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Cientistas descobrem circuito neural que regula o consumo de álcool

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

14/12/2019 13h38

O fim de ano é cheio de festas e confraternizações, o que pode nos levar a exagerar na bebedeira. Quem tem problemas com a bebida, deve tomar cuidado com esses encontros. Uma recente pesquisa da University of North Carolina Health Care publicada no periódico científico Journal of Neuroscience descobriu que certos neurônios podem ser os responsáveis por bebermos mais ou menos álcool.

Os cientistas já sabem que uma região do cérebro chamada núcleo central da amígdala (CeA, na sigla em inglês) desempenha papel nos comportamentos relacionados ao uso e consumo de álcool em geral, no entanto, agora os pesquisadores descobriram que neurônios específicos neste núcleo contribuem para comportamentos semelhantes a recompensas. A pesquisa identificou um circuito neural específico que, quando alterado, fez com que os animais bebessem menos álcool.

Como o estudo foi feito?

Os cientistas decidiram investigar se uma população de neurônios que expressam um neuropeptídeo específico (neurotensina ou NTS) contribui para comportamentos semelhantes a recompensas e consumo de álcool. Eles queriam entender esses neurônios no contexto do uso inexperiente de álcool, como quando uma pessoa bebe pela primeira vez.

Usando modernas tecnologias genéticas e virais em camundongos machos, os pesquisadores descobriram que lesionar ou eliminar seletivamente os neurônios NTS no núcleo da amígdala, mantendo outros tipos, faria com que os animais bebessem menos álcool.

Também usando a optogenética —técnica em que a luz ativa esses neurônios— os pesquisadores estimularam as projeções terminais dos neurônios e descobriram que essa estimulação os inibia. Quando os cientistas estimulavam essa projeção com um laser na caixa onde os camundongos estavam, os animais passavam mais tempo onde a estimulação ocorria.

Os animais também aprenderam a executar uma tarefa para ativar a estimulação a laser, e eles faziam isso repetidamente, sugerindo que achavam essa estimulação recompensadora.

"Além disso, quando estimulamos essa projeção, os animais ingeriram mais álcool do que quando tiveram a oportunidade de ingerir álcool sem estimulação a laser", disse a autora Zoé McElligott, professora-assistente de psiquiatria e farmacologia.

Por que ele é importante?

Os pesquisadores acreditam que entender a função desse circuito pode ajudar a prever melhor o que acontece no cérebro das pessoas que fazem a transição do uso casual de álcool para o abuso e o desenvolvimento de transtornos.

Os cientistas esperam explorar como a experiência com o álcool pode mudar esses neurônios ao longo do tempo. "Será que essas células responderiam de maneira diferente depois que os animais passassem a beber grandes quantidades de álcool?", questiona McElligott. "Compreender completamente esse circuito de neurônios pode ser a chave para o desenvolvimento de terapias para ajudar as pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool".

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