos as frustrações
  • Pais pouco atentos à educação dos filhos contribuem para que eles se frustrem e sofram por qualquer coisa
  • Pessoas que querem ter uma vida perfeita reagem às situações adversas com raiva e agressividade ou simplesmente desmoronam
  • Baixa autoestima e autoconfiança, pessimismo e tendência a sempre enxergar o lado negativo são algumas características dessas pessoas
  • É possível transformar as frustrações em estímulo para vencer os desafios. Para isso, elas devem ser vistas como aprendizados

Imagine a cena. Você comprou uma viagem caríssima para conhecer uma ilha paradisíaca, trabalhou mais do que de costume para pagá-la e durante muito tempo ficou sonhando com o momento de colocar os pés nela. Só que chegando lá, choveu todos os dias. Uma única palavra seria capaz de traduzir esse desfecho inesperado: frustração.

Como nesse exemplo, acontecem inúmeras situações na vida em que as coisas dão errado e nos deixam, muitas vezes, a sensação de que o mundo acabou. Lidar com as frustrações não é fácil para ninguém. Mas será que hoje em dia as toleramos menos do que no passado? De acordo com Ana Maria Rossi, psicóloga e presidente da ISMA-BR (International Stress Management Association), a resposta é "sim".

E um dos motivos é o imediatismo do mundo moderno. "Como o tempo parece estar passando mais rápido e as pessoas estão cada vez mais impacientes, a baixa tolerância à frustração se torna frequente. Elas não estão mais tendo disposição nem vontade de esperar que as coisas aconteçam", observa a psicóloga.

Essa urgência que tomou conta de nós é uma marca do nosso tempo. Conseguimos tudo na hora, sejam resultados para uma busca na internet, a refeição que pedimos pelo aplicativo, as conversas temos em tempo real no WhatsApp ou likes instantâneos em nossas postagens nas redes sociais. Por outro lado, ficamos sobrecarregados com tantas coisas que somos obrigamos a fazer.

"Atualmente precisamos produzir muito, consumir de modo desenfreado, ter prazer ao máximo e ficamos sabendo de muitas informações a todo momento", enumera Lidia Weber, psicóloga e professora da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Ela acrescenta que as crianças aprendem esse modo de viver com os pais e não conseguem desenvolver resiliência para enfrentar as dificuldades da vida.

A consequência disso é uma geração que não consegue digerir bem os dissabores. "Os pais são pouco atentos e rápidos em suas práticas educativas com os filhos. Com pouco envolvimento, criam gerações de jovens e adultos que se frustram e sofrem por qualquer incidente", completa a especialista. Para Rossi, a permissividade dos pais faz essa intolerância aos insucessos parecer ainda maior. Porque se no passado crianças e jovens reprimiam suas reações emocionais, hoje eles têm total liberdade para se expressar.

Em busca da vida perfeita

De acordo com ela, além da pressa que nos acompanha todos os dias, há um sentimento generalizado de impotência que surge como uma resposta emocional quando nossas expectativas e desejos não são cumpridos. No caso de pessoas com baixa tolerância à frustração e pouca resiliência, esse sentimento é mais intenso, pois elas sonham com uma vida sem dificuldades, querem se sentir confortáveis o tempo todo, acham que merecem tudo, não suportam o tédio e não aceitam ser maltratadas, entre outras coisas.

Como seus desejos não casam com a realidade, essas pessoas se sentem mais desapontadas, irritadas, estressadas e desmotivadas que o normal. E tendem a reagir às situações adversas com rompantes de raiva e agressividade. Ou então desabam e pensam em desistir de tudo. Falta a elas inteligência emocional para perceber que almejar uma vida feita exclusivamente de sensações positivas é o caminho certo para a frustração.

Pessimismo e baixa autoestima

Quem não tolera frustrações tem uma incapacidade de suportar desapontamentos. Mais do que pertencer a uma geração ou outra, o que leva uma pessoa a ser assim é a baixa autoestima e o pessimismo, que a faz enxergar tudo pelo lado negativo. "Ela tende a personalizar as situações que não saem de acordo com as suas expectativas, mesmo que essas expectativas sejam irrealistas. Se algo não dá certo, é como se nada desse certo na vida", afirma Rossi.

Em outras palavras, a pessoa se sente responsável por tudo o que lhe acontece de ruim ou acha que decepções e insucessos só acontecem com ela. Quem faz parte do seu convívio acaba sofrendo junto. "A baixa tolerância à frustração interfere nos relacionamentos afetivos e profissionais e podem fazer com que a pessoa se torne indiferente ao que ocorre. Isso pode levá-la ao isolamento e à depressão", frisa a psicóloga.

Além de baixa autoestima, a ausência de autoconfiança faz com que essas pessoas vejam as frustrações como fracassos. Por isso, se julgam incompetentes e culpadas pelo que aconteceu. Diferente de quem têm mais autoestima, que diante de algo que não dá certo procura aprender com os erros e se empenha em encontrar soluções para sair daquela condição.

Weber diz que lidar com os imprevistos e momentos ruins é mais complicado para crianças e jovens. "Eles ainda não têm a regulação socioemocional que se desenvolve com os eventos, com o tempo e de acordo com os cuidadores. A idade pode trazer sabedoria e uma maneira de enfrentar a vida de modo mais leve". Não significa que pessoas mais velhas não se abalem quando passam por derrotas, fases difíceis ou tragédias. Ou que todas se tornem sábias com o passar do tempo. Mas as vivências costumam ajudá-las a se fortalecer.

Como não se abater com as frustrações

Esse é um exercício que precisamos praticar desde cedo. "Eventos são passageiros. Devemos aprender a analisar o erro e o insucesso para agir de forma diferente na próxima vez", diz Weber. Portanto, antes de nos rotularmos como fracassados é importante entendermos todo o contexto, que inclui a nossa atitude, o comportamento dos outros e as consequências geradas pela situação.

É possível transformar a frustração em estímulo para vencer os desafios que se colocam na nossa frente. Para isso, é preciso ter força de vontade, olhar a situação de forma positiva, avaliar se as expectativas são realistas, não repetir os erros cometidos no passado e tentar quantas vezes forem necessárias.

Mas só quem está bem consegue reagir assim. "A pessoa precisa se conscientizar do seu comportamento e trabalhar a autoestima e a autoconfiança, além de buscar mais flexibilidade e criatividade para encontrar alternativas de reformular o que está fazendo", salienta Rossi. Só assim é possível adaptar a realidade para algo que possa dar certo.

"Também é importante entender que a perfeição não existe e que dificilmente as coisas sairão do jeito que queremos", acrescenta. Interpretar os fracassos como aprendizados é outra dica para não desmoronar diante deles. E não agir de maneira atropelada para dar conta de tudo, pois isso faz as chances de sucesso diminuírem.

Não adianta fugir dos desafios

Ao contrário do que muita gente pensa, não se expor a riscos não blinda ninguém de frustrações, já que mais cedo ou mais tarde as adversidades podem nos pegar desprevenidos. "Os pais devem pensar nisso desde muito cedo com seus filhos e aprender que não é possível protegê-los de tudo e permitir tudo, pois não vão desenvolver resistência à frustração e resiliência", alerta Weber.

Segundo ela, precisamos entender que a vida é imprevisível e que os momentos ruins fazem parte da existência. O importante é lembrar que nessas horas sempre podemos procurar ajuda e que somos capazes de lidar mesmo com o que não gostamos ou não estamos preparados. Outra atitude que pode te ajudar a se reerguer é valorizar as coisas simples e os aspectos positivos e ser grato por eles.

"Às vezes precisamos entender que ter menos coisas e menos desejos pode levar a uma vida mais simples e com mais conteúdo. Fortalecer relações interpessoais e não ter coisas é o que traz satisfação e felicidade. O ser humano é um ser de afeto", observa Rossi. Fazer meditação e relaxamento nos ajuda a entender isso.

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