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Passageira dá à luz em avião; quais os riscos de viajar grávida?

Fabián Hermosilla
Imagem: Fabián Hermosilla

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

09/12/2019 18h49

Resumo da notícia

  • Uma mulher deu à luz dentro de um voo que ia a Santiago, no Chile, no domingo (08)
  • A chilena estava com oito meses e, segundo seu marido, ela tinha autorização médica para viajar
  • Viajar grávida pode trazer diversos problemas ao bebê e antecipar o parto em alguns casos
  • Médicos recomendam que a gestante viaje apenas até a 28ª semana e, depois desse período, não pegue voos que excedam três horas
  • O ideal é sempre consultar um médico antes de qualquer viagem de avião, além de realizar exames para checar a saúde do bebê

Uma mulher deu à luz dentro de um avião que ia para Santiago, no Chile, na noite deste domingo (08). O voo saiu do Rio de Janeiro e o piloto decidiu fazer um pouso de emergência na capital gaúcha para que mãe e filha fossem atendidas.

Em entrevista à RBS TV, Manuel Hernandez, pai da criança, disse que esperava o nascimento do bebê apenas para o dia 20 e que a esposa tinha autorização médica para viajar —a mulher estava grávida de oito meses.

Assim como ocorreu com a chilena, viajar grávida após um determinado tempo de gestação pode antecipar o trabalho de parto, além de elevar os riscos de problemas ao bebê. Durante o voo há menos concentração de oxigênio, a pressão atmosférica está mais baixa e a umidade relativa do ar também está menor (cerca de 15%), o que facilita o nascimento antes do tempo determinado.

"O bebê vai receber menos oxigênio do sangue da gestante e por causa dessa menor quantidade pode ocorrer um parto prematuro. Normalmente, mudanças ambientais bruscas interferem no tempo natural da gestação. O mais indicado é sempre consultar o médico antes de qualquer viagem de avião", afirma Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do hospital Albert Einstein.

Limite é até 28 semanas

Normalmente, é desaconselhado viajar no começo da gravidez, até o terceiro mês, já que há maior risco de sofrer um aborto espontâneo. "Como o bebê está na fase embrionária, o mais indicado é evitar voos de longa duração já que a gestante pode abortar em qualquer lugar. Viagens longas costumam ser muito estressantes e, nesta fase, o ideal é evitar qualquer tipo de esforço", ressalta o obstetra.

Já no último trimestre também é contraindicado realizar voos longos, já que demanda uma quantidade maior de oxigênio ao bebê. A recomendação de algumas companhias aéreas é que a gestante não viaje a partir da 32ª semana.

No entanto, de acordo com Pupo, o ideal é que a paciente viaje somente até a 28ª semana e, depois desse período, não faça viagens que excedam três horas. "No caso da chilena foi muito arriscado viajar no oitavo mês de gravidez", considera o especialista.

Algumas companhias aéreas pedem autorização médica a partir da 28ª semana, que deve ser providenciada até dez dias antes da data da viagem. Vale lembrar que algumas empresas possuem políticas de cancelamento de passagem que permitem à gestante cancelamento ou mudanças no bilhete sem ter que arcar com custos.

Avaliação médica é importante

A paciente só deve viajar devido a autorização médica. A avaliação inclui fazer exames adequados, como ultrassom para checar a saúde do bebê. Em alguns casos, o médico pode negar o deslocamento da gestante.

Além disso, durante o voo, a gestante deve optar por viajar com meias de compressão (para evitar trombose), beber um litro de água a cada quatro horas de voo e levantar sempre que possível.

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